<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931</id><updated>2012-02-17T00:23:09.292-03:00</updated><category term='esperança'/><category term='veterinário'/><category term='labrador'/><category term='discussão'/><category term='promessa'/><category term='névoa'/><category term='festa'/><category term='neve'/><category term='neblina'/><category term='vã'/><category term='mike'/><category term='hospital'/><title type='text'>Green Leaves</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>giovana barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07872158927402246165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>25</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-8334354308666534224</id><published>2009-08-03T03:55:00.016-03:00</published><updated>2010-01-30T02:34:36.428-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 12 - Música</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/SnaKRF9Wu4I/AAAAAAAAAGE/I2Fpe_7wWXM/s1600-h/Viol%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/SnaKRF9Wu4I/AAAAAAAAAGE/I2Fpe_7wWXM/s400/Viol%C3%A3o.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365628032320453506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma nova rotina.&lt;br /&gt;A frase tão importuna e assustadora pertubava minha alma cada vez em que eu caminhava de volta para casa, ou a silhueta que, pessoalmente era perfeita, prosseguia seu caminho de volta a seu lar.&lt;br /&gt;Dois mundos complexos e completamente intrigantes em seu conflito eterno eram presenciados em uma transição louca, nesse pequeno período. Neste curto espaço de tempo, sair da casa de minha nova namorada e retornar à minha.&lt;br /&gt;O primeiro mundo era no qual eu desejava me acostumar eternamente, sobre a dor e a nostalgia. Onde o céu acompanhava a mudança de meu humor, e que ele poderia acabar em aguaceiro, novamente junto às emoções que vinham à tona, despejando lágrimas de meus olhos. Os pingos da chuva intensa, que foram ampliadas a partir de meu choro com motivos sem sentido concreto.&lt;br /&gt;O segundo mundo, o mais novo, o qual descobri recentemente era composto por ilusões, era certo. No entanto, os dois mundos eram feitos de ilusões, apenas miragens. Mas o novo sonho era tão atrativo e irresistível que era impossível haver uma escolha entre os dois, uma mínima competição. Eu sabia, na consciência ou de modo desacordado que, neste mundo, não passavam de simples acontecimentos que moveram-se como uma máscara sobre meu rosto, escondendo-me do mundo, dos fatos a minha volta.&lt;br /&gt;Mas era sem possibilidades de desistir do primeiro mundo e optar pelo sensacional, como já dito.&lt;br /&gt;Eu provava as novas ilusões com o sabor e a textura doce, extremamente agradáveis, sempre que avistava o corpo de minha nova amada. A principal arma, o principal remédio que compunha este mundo no qual eu gostaria de viver até o resto de meus últimos dias, era seu resplandecente sorriso. Poder aproveitar da brancura de seus dentes e do sentimento que aquele gesto carregava era um tanto... anestésico.&lt;br /&gt;Um tipo de torpor que era bom, não como todos os outros que já senti.&lt;br /&gt;Então, sempre que eu ultrapassava o limite que separava estes dois mundos, eu era infeliz.&lt;br /&gt;Contava os minutos no círculo branco que contrastava com o preto de fundo, meu relógio de pulso. Vinte quatro horas, e eu permanecia ali, fitando sem ver o horizonte, de minuto em minuto observando o aparelho em meu pulso esquerdo.&lt;br /&gt;Fora assim até hoje, durante vinte e sete dias. Mais três dias, e eu poderia gritar ao mundo, para quem tivesse tempo de ouvir: "Faz um mês que sou feliz!"&lt;br /&gt;Não totalmente, mas quem se importa?&lt;br /&gt;— Quero ver você tocar — dei um fim em meu devaneio, pedindo para ouvir as poucas, porém maravilhosas composições de minha melhor amiga.&lt;br /&gt;Melhor amiga. Era como passei a chamar por Bruna, desde o dia do aeroporto.&lt;br /&gt;— Vamos lá — sua mão agarrou a minha, puxando para o primeiro andar do castelo dos Giordano Fehera.&lt;br /&gt;Ela sentou-se ao meu lado, na banqueta confortável de madeira à frente do enorme piano preto de cauda. Os dedos pressionaram-se uns aos outros, promovendo barulhos seguidos de estalos.&lt;br /&gt;Um último e profundo suspiro, e a melodia alta e clara inundou a enorme sala.&lt;br /&gt;Seus dedos finos e claros com a luz vinda do lado de fora dos vidros, nas paredes, passeavam com leveza sobre o marfim das teclas. Impossível seria dizer que apenas um par de mãos tocava o instrumento, ligando as notas e formando uma música linda. Primeiro, vagarosamente, semelhante à uma canção suave de ninar. Bruna acompanhava seus dedos com o prata de seus olhos, mas a expressão despreocupada, pois ela nunca erraria uma nota.&lt;br /&gt;Aos poucos, a velocidade e a destreza dominaram suas pequenas mãos, articulando seus dedos, transformando-as em um único vulto. A música misturava-se a uma composição familiar, a minha preferida. E, entrelaçada ao som das teclas, a voz dela fazia uma harmonia absolutamente perfeita. O timbre emanava o ambiente, circulava sobre o apartamento vazio, as empregadas parando seus afazeres para tirar proveito daquele composto. Ambas paradas, encostadas no arco de vidro da sala de jantar.&lt;br /&gt;Meu papel ali era pouco importante: eu apenas a observava, o rosto corando. Ao seu lado, eu me sentia um lixo.&lt;br /&gt;A doçura então estava para terminar; Bruna havia colocado delicadeza e lentidão em suas mãos. Os últimos apertos nas teclas, e o silêncio preencheu o momento.&lt;br /&gt;Logo em seguida, o barulho das palmas de dois pares de mãos ecoaram, Bruna virou-se e sorriu para suas duas empregadas. Bati minhas mãos também, sorrindo.&lt;br /&gt;— Quer tentar? — seu sorriso murchou meu rosto, tirando meu fôlego.&lt;br /&gt;— Não sei se...&lt;br /&gt;— Ora, vamos! — suas mãos agarraram as minhas, uma cena cômica. Pequenas e aparentemente frágeis, apertaram as minhas patas de urso e posicionaram, seus dedos colados nos meus, cada mão em um conjunto de teclas. Seu rosto estava em cima de mim, os braços nos meus. Ela estava de pé, atrás de mim.&lt;br /&gt;Aos poucos, ela apertava cada tecla, formando uma música simples, nada comparado às suas composições. Logo, ela criava intimidade com minhas mãos, já debruçada sobre minhas costas.&lt;br /&gt;Tentei firmemente me concentrar quando a pequena elevação de seus seios roçaram o pano de sua camisa em minha nuca.&lt;br /&gt;Porém, logo identifiquei a melodia.&lt;br /&gt;— Argh, Bruna! — larguei as teclas e as suas mãos, apoiando minha cabeça sobre os braços, escondendo-me, enquanto ela ria freneticamente. Em um movimento rápido, senti que ela voltara a sentar do meu lado, continuando a música, torturando meus pensamentos.&lt;br /&gt;— Não me lembre mais disto! — meu grito saía abafado.&lt;br /&gt;Bruna articulava seus dedos na música "Parabéns a você", ainda rindo. Quando terminou, me abraçou e disse baixinho:&lt;br /&gt;— Não se preocupe, por favor. Treze anos não são feitos todos os dias.&lt;br /&gt;— Nenhuma idade é feita todos os dias — falei friamente.&lt;br /&gt;— Quanta raiva! Fiz festas todos os anos de minha vida, por que você não quer?&lt;br /&gt;— Preciso repetir? — levantei a cabeça subitamente, uma péssima idéia. Bruna estava com o rosto tão próximo ao meu, e com o impacto de meu movimento, ela rapidamente afastou-se, largando meus braços.&lt;br /&gt;Tentei parecer indiferente. Ela porém, arfava um pouco. Observei seu rosto por alguns segundos, me divertindo enquanto ela pestanejava e parecia dizer algo.&lt;br /&gt;— D-desculpe — gaguejou, a maçã de seu rosto bem vermelha, que estava virado para o piano.&lt;br /&gt;— Pelo quê? — indiferente até demais, deixei-a até sem graça, mais do que já estava.&lt;br /&gt;Ela me encarou, balançou a cabeça negativamente.&lt;br /&gt;— Nada.&lt;br /&gt;Levantei, fui até a janela ao fundo do piano. Bruna ria sem graça.&lt;br /&gt;— Bruna — passei o dedo pelo vapor que havia na janela, criando um risco. Isso possibilitou que eu observasse os pingos do outro lado do vidro, caindo lentamente.&lt;br /&gt;— Oi? — e ela ainda arfava.&lt;br /&gt;— Já imaginou que, amanhã, será a Mariana a vítima do "com quem será"?&lt;br /&gt;Eu indaguei tão despreocupado, ou talvez um pouco. Estava pensativo, pedi a minha mãe que não fizesse um aniversário. Como foi um pedido sem chances de ser atendido, pude imaginar minha mãe, neste exato momento, preparando a comida para amanhã.&lt;br /&gt;Mas Bruna parara de arfar, quando fitei seu rosto, ele estava paralisado. A boca semiaberta, os olhos grandes.&lt;br /&gt;— Desculpa! Eu não queria falar isso! — corri para seu lado, por impulso tentando lhe dar um abraço. Bruna interrompeu-me com suas mãos.&lt;br /&gt;— Não, está tudo bem. E eu já tinha pensando nisto, sim — sua voz agora estava distante.&lt;br /&gt;— Desculpa. Mesmo. — consegui abraçá-la e esfreguei seu braço amistosamente, como um consolo, enquanto ela me lançava um olhar doce, elevando um canto da boca volumosa.&lt;br /&gt;Meu ritmo diminuiu enquanto ela me levava para minhas fantasias, onde minha imaginação comandava tudo, em meu paraíso particular. Nosso olhar se encontrou, sua boca sumiu com o pequeno sorriso. Parei de criar atrito com seu braço, consegui sentir ambos corações, palpitando em um padrão veloz e forte. Meu rosto aproximou do seu involuntariamente.&lt;br /&gt;— Você está fazendo isso novamente — o hálito quente e levemente doce encostou em minha pele. Acordei do transe.&lt;br /&gt;— O quê? — eu me afastei.&lt;br /&gt;Mas ela não respondera de novo, apenas riu.&lt;br /&gt;— Toca de novo — pedi.&lt;br /&gt;Um sorriso leve aprofundou-se nos lábios de Bruna. Ela virou o corpo para o piano e recomeçou a me surpreender.&lt;br /&gt;Agora, os dedos fervilhavam sobre as teclas de cor alva, incrivelmente polidas. Uma mão trabalhava no conjunto de tom grave, apertando duas ou mais teclas ao mesmo tempo, sempre alternando. A outra mão caminhava com seus dedos pela parte de som agudo, aleatoriamente. A olho nu, poderíamos dizer que era apenas passar as mãos, apertando quaisquer tecla. Ledo engano. A melodia era tão perfeita e bem composta, creio que até um gênio da música poderia intimidar-se ao ver o talento de minha melhor amiga.&lt;br /&gt;Melhor amiga, que eu não tinha tanta certeza se ainda amava.&lt;br /&gt;Eu sabia que algumas poucas semanas não fariam absolutamente nenhuma diferença em meu sentimento, mas com Mariana jogando, era um caso totalmente diferente. Quando eu a encontrava, Bruna era esquecida por completo, como se nunca havia existido. Bruna e qualquer outra pessoa. No entanto, em situações, antigamente rotineiras, como a de hoje, era um tanto incômodas. Bruna cutucava dolorsamente a ferida que estava prestes a se curar a cada dia. Mariana e Bruna conflitavam sem se falar, em uma espécie de briga com meu coração. A ferida que completaria treze anos daqui a quatro meses — em novembro, quando Bruna nasceu, e eu a conheci, mesmo sem poder falar — estava sendo suturada todos os dias com Mariana, mas também alargava-se com Bruna.&lt;br /&gt;Foi então que eu comecei a lutar para aprender uma coisa importante. Todos os dias, em minha mente este aprendizado já era claro, quando eu estava com Mariana. Porém, ao visitar Bruna, ela transmitia uma mensagem por telepatia, de que eu não aprendera nada.&lt;br /&gt;Eu gostaria de aprender que não namorava Mariana por uma causa egoísta, como tentar esquecer Bruna. Não a namorava com o propósito de amenizar a dor existente ali, que sempre era tão intensa e torturante a cada desejo meu de tocá-la de outro modo, de beijá-la até arrancar seu fôlego, de fazer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dela&lt;/span&gt; minha namorada, de dizer "Eu te amo" da forma em que eu realmente a amo, e não como uma amizade duradoura.&lt;br /&gt;Eu tentava aprender que Mariana aceitara namorar comigo para eu realmente amá-la e fazer dela a garota mais feliz do mundo. Não a usaria com fins apenas voltados para mim. Eu a faria feliz, e seria também.&lt;br /&gt;Eu a amaria.&lt;br /&gt;— Acorda — um estalo de sua mão sobre meus olhos me fizeram despertar. Pestanejei, logo depois lhe encarando. — Você anda muito pensativo. Vou para de tocar. — suas pernas já estava para fora, ameaçando se levantar.&lt;br /&gt;— Não! — pus a mão em sua cintura, com a finalidade de impedir que ela saísse dali. Mas fora inútil.&lt;br /&gt;— Vamos na varanda, vamos pensar em paz — ela puxou minhas mãos, e lançava um olhar feio em direção à sala de jantar, onde as empregadas conversavam, com uma empolgação anormal.&lt;br /&gt;O símbolo estampado naquele cômodo ao ar livre, no primeiro andar do apartamento mesmo, era de conforto, e nada mais. Os móveis de vime com assentos brancos contrastavam com as almofadas de cores azuis, em tom escuro. Eram baixos e amplos. A decoração era de flores finas, e ao lado direito, uma mesa de jantar fazia parte de vários churrascos nos fins de semana. Bruna apertou um botão que ficava no beiral da cerca de concreto, e os vidros laterais fecharam-se automaticamente, deixando apenas os vidros da frente abertos. Sem largar minha mão, me fez sentar ao seu lado, enquanto agarrava uma almofada, levando-a para seu colo.&lt;br /&gt;Apoiou a cabeça em meu ombro, e não pude me controlar para não contornar seu ombro com meu braço, abraçando-a confortavelmente. Observei atentamente seus olhos, que assistiam o céu desaguar, porém com um azul não tão triste. O céu não estava cinza, estava azul.&lt;br /&gt;O silêncio, a não ser pela chuva densa que caía em linha reta, era pela primeira vez, bom. Uma paz indescritível tomava conta daquela varanda, e eu tinha certeza que faria eu pensar naquilo, antes de dormir.&lt;br /&gt;— Pode ser que eu não demonstre isto, mas ainda me fere muito. — sua voz não ultrapassava um sussurro rouco, mas ainda sim estava calma. Tive vontade de dizer para não falar de sua dor, mas seria egoísmo. Eu também queria falar da minha dor.&lt;br /&gt;— Dói... a mim, também. Você não sabe o quanto — tentei dizer, em uma voz baixa também, agoniada. Bruna virou a cabeça rapidamente para mim.&lt;br /&gt;— Como... como assim?&lt;br /&gt;Suspirei fundo, depois de uma última olhada no fundo líquido de seus olhos.&lt;br /&gt;— Desde o dia em que te contei — minha voz era monótona e casual — sobre ela, desde aquele dia em que você desabou... se acabou em lágrimas, não consigo mais ser totalmente feliz, Bruna. — na verdade eu nunca fora — Há uma ferida em mim... não consigo consertá-la.&lt;br /&gt;Silêncio. Uma pausa entrecortada por ruídos do vento se debatendo contra o vidro e do ronronar da gata Kate, que roçava-se em minha perna.&lt;br /&gt;— Ela está ali para lhe ajudar, agora — sua voz era tão baixa que quase não ouvi. Uma ventania ultrapassou a frente da varanda, balançando as flores e nossos cabelos.&lt;br /&gt;— Ninguém pode fazer isto, Bruna.&lt;br /&gt;Seus olhos me contemplaram com dor, acima de tudo.&lt;br /&gt;— Não vou parar de sofrer até ver você feliz novamente — beijei sua testa, apertando-a mais. Ela parecia uma boneca frágil e pequena em meus braços, pedindo abrigo neles.&lt;br /&gt;A chuva aumentara, raios eram vistos no céu, agora mais cinza. Os pingos não paravam de cair, precipitando sem preguiça.&lt;br /&gt;— Só vou parar de sofrer quando ter você novamente, só para mim — senti uma pequena poça em minha camiseta, não havia percebido que ela começava a chorar, de novo. Não bastava o quanto ela já molhara minhas roupas?&lt;br /&gt;— Pare. — pedi, secando as lágrimas, que agora fluíam fortes e rapidamente. — Se não parar, irei embora.&lt;br /&gt;— Não — enxugou os pingos de seu rosto com as costas da mão, fungando freneticamente. Não a abracei novamente, por medo dela iniciar uma nova sessão de choro.&lt;br /&gt;— Vamos mudar de assunto. Como vai o teatro?&lt;br /&gt;Bruna então, controlou suas lágrimas e começou a contar, animando-se aos poucos, sobre o curso quase profissionalizante de sua principal paixão. Contava das atividades, das peças, de tudo. Eu ouvia, atentamente, com medo de um momento como aquele ser esquecido, amanhã, ao ver minha namorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda estava agradecendo pelo presente de Mariana, enquanto ouvia Bruna, do outro lado do quarto, onde eu não podia vê-la, brincando com Mike. Lílite fazia companhia para Bruna, que de vez em quanto, desviava o olhar para onde quer que Mariana e eu estivéssemos.&lt;br /&gt;Eu também. Sempre que Bruna vinha perguntar algo — não trocamos palavra alguma desde a sua chegada, apenas perguntas que se diziam importantes — era rápida e logo saía de meu campo de visão. Fora, com Lílite, umas cinco vezes na cozinha para saber se Mônica necessitava de ajuda. Demoraram uma hora no máximo por lá, e logo estavam aqui.&lt;br /&gt;Tinha pena. Não poderia deixar Mariana para dar atenção às duas, não poderia chamá-las para se juntar conosco. Então, tão comicamente quanto ridículo, as duas ficavam do outro lado de meu quarto, onde uma parede nos separava. Eu brincava de roubar beijos com Mariana, e as duas cansavam Mike de tanto carinho e brincadeiras. Só que elas não precisavam ficar ali, à espreita, como se estivessem espiando. Conseguiriam muito bem andar pela casa, ficar conversando com Mônica.&lt;br /&gt;E, ao menos terminei de pensar isto, e as duas desceram as escadas.&lt;br /&gt;Mas eu estava feliz. Era o que importava agora, afinal, eu havia conseguido algo que ansiei durante muito tempo.&lt;br /&gt;— Que horas você marcou mesmo? — Mariana desordenava meu cabelo, introduzindo as mãos entre os fios úmidos. Eu me encostava em seu colo, a cabeça abaixo de seu pescoço, o mais confortável impossível. Eu trocava o canal da televisão constantemente, inquieto, insatisfeito.&lt;br /&gt;Por que eu chamei Bruna para vir mais cedo?&lt;br /&gt;Superficialmente, eu queria demonstrar que nada havia mudado, como prometi há algumas semanas. Com a desculpa de que nossa amizade seria a mesma. Insisti carinhosamente que ela viesse, mas avisei que Mariana estaria aqui. Ela mesma recusou a vir, mas fui tão persistente e idiota, que lá estava ela, sem coragem para encarar o casal sobre a cama. Mas estava ali.&lt;br /&gt;— Daqui a uma hora.&lt;br /&gt;Depois de armar um caos sobre minha cabeça, Mariana organizou os fios e os deixaram em pé com gel, como estavam antes dela bagunçar.&lt;br /&gt;A última hora antes de me jogar na fogueira passou rápido demais, eu me entretia com um programa na TV, o que era raro. Entre as gargalhadas e alguns toques de lábios, os números do relógio marcaram 19h. Gritei um palavrão que arrancou as risadas de Mariana, Bruna e Lílite. Decidi conferir a aparência no espelho ao lado do guarda-roupa. Era um traje para uma saída casual, e ao mesmo tempo, para minha chamada de morte. A tortura.&lt;br /&gt;O cabelo brilhante de gel, penteado levei-um-choque que eu nunca usava, uma camiseta preta estampada, calças largas brancas e um All Star simples, cinza. Não pude deixar de olhar a gaveta de acessórios, e observar uma correntinha prata, a qual Bruna me dera no aniversário passado. Este ano ela ainda não me entregara o presente, mas quando chegou aqui em casa, notei que um pacote com uma fita preta enorme estava na cozinha, e Bruna e Mônica faziam de tudo para que eu não o visse. Confesso que a curiosidade quase me corroeu, mas me mantive.&lt;br /&gt;O reflexo opaco da luz na correntinha fitava meus olhos, me deixando na tentação de colocar aquele cordão de prata em meu pescoço. Refleti durante alguns segundos. Mariana com certeza perguntaria da onde era aquela peça charmosa e cheia de lembranças para mim, e eu não poderia mentir na frente de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;minha&lt;/span&gt; Bruna. No entanto, dei de ombros e passei o cordão por cima de minha cabeça, ajeitando-o no espelho.&lt;br /&gt;Saí de meu guarda-roupa tecnológico — que ao mesmo tempo era um closet disfarçado, frescura que minha mãe mandou construir assim que completei quatro anos — e voltei para os braços de Mariana. Mal pude me sentir confortável, e eis que a maldita campainha soou. Corri para o andar de baixo, minha mãe já havia atendido a porta. Era Pedro.&lt;br /&gt;— Tinha me esquecido de como você era pontual! — Pedro me abraçou e deu vários tapas em minhas costas, com um embrulho brilhante em mãos. Desejou-me tudo aquilo que se é dito em aniversários, com um entusiasmo inútil. Agradeci, mesmo que tivesse ouvido aquilo dele mesmo, à meia-noite de hoje, pela Internet.&lt;br /&gt;— Se você não gostar... o problema é seu. — brincou ele, enquanto eu abria a caixa comprida e rasa, totalmente prateada. Um livro estava em seu interior. Mas não era qualquer livro.&lt;br /&gt;— "Rise of the Ogre"! Eu não acredito! — empolguei-me rapidamente, mudando de idéia quanto à festa. Era um livro que eu queria ler havia tempo demais, e sua linguagem era apenas em inglês. Mas eu tinha conhecimento o suficiente na língua até para ler um livro.&lt;br /&gt;Abracei-o novamente, pondo em evidência minha súbita alegria, tagarelando sem parar. Levei o presente para me quarto, e Pedro cumprimentava as meninas. Lílite sempre corava quando Pedro estava no mesmo ambiente, e desconfiava o porquê. Mas não tinha certeza.&lt;br /&gt;Era quase claro que ela também era apaixonada por ele. Mas nem de Bruna eu conseguia arrancar esta quase óbvia resposta, então desisti de me passar por um suposto&lt;br /&gt;cupido.&lt;br /&gt;E como se 19h fosse um horário de trânsito humano, minha modesta casa entupiu-se facilmente. Havia gente que eu mal conhecia, e tive raiva de minha mãe. Sim, naqueles poucos minutos, Mônica transformou-se em uma mãe horrível que convidava todos os conhecidos possíveis para assistir seu filho em um inferno particular.&lt;br /&gt;Mas o pior não eram os desconhecidos que mergulhavam na piscina e "acidentalmente" quebravam os copos de cristais do bar, e sim meus primos que não passavam dos oito anos, aqueles que minha mãe &lt;span style="font-style: italic;"&gt;prometeu&lt;/span&gt; não convidar. Jurei que teria uma conversa séria e soturna o bastante para fingir que tinha moral com Mônica, a policial experiente.&lt;br /&gt;Em torno das 20h, minha casa já chamava a atenção da vizinhança por completo. Meus tios que moravam tanto longe quanto perto estavam ali, jogando conversa sobre os mais diversos assuntos fora, em minha sala. Crianças de colo que eu tive que conhecer andavam desajeitamente apoiadas nas paredes e seguradas pelas minhas tias mais novas. Os primos que eram de minha idade flertavam vergonhosamente as meninas, incluindo Bruna. Apenas Matheus, o primo de dezesseis anos, sabia de toda minha história, minhas dificuldades de me relacionar, os fatores que influenciavam em meu inferno na Terra, tudo. E sabia também, sem precisar eu dizer palavra alguma,  que todos aqueles primos traíras que paqueravam Bruna estavam quase a ponto de serem quebrados por um soco meu.&lt;br /&gt;Entre um petisco e outro, eu atendia a porta, e minha casa lotava cada vez mais. Eram pessoas da escola, da família, do trabalho de Mônica. E mais presentes, incontáveis presentes. Alguns odiáveis, mas a maioria, graças ao Senhor que ouvia minhas preces regularmente, eram maravilhosos.&lt;br /&gt;— E o meu presente? — não quis ser incoveniente, mas Bruna nunca deixou de me entregar algo que eu deseja muito, e sempre me surpreendia. E era a primeira a entregar, de todos.&lt;br /&gt;— Calma! Não se preocupe, você terá o seu presente. — e ela caminhava de volta para a roda de garotas que ficava no canto de meu quarto, cochichando e olhando feio para mim.&lt;br /&gt;Apesar da aglomeração nos três andares da casa, conforme os minutos passavam eu me sentia cada vez mais entediado, ou mais provável, triste. Mais um pouco e tinha certeza de que estava decepcionado. Bruna me garantira o presente, mas parecia que ela não me daria nada. Quando havia tempo, entre uma rápida conversa com um parente e outra, eu ia ao banheiro de meu quarto e me encarava no espelho. Também andava para o terraço de meu quarto, que havia trancado por precaução das crianças menores. Sempre pensativo.&lt;br /&gt;E, como eu não esperava, a famosa hora do bolo não foi tão ruim. Fora um horror, fora totalmente indescritível e torturador. Todos os convidados amontoaram-se em minha sala de jantar, e quem não conseguia passar pelo arco da porta que agora aparentava minúsculo, ficava de espreita na sala de estar. O bolo, enorme e até que apresentável, por ser feito em última hora. Três camadas separadas por um pequeno pilar de metal, cada andar em uma bandeja de prata. Era inteiramente coberto por tufos de chantili. Digno de um casamento. E ali, observando as chamas das velas que indicavam "13", eu batia palma junto ao coro que gritava freneticamente a música do "Parabéns a você", em vez  de cantarem.&lt;br /&gt;Desta vez, como eu esperava, e graças às fofocas de meu namoro que foram espalhadas antes mesmo de eu descer de meu quarto para cortar o bolo, a idiota música do "Com quem será" foi exatamente com quem eu pensava. Mariana.&lt;br /&gt;Quando cantaram o seu nome, ela caminhou empolgadíssima até o meu lado, atropelando quem estava em seu caminho, ou seja, Bruna. Ela não estava ao meu lado enquanto os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;flashes&lt;/span&gt; eram batidos em minha cara, enquanto as faíscas das velas queimavam o bolo. Ao meu lado não estava ninguém que eu desejava, como meus amigos. Estavam meus primos demoníacos e hiperativos, que enfiavam os dedos safados para dentro do bolo, crentes que ninguém fosse vê-los. E sim, não estava ninguém que eu desejasse mesmo, com Mariana incluso. Ela selou meus lábios, provocando gritos de felicidade e aclamação de todos ali presentes, menos o de Bruna.&lt;br /&gt;Durante toda a tortura eu sempre contemplava o par de olhos mais lindo do universo, para avaliar a sua reação, ou até mesmo como um impulso, uma forma de dizer "Tire-me desse inferno, melhor amiga!". Ela respondia com um sorriso amarelo ou até mesmo gesticulava palavras acolhedoras, mas na hora da música temida, ela simplesmente fugira do ambiente.&lt;br /&gt;Esperei toda aquela cerimônia de apagar as velas e inclusive fazer um breve discurso — no qual me saí muito bem, até um pouco divertido — passar para procurar minha melhor amiga, que não ficou todo o período para me acomodar, me acalmar diante daquelas pessoas. Vasculhei a casa inteira enquanto os outros entravam novamente na piscina ou comiam pedaços do bolo, mas ela não estava em lugar algum.&lt;br /&gt;Resolvi procurar em meu quarto, mas não havia nada ali, a não ser o som ligado em alto volume, vibrando ao passar uma música eletrônica. Até entrei em meu guarda-roupa, mas nada havia ali.&lt;br /&gt;Foi quando caminhei em frente à porta trancada e opaca de minha varanda. Olhei para a porta de meu quarto para certificar de que nenhum pentelho a atravessaria, e fui para a varanda.&lt;br /&gt;Quem eu procurava estava ali, sentada com as pernas cobertas apenas por um shorts curto para fora da varanda, penduradas no ar. Estava sentada em cima da cerca que separava o chão seguro da altura perigosa de três andares. Podia ver um vulto entre a cerca de suas pernas balançando regularmente, mas a cabeça estava baixa, emitindo várias fungadas. Esperei alguns segundos, aproveitando enquanto ela não notava minha presença, e me aproximei.&lt;br /&gt;Notei que vários lenços de papéis estavam ao seu lado, todos amassados.&lt;br /&gt;— Você não está pensando em se matar, está? — perguntei em uma voz surpreendentemente feliz, e não acreditei que fosse pela festa. Era mais coerente que fosse porque eu havia achado Bruna.&lt;br /&gt;Ela interrompeu uma crise de choro que estava começando, e virou a cabeça imediatamente para mim. Dei um sorriso amarelo, mas depois que notei que haviam lágrimas saindo de seus olhos, aproximei-me dela o mais perto possível.&lt;br /&gt;"De novo não", pensei.&lt;br /&gt;— O que foi? O que aconteceu?&lt;br /&gt;Não pude deixar de terminar de falar e ela apoiou a cabeça nas próprias mãos, tendo mais uma crise sensível. Abracei-a como em todos os momentos que ela chorou, mas nada adiantara. Ela chorava ruidosamente, enquanto eu esperava ela conseguir falar. Foi entre a inconformidade de algo que eu não sabia o que era e fungadas assustadoras que ela conseguiu me explicar:&lt;br /&gt;— Não sabia que substituir meu nome pelo dela no "Com quem será" iria doer tanto — quando terminou a frase, jorros de água rolaram pela face  desesperadamente.&lt;br /&gt;Achei que teria dó, mas tive vontade de lhe dar um tapa.&lt;br /&gt;— Você está chorando por causa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;disso&lt;/span&gt;? — minha voz saiu áspera, no entanto esperei não magoá-la ainda mais.&lt;br /&gt;— E-estou — larguei meus braços que abraçavam involuntariamente seu corpo, me afastando. Entendi que reconfortá-la seria pior para parar de chorar. Fitei as estrelas que cobriam o céu de um modo esparramado, tendo pela primeira vez, paz naquela noite. O silêncio preenchido pelas lágrimas barulhentas de Bruna deixavam a noite mais triste, arrancando de mim o empolgamento inacreditável pela festa. De vez em quanto, eu olhava pelo canto do olho para ver como estaria Bruna, e ela não saiu de sua posição de choro: a cabeça apoiada nas mãos. Caminhei pela varanda, esperando pelo momento certo. Tranquei a porta para certificar que ninguém nos interromperia.&lt;br /&gt;Bruna então, depois de enxarcar seu oitavo embrulho de papel, silenciou o choro, deixando-o apenas em algumas lágrimas que escapavam uma vez ou outra. Passei a mão sobre suas costas, agora podendo fazer aquilo sem receio. Aos poucos, ela cedia, deixando que o silêncio dominasse o ambiente, e a dor passasse.&lt;br /&gt;— Acho que Mariana precisa ir embora. São 23h agora. — sussurrei com doçura enquanto olhava o relógio e a porta. Ela assentiu, e voltei para a festa.&lt;br /&gt;Procurei minha namorada, e não demorei a achá-la. Perguntou onde eu estava, e rapidamente inventei uma desculpa de que estava no telefone. Ela, como esperei, disse que sua irmã mais velha estava esperando-a na porta de casa. Beijei-a demoradamente, agradecendo sua presença e o presente que me dera. Acompanhei-a até a porta.&lt;br /&gt;Quando voltei para meu quarto, vi que a porta do banheiro estava aberta e a luz acesa. Aproximei-me e vi Bruna ajeitando o cabelo, o rosto molhado. Seus olhos estavam um pouco ruborizados, vários pontos em sua face também. Depois de se enxugar, apagou a luz.&lt;br /&gt;— Ela já foi — falei, em tom de acaso. Ela obviamente estava melhor.&lt;br /&gt;— Ainda tem muita gente lá em baixo?&lt;br /&gt;— Sim — lamentei.&lt;br /&gt;— Droga! — seus olhos percorreram o chão, mas logo voltaram para os meus. — Minha cara está muito feia?&lt;br /&gt;— ... não?! — Era impossível ser feia. Bruna era linda sempre.&lt;br /&gt;— Estou apresentável? — insistiu, agora impaciente.&lt;br /&gt;— Sim, está — sorri rapidamente, e ela disparou porta afora. Disse para eu não segui-la.&lt;br /&gt;Voltei para o terraço, sentando no mesmo local que estava Bruna. Observei distraído o céu quase negro totalmente limpo, sem muito no que refletir sozinho. A calmaria invadia meu espírito novamente, devolvendo-me a preguiça, a paz. Estava com as pernas se agitando sobre o nada, pendurado na cerca, correndo risco de vida. Fitei o chão da calçada, que refletia a luz azulada do primeiro andar de casa. Ainda pude ouvir vozes entrelaçadas, unindo-se em um zunido só. Tinha a certeza de que todos aqueles que me parabenizaram estariam ali, aproveitando tudo o que minha paciente mãe e minha casa, que agora parecia um cubículo, tinham a oferecer de interessante. Também estava começando a me conformar de que eles começariam a deixar a casa assim que o dia seguinte chegasse, ou seja, daqui uma hora.&lt;br /&gt;O clima estava seco; como eu não gostava, exatamente. Senti um pouco da claustrofobia invadindo meu corpo, mas respirei fundo e acalmei, quando o vento começou a assoprar as folhas dos carvalhos e os meus fios de cabelo.&lt;br /&gt;Ouvi o barulho da porta abrindo-se, e de um modo provavelmente paranormal, eu sabia que era Bruna. Não virei para olhá-la, brincando comigo mesmo, testando minha habilidade em diferenciar presenças. Dei uma risada grave e sem graça.&lt;br /&gt;— É tão... estranho. — arrisquei, ainda sem olhar para a pessoa que estava ali.&lt;br /&gt;— O quê? — dei outra risada idêntica quando reconheci a voz doce e inacreditavelmente bonita. Ela pareceu não entender, mas me ignorou. — Cale a boca! — brincou — Venha aqui, o risco é menor de seu presente cair no chão e se quebrar em alguns pedaços.&lt;br /&gt;Saí de meu assento novo — o qual, apesar da casa ser minha, nunca ter sentado ali, por ter vários outros lugares &lt;span style="font-style: italic;"&gt;normais&lt;/span&gt; para se sentar, ou talvez por ter um mínimo senso de autoproteção.&lt;br /&gt;Deparei-me com uma enorme — talvez medisse metade de minha estatura — caixa de presente no chão, comprida e gorda. Aparentava bem maior do que aquele pedaço que eu havia visto pela manhã, no balcão de minha cozinha. Era totalmente branca, envolvida por uma fita que vinha dos quatro lados, preta e de cetim. Era reluzente com a luz vinda da parede, mas, movido pela curiosidade, puxei a fita sem cerimônia.&lt;br /&gt;Quando removi a tampa, meus olhos arregalaram-se e senti que minha boca se abrira. Bruna dava alguns risos disfarçados, esperando minha reação por completa. Uma capa preta e sinuosa residia o interior da caixa. Retirei o objeto um pouco pesado, abri o zíper.&lt;br /&gt;— Um violão! Como... como você...&lt;br /&gt;— Achei a sua cara — interrompeu-me — Não achei presente que mais combinasse com você. E eu mesma afinei.&lt;br /&gt;— Adorei! — falei com sinceridade enquanto avaliava o instrumento preto com as bordas brancas. Suas tarraxas eram douradas e cintilavam quando encontravam a luz. Deixei o violão em cima da capa com cuidado, enquanto levantava-me para abraçar Bruna. — Obrigado mesmo! Adorei de verdade! — dei entusiasmo às palavras e ao meu gesto, levantando-a do chão com meu aperto forte. Ela apenas respondia com sorrisos demorados, que habitualmente derretiam meu coração.&lt;br /&gt;— Eu sei que você não sabe tocar muito... mas eu também posso te ensinar agora — gracejou, e fazia expressões engraçadas, elevando as sobrancelhas. Apanhei o instrumento e passei os dedos sobre as cordas, maravilhado pelo som uniforme e agradável que saíra. Arrisquei uma pequena música e insignificante perto daquelas que Bruna dedilhava humilhantemente, e o som a transformou em um uma esplêndida melodia.&lt;br /&gt;— Até que você não toca tão mal. — e deu mais um riso, para a coleção. Sorri gentilmente, agradecendo com os olhos mais uma vez pelo presente perfeito. Toquei novamente a mesma canção, encantado com o som que o aparelho produzia.&lt;br /&gt;— Posso? — pediu ela, a voz simpática, quando terminei a infame música. Hesitei, sabendo que teria que me rebaixar diante dos cantos que ela produzia em seu violão. Imaginei como seria demonstrar novamente sua habilidade musical no novo instrumento, que faziam de minha pobre melodia uma canção apresentável e até que bonita.&lt;br /&gt;Então, ela começou.&lt;br /&gt;Os dedos finos e pálidos, assim como no dia anterior, trabalhavam alternavam de posição sobre o braço do violão, pressionando as cordas certas, enquanto a outra mão dedilhava uma corda por vez, unindo as notas que não faziam sentido para mim, em uma única música, uma única sensação. Era tão maravilhoso quando assustador. Não acreditei que provocaria uma emoção tão diferente quanto reconfortante, era quase tão boa como aquele torpor que eu sentia quando estava na presença de Mariana. O som acústico ajudava a trazer a calma e a harmonia de volta ao meu espírito, o toque de sua unha ligeiramente comprida e aparada em linha reta contra a corda emitia, a cada vez mais, a vibração artística de uma profissional de apenas doze anos, que transmitia ondas de felicidade e conforto através da melodia.&lt;br /&gt;E, para meu paraíso estar completo, enquanto eu me deitava no chão para observar o céu e seu rosto concentrado na música perfeita, sua voz saiu em um contraposto de meu dia, o dia que apresentou-se um inferno, até aquele momento.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;    "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No one knows what it's like&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    to be the bad man&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    to be the sad man&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    behind blue eyes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    and no one knows&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    what it's like to be hated&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    to be faded to telling only lies&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    but my dreams they aren't as empty&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    as my conscious seems to be&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    I have hours, only lonely&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    my love is vengeance&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    that's never free&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Limp Bizkit - Behind Blue Eyes)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-11-conforto.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | Próximo Capítulo »&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-8334354308666534224?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/8334354308666534224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/08/capitulo-12-musica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/8334354308666534224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/8334354308666534224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/08/capitulo-12-musica.html' title='Capítulo 12 - Música'/><author><name>laís hiromi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11671453086715003340</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sld-xnFUN2I/AAAAAAAAAE8/QbWler3jbG8/S220/(35).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/SnaKRF9Wu4I/AAAAAAAAAGE/I2Fpe_7wWXM/s72-c/Viol%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-96719387161472065</id><published>2009-07-29T23:52:00.008-03:00</published><updated>2010-01-29T04:08:40.169-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 11 - Conforto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/SnEMJbA3tPI/AAAAAAAAAF8/cTFzrIvb8k8/s1600-h/Urso+de+Pel%C3%BAcia+2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 286px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/SnEMJbA3tPI/AAAAAAAAAF8/cTFzrIvb8k8/s400/Urso+de+Pel%C3%BAcia+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364081987184735474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vários pingos adornavam o vidro embaçado do lado de fora, com um pequeno círculo transparente sobre meu nariz e minha boca. Do outro lado de onde eu refletia sem conseguir parar, a chuva caía sem dó, aclamando pelo verão que estava apenas em seu início. O barulho quase silencioso dos pára-brisas era nauseante, o rádio ligado não estava ajudando em minha distração. Minha respiração era irregular, eu baforava a janela enquando relembrava de minha noite anterior, onde eu velava o sono de Bruna, por volta das três horas da manhã. Seu descanço era mais doce do que seu próprio aroma, era leve, vivo e divertido. Quase poder assistir seus sonhos era mais prazeroso do que ver um programa de televisão preferido, um filme que goste ou um jogo de futebol para quem é fanático. Sua pele ficava quente ao adormecer, eu podia enlevar-me de seu repouso tão perfeito, acariciando a maçã de seu rosto, beijando as costas de sua mão, e ela ao menos se incomodar com isto. Sussurrava palavras, aparentemente românticas, mas no fundo apenas amistosas e sinceras em seu ouvido, tentando fazer com que ela sonhasse com aquilo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Isso não vai mudar nada entre nós."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Promete?"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Prometo."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A pequena passagem que ocorreu segundos antes de nosso primeiro beijo caminhou pela minha mente em forma de uma pequena indigestão, perfurando a boca de meu estômago.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Estou enjoado — sussurrei contra o vento levemente frio do ar condicionado, que também não colaborava com meu enjôo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Não posso parar o carro agora, está chovendo — disse minha mãe, com uma leve impaciência na voz. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mônica detestava Mariana. Mônica detestava Mariana e todo o resto de sua família, que já dera problemas demais à delegacia. Ela estava me levando ao aeroporto para recebê-la de volta... e não era bem isto que ela queria. Discutiu comigo sobre querer pedi-la tão cedo em namoro, e ficou inconformada com a expressão de dor de Bruna quando foi deixá-la em casa. Ficou indignada de tal forma que parecia que Bruna era sua própria filha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mônica Medeiros. Tão bipolar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Abri o porta-luvas, procurando algum tablete de bala. Achei uma, mas olhar o sabor, pude sentir que quase vomitaria. Joguei o tablete de volta ao seu lugar, fechando o porta-luvas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Respirei fundo três vezes, e isto ajudou um pouco. Já havia lidado com e enjôo de carro, e não eram poucas vezes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas tinha certeza que não era o movimento do carro e a claustrofobia corrente que eram os motivos do enjôo, e sim a viagem em si.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora, mais do que qualquer outro momento, era deprimente estar indo em busca de minha futura namorada que, verdadeiramente, não gosto. Porém, não estava indo em sua busca, e sim procurando paz para minha dor que durara mais que doze anos.&lt;br /&gt;E daqui a algumas semanas, treze anos.&lt;br /&gt;Mônica, por outro lado da momentânea depressão, estava preparando minha próxima festa de aniversário. Pedi a ela quase todo dia que desistisse da idéia, afinal era horrível me imaginar de novo, na frente de uma mesa decorada sutilmente, com os primos pequenos à minha volta, e os melhores amigos distantes de mim. No entanto, ela concordou em convidar os primos mais velhos e meus amigos. Só. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então, o problema não seria a repetitiva festa, mas a vítima do famoso canto "com quem será". Não há mais graça, ainda mais se for com uma pessoa diferente de Bruna, que já era perita em participar de tal brincadeira ridícula. Principalmente, se a brincadeira fosse comigo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora, então, eu teria que apresentar Mariana como minha nova e primeira namorada e selar seus lábios na frente de todos, e não beijar a bochecha de Bruna quando a brincadeira fosse terminada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apesar da controvérsia, o devaneio diminuiu um pouco minha náusea. Estávamos perto do aeroporto, e Mônica estava ficando cada vez mais mal-humorada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu porém, estava cada vez mais aflito, inquieto. O café-da-manhã digerido agora queria voltar para fora, insatisfeito com o que encontrou em meu estômago.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ou seja, borboletas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt; — Vai mesmo conseguir ser simpática com eles? — falei agora um pouco mais alto, mas ainda com ânsia. Mônica concordara, antes de sair, que iria me fazer companhia, até levá-los para casa, onde eu iria ficar à sós com Mariana.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Posso não ser das melhores mães, mas acho que sou boa atriz — e deu uma risada baixa, o rosto empinado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Assenti.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela estacionou o Audi com cuidado e destreza, abrindo o guarda-chuva marrom.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Um silêncio preenchido apenas pelo barulho dos aviões e pela chuva que molhava a barra de minha calça era irritante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Do silêncio, porém, Mônica se perguntava porque seu filho era tão mau. Isso era um fato, eu podia sentir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Não te criei deste jeito, Guilherme. O que fez você deixar Bruna com uma cara tão feia hoje de manhã? — sua voz era cortada por alguns raios que caíam longe dali.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Acho que não é questão de como fui criado... e sim de como pensei pra chegar nisso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— E como você chegou nisso? — o aeroporto, agora estávamos em seu interior, era um tanto quente e convidativo. Minha náusea passara, mas ainda eu insistia em ficar nervoso. Era tão grande quanto iluminado, onde passamos por mais uma barreira de portões de vidro automático, e as lojas anunciavam produtos caros e precisos. Lanchonetes, lojas de roupas, etc.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Cansei. Simplesmente cansei de ficar correndo atrás de Bruna — minha segurança foi tanta na frase, que não acreditei que estava nervoso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Vou fingir que acreditei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Caminhamos em direção ao segundo andar, onde provavelmente Mariana apareceria. Certifiquei, pela quinta vez, de que o porta-anel estava em meu bolso, e que a coragem estava dentro de mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ambos conferidos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No elevador, era possível ter a visão dos vários aviões que decolavam, um barulho abafado pelo vidro. Uma música suave e instrumental soava pelo ambiente, parecia que tentava me tranqüilizar. Tentativa tão falível quanto a música do carro de minha mãe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Realmente poderiam ter desistido de continuar os vôos naquele dia; justo aquele dia tão chuvoso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas era algo lógico: chovia bem no dia em que eu iria fazer a coisa mais corajosa de minha vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Ainda está enjoado? Posso comprar alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Não, passou. — tirei a jaqueta cinza e a segurei em meu ombro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— São 9:36h. Ainda temos algum tempo — Mônica agora parecia bem-humorada. Era como uma criança, gostava de luzes, ou como uma adolescente, gostava de lojas. Caminhamos pelos comércios, ela comprou uma calça para si mesma. Nada ali chamava minha atenção, meu guarda-roupa fora completado mês passado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fomos procurar a sala de desembarque número 2. Lá sairiam os vôos nacionais, e sentamos nos bancos confortáveis à sua frente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mais cômico era o modo de como eu ficava impaciente com espera. Nunca consegui, de fato, esperar verdadeiramente por algo, com exceção para uma coisa que vocês já estão cansados de saber. Por &lt;i&gt;ela&lt;/i&gt;, eu esperaria a vida inteira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nunca conseguia esperar por algo, se fosse quieto, sentado, calmo. Sentado naquele banco, um porta-anel que mantia em segredo duas alianças que mudaria a vida de três pessoas, uma mãe que mais parecia uma amiga da mesma idade, balançando os cabelos curtos constantemente, eu batia o pé num ritmo irritante. Roía as unhas constantemente, desenredando as questões curiosas que apareciam no grande telão preto às minhas costas. Ia ao bebedouro, brincando com a água gelada demais para o tempo lá fora, bebendo litros até minha bexiga implorar pelo mictório. Incrivelmente, quando voltava, minha mãe estava ali, imóvel, com a paciência que a profissão e a experiência lhe oferecera, em porções generosas. Ela fitava ora fitava o vazio, ora me olhava por inteiro, ora mexia em seu celular multifuncional.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então os números grandes do telão marcaram 10h. O aeroporto de Verone City não era famoso por atrasar vôos. Então, o vôo 1943 chegaria exatamente nesse horário.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Comecei a suar frio — era muito ruim. Não podia abanar-me porque estava frio, mas transpirava. O conjunto de borboletas voava novamente, em vôo alegre em meu estômago, e tive que tomar mais água para ver se acalmava elas. 10:01h.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma senhora de cabelos alvos e baixinha saiu com uma pequena mala de rodinhas. Logo depois, uma jovem alta, uma mulher, uma criança ativa e, finalmente, uma garota de longos cabelos lisos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Mariana! — meu grito extremamente alto foi involuntário, algumas pessoas se deram o trabalho de me encarar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não liguei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Levantei-me imediatamente da cadeira, ela procurou de onde saíra a voz. Acenei alto, e ela estampou um sorriso enorme ao me reconhecer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Abandonou sua mala, correndo de braços abertos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Que bom te ver! — estendendo as vogais da frase, pulou em meu colo, afundando o rosto em meu ombro. Ignorei tudo à minha volta, não importava mais nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu refúgio estava ali, novamente me levando às nuvens. Eu conseguia sentir o torpor, a sensação de conforto me agarrando para livrar-me de todo mal, de tudo o que eu quisesse realmente afastar de mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ou talvez não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Senti saudades — minha voz misturou-se em seus fios lisos artificialmente, porém brilhantes. Não era capaz de dizer se poderia ser verdade ou mentira, mas... era como se me forçassem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Quase &lt;i&gt;morri&lt;/i&gt; de saudades. — E me beijou duas vezes, selando meus lábios. Os olhos de esmeraldas transmitiam doçura, o que eu realmente precisava para me acalmar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando seu corpo foi para o chão, segurei forte em sua mão, cumprimentando o resto de sua família problemática. Era indignante, todos pareciam família da       antiga &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Mariana. A miopia era hereditária, o cabelo ondulado e preto era visto em cada um deles. Mariana era a mais nova intrusa, a adotada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Vamos para casa, agora. Quero contar tudo para você. — despedi-me de minha mãe, e ela desapareceu pelas portas de vidro do aeroporto. Parara de chover, então caminhei ao lado de Mariana até chamar um táxi, sempre brincando com o dedo no bolso, sobre o porta-anel.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Mas eu ia te ligar! - menti descaradamente, enquanto entrávamos em sua casa modesta, eu pela primeira vez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A entrada era, primeiramente, a sala de jantar, com uma porta diretamente para a cozinha. Ao lado direito, íamos para uma área com uma enorme estante entupida de incontáveis livros, uma escrivaninha e um belo quadro. Por trás da estante, havia uma parede com uma TV e um sofá. O irmão mais novo de Mariana jogara-se no sofá, ligando o video-game.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Subimos as escadas, e notei que a decoração feminina — obviamente propício, afinal a casa era governada por mulheres — emanava tudo. Desde os quadros às estatuetas modernas. Eram, ao todo, sete cômodos no andar superior. No térreo, apenas quatro o compunham.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mariana, assim que entrou em seu quarto, ligou o aparelho de som e despejou-se na cama, coberta por uma colcha fina, estampada por círculos e flores, variantes de branco ao verde-limão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todas as paredes eram brancas; o teto era verde escuro. Ela sempre disse que quando ficava confusa, a cor a ajudava a organizar os pensamentos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era uma cor viva, ativa, prática. Do tapele felpudo ao lustre moderno, o verde estava presente. Sempre em tons alternados, mas estava ali.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Me senti em uma floresta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Sentei ao seu lado, acariciando seus fios finos e amarelados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Damien Rice — falei, em tom indiferente, reconhecendo a música e quem a cantava. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Um sorriso deu vida ao rosto dela, e conseqüentemente ao meu também. Eu sabia que tinha deixado a tristeza para trás, era inevitável.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Quer fazer o quê? — levantou-se, encostando na cabeceira da cama pequena. — Ah! Tenho uma surpresa para você. — e saltou para fora da cama, buscando na mala pesada, do outro lado do quarto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Também tenho uma surpresa... — olhei casualmente o chão, sempre cutucando a caixinha em meu bolso esquerdo. Ela não pareceu alterada, continuou procurando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Achou um pequeno embrulho prateado, em formato irregular. Ela o segurava de modo que parecia macio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Veio até mim novamente, sentou ao meu lado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Para você. — e entregou o pacote para mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Fiz uma cara de espanto. Sorri involuntariamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Obrigado — e abri com cuidado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Retirei um urso de pelúcia peludo e macio. Seu pêlo era bege, quente como um cobertor. Em sua pata esquerda, estava escrito "Me to You".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Adorei — era verdade. Um apetrecho tão romântico não era má idéia. Selei seus lábios, outra vez, involuntariamente. Puro impulso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Ah, também tem isso — um porta-retrato preto, com várias fotos nossas nas laterais. No centro, a foto bem maior, e eu a abraçava por trás, beijando sua bochecha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma memória ousou interromper o momento, levando consigo meu sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era tão semelhante à foto minha com Bruna. Ao meu retrato com ela, que sempre ficou ao meu lado quando eu adormecia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma pontada forçou minha mão ir até meu peito para segurá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A partir de hoje, o retrato que ficaria em meu criado-mudo era aquele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Que lindo. — foi o que minha voz conseguiu pronunciar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Olha o meu — e ela apontou o dedo para sua cabeceira, onde havia um porta-retrato idêntico, porém de cor roxa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Forcei um riso baixo. Contemplei nossa foto, o que aquilo significaria para mim. O que mudaria em minha vida, em nossas vidas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vida de três pessoas. Minha, de Mariana, e de Bruna.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Ela observava meu rosto, parecia que estava tentando decifrar meus pensamentos. Mantive a cara sóbria, tentei dar um sorriso. Falhou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Agora, minha surpresa — estava determinado agora. É claro que não desistiria tão fácil, por causa de uma simples imagem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Ah, sim. É verdade. O que é? — tive dó de Mariana. Tão despreocupada e cansada da viagem. O tom distraído não significava que ela estaria pronta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Mas nada me impediria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Peguei sua mão direita, coloquei em minha perna, ainda segurando. Enfiei a outra mão no bolso, apertando a caixa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Sabe — comecei, fitando suas pernas cobertas por uma calça cinza. — Eu tomei a liberdade de fazer uma coisa enquanto você estava fora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Era tão inútil aquela conversa. Era perceptível, fitando seus olhos, que o brilho já estava muito visível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Pensei bastante, e comprei isto. — agarrei a caixinha, coloquei entre nós. Abri.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Sua boca se abriu, os cantos dela se elevaram. Ela me encarou com as esmeraldas brilhantes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Quer namorar comigo? — um choque leve correu por meu corpo, tentando fazê-lo tremer. Eu não sabia o impacto daquela frase, era tolamente frio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Esperei o abalo a emoção que, sem desejar, fez meu sorriso manifestar-se novamente, acabar. Impossível, afinal aquilo poderia ser seu maior sonho. Ela pegou os anéis, observou-os.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Claro que quero! — exclamou como se fosse óbvio até para uma criança. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Seu sorriso me esquentou, e aos poucos coloquei o anel em seu dedo anelar. E ela colocou o outro anel em meu dedo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Mas ela ainda estava admirada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— O que foi? — perguntei apenas para descontrair. A resposta era clara.&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Eu não acredito! Foi tão... de repente! Foi tudo o que eu sempre quis! — ela gesticulava comicamente as mãos, abrindo e fechando-as. — Mas eu nunca imaginei que seria... que seria hoje!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Quer que eu peça outro dia? — brinquei, o rosto sério.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Ela riu, jogando a cabeça para trás. Puxou-me pelo braço, fazendo-me ficar por cima de si, deitada. Beijei sua boca minuciosamente, experimentando, agora calmamente, a textura de seus lábios. Ela deixava, pacientemente, eu executar meu teste. Repuxei seu lábio inferior levemente, fechando meus olhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Então nos beijamos enquanto começava a chover novamente. Os ruídos do cair das gotas em cima do telhado, nas folhas das árvores, na rua, era embalante. Eu estava em meu lar, no meu refúgio. No novo conforto que passaria a me curar todos os dias, ou a cada vez que nós nos víssemos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Dedilhava os fios finos e frágeis de Mariana, estávamos sentados de frente para o outro, os lábios colados. Nossas línguas enroladas em uma só, seus dedos finos andando por meu rosto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não era, nem nunca seria o protótipo do paraíso que eu gostaria de possuir, mas era um tipo desconhecido. E bom.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Você às vezes não parece ter doze anos. — disse em voz baixa e quente, os olhos esverdeados calorosos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Nem você aparenta quatorze. Mas por que não pareço ter doze? — uma pergunta inútil, até eu mesmo reconhecia não ter a idade que tinha. A aparência, os pensamentos. A modéstia também.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Preciso dizer? — até ela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— É bom ouvir novamente — sorri.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Uma criança de doze anos nunca me encantou tanto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Ora, criança! — elevei minha voz uma oitava, rindo um pouco. — Então você não se importa em namorar uma criança?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— A verdade? Não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Elevou os cantos da boca, mostrando os dentes brancos. Incentivou-me a beijá-la novamente. Incrivelmente já acostumara com os beijos, tão facilmente que impressionava até a mim mesmo. O tecido era familiar, um tipo diferente, mas reconhecido. Até mesmo no dia em que eles se encontraram pela primeira vez, o sabor era doce.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Doce como a infância, como o abraço de uma amiga, as palavras ressussitadoras de minha mãe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma velha amiga...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Agora você pode dizer que me ama? — o cuidado especial nas palavras, querendo não ser incoveniente. Grudei minha testa à sua, já estávamos enrolados em sua colcha fina, a cama desorganizada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;— Claro. Te amo — não podia ser perfeito. Era humanamente impossível. Ela não poderia ser tão perfeita, nunca fora. Mas por que eu me sentia tão bem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não havia o porque agora. Não mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-10-aliancas.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/08/capitulo-12-musica.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-96719387161472065?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/96719387161472065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-11-conforto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/96719387161472065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/96719387161472065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-11-conforto.html' title='Capítulo 11 - Conforto'/><author><name>laís hiromi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11671453086715003340</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sld-xnFUN2I/AAAAAAAAAE8/QbWler3jbG8/S220/(35).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/SnEMJbA3tPI/AAAAAAAAAF8/cTFzrIvb8k8/s72-c/Urso+de+Pel%C3%BAcia+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-5626503380440777199</id><published>2009-07-23T02:24:00.007-03:00</published><updated>2009-08-02T12:23:21.992-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 10 - Alianças</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Smf1q7P4VEI/AAAAAAAAAFs/gMivMOzzDOU/s1600-h/Alian%C3%A7as+2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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O barulho constante do chuvisco lá fora fez com que eu organizasse meus pensamentos, mas apenas parcialmente. O silêncio comum de casa era familiar mas terrivelmente inquietante, como se estivessem dando lugar às vozes que falavam em minha mente, responsáveis pela pontada que incomodava.&lt;br /&gt;Os números digitais de cor branca diziam que eram 23:45h. Amanhã eu haveria aula. Já passara da hora de dormir, senão seria obrigado a cochilar no intervalo da escola.&lt;br /&gt;Dei de ombros.&lt;br /&gt;A cena continuava a rodar em minha memória fresca como um pião; eu consolando Bruna por uma coisa que eu mesmo iria fazer. E vou mesmo. Estava decidido, não haveria como voltar atrás.&lt;br /&gt;Com algum esforço, as lágrimas dela secaram e acalmaram-se há poucas horas. Isto deu motivo para eu ir embora, já que ela estava em um estado melhor.&lt;br /&gt;Algo que era preciso fazer, e não que eu quisesse.&lt;br /&gt;Queria poder dormir ali com ela, acalmá-la e dizer que estava tudo bem. Dizer e fazer o possível que não fosse uma das últimas vezes que íamos ficar tão próximos, ou sozinhos.&lt;br /&gt;Quando cheguei em casa, ainda tive que suportar alguns minutos de minha mãe falando sem alguma pausa para perguntas ou opiniões. E o mais intrigante é que ela tinha total razão.&lt;br /&gt;Disse que não é a primeira vez que penso em mim, mas entendia meu sofrimento. Que mãe não entenderia.&lt;br /&gt;Tagarelou que, mesmo eu não percebendo, fui egoísta o tempo todo. Agia muitas vezes, como nos nossos dois beijos enlouquecedores, sem pensar direito, colocando minha necessidade de cura em primeiro lugar. A cura que eu precisava para o amor que eu carregava nas costas e no coração, durante toda minha vida.&lt;br /&gt;A paixão por minha melhor amiga virara obsessão; disso eu já tinha conhecimento o suficiente, mas também chegou a ultrapassar o senso de amizade.&lt;br /&gt;Estávamos na quinta-feira. Eu teria apenas amanhã para me "despedir" de Bruna, no sábado, quando Mariana chegasse de viagem, eu a pediria em namoro.&lt;br /&gt;Levantei a cabeça. A tontura passara, apenas precisei me acostumar com a claridade. Escovei os dentes, e desmoronei na cama.&lt;br /&gt;Cansado demais para sonhar, dormi rápido, sem nenhuma interrupção.&lt;br /&gt;Despertei assim que o relógio marcou 6:14h. Acordei disposto, renovado, uma coisa difícil de se ver comigo. Mastiguei meu café-da-manhã indiferentemente, pensativo. Aproveitei que estava com tempo e tomei uma ducha, escovando os dentes no banho. Depois, peguei minha mochila e saí para o frescor da manhã.&lt;br /&gt;Era o único período do dia que eu gostava, além da madrugada. No verão, eram as únicas horas em que eu podia andar na rua sem transpirar, ou até mesmo sem desejar uma piscina. Nas madrugadas quietas e levemente frias, principalmente nas esperadas férias, eu passava acordado na frente do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;notebook&lt;/span&gt;, sempre com a porta ou a janela aberta para o mundo. O vento circulava por meu quarto, e eu acompanhava as estrelas sumirem conforme clareava o céu.&lt;br /&gt;Enquanto andava tranqüilo, a brisa leve levou embora meus pensamentos sobre o que faria naquele dia e no dia seguinte, balançando de leve meu cabelo molhado. O pêlo de meus braços se enriçava conforme a brisa aumentava, e sorri de leve por estar com camiseta, e não regata.&lt;br /&gt;Na terceira quadra, encontrei com Bruna, como todos os dias.&lt;br /&gt;— Bom dia - cumprimentei, e a recebi em meus braços um pouco frios. Ela vestia uma calça jeans branca e apertada, calçava um par de All Star preto e uma camisa listrada de manga curta e gola.&lt;br /&gt;Tentei não olhar seu decote em U.&lt;br /&gt;— Oi - e me beijou no rosto, retribuindo meu abraço. Mas não era o abraço que eu sempre tinha nas manhãs, e sim um abraço desconhecido. Sem vida.&lt;br /&gt;Caminhamos em silêncio pelas próximas duas quadras. Silêncio terrível aquele, pouco comum nas primeiras horas do dia. É certo que ela nunca estava cem porcento acordada, e não precisava estar só porque eu estava. O barulho das folhas das árvores se debatendo eram, ao mesmo tempo, intimidador e reconfortante. Preenchiam o silêncio, mas diziam que havia silêncio demais para nossas vozes.&lt;br /&gt;— Como você está? - perguntei de repente, chutando uma pequena pedra branca no chão. Minha voz era terrivelmente revelante, o guinchar de meu tênis na calçada molhada era irritante.&lt;br /&gt;— Melhor - respondeu, hesitante.&lt;br /&gt;Eu não ouviria aquela doce voz com tanta freqüência agora. Repeti várias vezes para mim mesmo, em mente.&lt;br /&gt;— Que horas ela chega? - indagou, engolindo em seco. A dor era tanta em sua voz, que pressenti que choraria novamente.&lt;br /&gt;Passei o braço por sua cintura.&lt;br /&gt;— Dez da manhã.&lt;br /&gt;Fitei o enorme prédio, agora próximo e muito visível. Uma pequena aglomeração movimentava-se na calçada, um tanto rotineiro aquilo.&lt;br /&gt;Parei de andar, e avancei sobre Bruna, fazendo-a encostar no muro de uma casa. Coloquei os braços à sua volta, formando uma gaiola.&lt;br /&gt;— Mas isto não importa agora, entendeu? - fiz a voz mais doce que pude. A mais convincente também, para ela e para mim.&lt;br /&gt;— Sim - murmurou ela, deixando escapar uma lágrima. Sequei-a com o dedo, selando sua testa com meus lábios.&lt;br /&gt;— Se você chorar, vou embora mesmo - falei em tom sério, enquanto virava meu corpo para o lado contrário, de brincadeira.&lt;br /&gt;— Não - protestou, agarrando com força meu braço. Assenti, rindo. Ela não riu.&lt;br /&gt;Continuei a caminhar para a escola.&lt;br /&gt;— Parece até que vou morrer - brinquei novamente, mas só consegui arrancar um sorriso fraco.&lt;br /&gt;Estava chegando semana de provas, para depois as tão esperadas férias. Terminando as tarefas, Bruna apanhava as apostilas e aprofundava os olhos nas letras monótonas. Sempre fora inteligente, a melhor da turma. Não havia necessidade de estudar.&lt;br /&gt;Mas acompanhei seu ritmo, pensando que depois não haveria porque de reler a matéria nas vésperas das provas.&lt;br /&gt;Quis conversar, mas ela não mostrou estar disposta. Cada comentário meu, ela murmurava algo insignificante. Cada pergunta, uma resposta monossilábica.&lt;br /&gt;Decidi que não me incomodava mais a presença dos demais ali, à toa, com um professor fitando, entretido, às custas dos próprios alunos.&lt;br /&gt;— Pare de me ignorar - murmurei com decisão, enquanto puxava sua mão para a minha, arracando-a do livro.&lt;br /&gt;— Não estou te ignorando - segredou, fria e inexpressiva. Mentia bem, por isso eu sabia que aquilo não era mentira, apenas se fazia de difícil. Era simplesmente ridículo.&lt;br /&gt;— Escute - pedi, paciente - Quer dormir em casa hoje?&lt;br /&gt;Pensou. Fechou o livro.&lt;br /&gt;— Está certo - concordou, hesitante. Nunca pensei que fosse tão fácil convencê-la.&lt;br /&gt;Talvez os doze anos de conhecimento ajudassem.&lt;br /&gt;— Vou sair depois da aula - falei, enquanto me virava de lado, encostando na parede - Depois, vou te buscar.&lt;br /&gt;Contemplou meu rosto, como se esperasse afã por uma resposta.&lt;br /&gt;— Vou comprar as alianças - revelei, temendo por sua reação. Olhei fixamente através do prata inebriante e profundo de seus olhos, a pupila retraída pelas grossas faixas de luz que atravessavam a janela ampla da sala. Aparentavam incerteza, e acima de tudo, dor.&lt;br /&gt;A dor que eu não poderia mais curar.&lt;br /&gt;E não respondeu.&lt;br /&gt;De quinta-feira tínhamos uma aula a menos para assistir. Meu relógio de pulso marcava 11:32h quando saí da escola, após conversar com Pedro e algumas outras pessoas, algo que era habitual. Voltei para casa, peguei a bicicleta e fui para o centro, onde havia uma joalheria.&lt;br /&gt;O centro não era longe. Algumas quadras, mas debaixo do sol infernal, não era convidativo. Queria comer algo para aplacar a fome, mas almoçaria ao lado de Bruna, em casa, no sossego e frescor dos cômodos grandes do meu lar.&lt;br /&gt;Entrei na joalheria, e logo pedi. Uma tamanho 20, a outra 18.&lt;br /&gt;Bruna seria tamanho 17, com certeza. Seus incríveis dedos finos eram um tanto macios quanto frágeis, e ágeis.&lt;br /&gt;Dissipei Bruna de minha mente, mandando gravar nossos nomes nos anéis. Estava disposto à pagar, dinheiro nunca fora problema. Agradeci minha mãe mentalmente, enquanto observava casualmente os diamantes chamativos, na vitrine de cima. Experimentei a argola prateada, servia perfeitamente. Mandei colocá-las no porta-anel azul-marinho, entreguei uma nota verde e fui embora.&lt;br /&gt;Guardei o embrulho em meu bolso mais fechado, pedalando agora para casa de Bruna. Missão cumprida.&lt;br /&gt;Apareci na porta de seu apartamento, transpirando levemente, e com algo em meu bolso que parecia pesar toneladas. Ignorei, ao vê-la. Era tão extraodinário o modo como eu conseguia maltratá-la, como eu poderia ser tão áspero com ela. Chegava a ser desumano, ser ríspido com alguém tão belo interiormente e exteriormente, que ontem mesmo, parecia estar murcho, afogado em poças de água salgada.&lt;br /&gt;Ela carregava uma pequena mochila escura, havia trocado de roupa. Estava perfumada, o rosto cintilante e glorioso. Sorriu ao me ver.&lt;br /&gt;Pedalamos, como era um costume rotineiro no verão e na primavera, para minha casa. Meu devaneio continuava, assim como nós, a traçar seu caminho sem parar, sem se cansar.&lt;br /&gt;— Cadê Mike? - interrompeu ela, o silêncio que durou todo o percurso, entrando em casa. Chamei pelo meu labrador, e ele veio, o rabo agitando-se veloz. Lambeu-nos com vontade e estava indeciso, não sabia para quem dava atenção. Decidiu perder seu fôlego com sua eterna "namorada", já que eu estava considerando a pequena mochila de Bruna, que levava para meu quarto, e não ele.&lt;br /&gt;Na solidão parcial de meu quarto, eu vasculhava a segunda gaveta da escrivaninha, que guardavam DVDs. Selecionei alguns, logo mais colocando-os perto da TV. Pela primeira vez, depois de tantos anos convivendo com ela, não sabia o que fazer.&lt;br /&gt;— Bruna - chamei.&lt;br /&gt;Ouvi seus passos se aproximando enquanto eu buscara pelo meu calção de banho no guarda-roupa.&lt;br /&gt;— Pode se trocar - afirmei, agarrando o calção branco.&lt;br /&gt;Ela assentiu, pegando sua mochila e indo até o banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ahh. - suspirei satisfeito do almoço, enquanto me encostava na beira da piscina, de olhos fechados. Bruna divertia-se, tentando boiar sobre a água, sentada, me fitando intensamente.&lt;br /&gt;— Você come tanto e não engorda - observou ela, olhando minha barriga e sorrindo. Envergonhado, endireitei-me, afundando mais na água. Minha barriga não era lá tão vergonhosa, até porque, sem ser modesto, eu tinha até alguns músculos visíveis. Mas era estranho ser admirado por alguém que não fosse você mesmo, ou sua mãe. Soltou uma risada ao ver que eu estava corando, e nadou por debaixo d'água até o outro lado. Pegou o controle remoto, ligou o aparelho de som que ficava ao lado da piscina.&lt;br /&gt;Sorri ao ouvir as primeiras vozes da música.&lt;br /&gt;—  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;I dreamed I was missing, you were so scared&lt;/span&gt;? - sussurrava em melodia, e nadava despreocupada. Aumentava o volume de sua voz conforme passava a música, sempre me impressionando com seu maravilhoso dom com a voz. Chegava a humilhar o cantor famoso.&lt;br /&gt;Relaxei novamente.&lt;br /&gt;— &lt;span style="font-style: italic;"&gt;So if you ask me then I want you to know&lt;/span&gt; - cantamos em coro, minha voz quebrando a harmonia que ela tinha com a voz do cantor. Calei enquanto ouvia ela cantando o refrão, então bebi meu refresco.&lt;br /&gt;Aproximou-se.&lt;br /&gt;— Sabe - começou, dando um ar repreensivamente indiferente - andei pensando melhor, enquanto você ia no centro.&lt;br /&gt;— O quê? - perguntei, também tentando me passar por descontraído.&lt;br /&gt;— Acho que não vai ser tão ruim assim.&lt;br /&gt;Pisquei.&lt;br /&gt;— Você sabe, namorar com ela - estimulou.&lt;br /&gt;Elevei uma sobrancelha.&lt;br /&gt;— Como chegou nessa conclusão? - indaguei, curioso.&lt;br /&gt;Ela se afastou, nadando.&lt;br /&gt;— Pensei bem... isto pode ser bom pra você. Não que, no começo, eu tenha pensado que você não quisesse. Aliás, não havia pensando em nada além de mim mesma, no começo.&lt;br /&gt;Silenciei. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Linkin Park&lt;/span&gt; na caixa de som não estava ajudando com meus raciocínios.&lt;br /&gt;— É claro que eu ainda... não acredito que não vou mais ter você todos os dias comigo, mas aprendi a aceitar que você não é propriedade minha.&lt;br /&gt;"Eu seria, se você quisesse", pensei. Dei uma risada totalmente sem divertimento, tentando fazer como se fosse por suas palavras tão... formais.&lt;br /&gt;— E que você pode namorar quem você quiser - disse, hesitante.&lt;br /&gt;— Você fala como se ela fosse algo sem importância alguma. - soltei, sem pensar antes. Mas sabia que, cordialmente, ela era sim, algo sem importância, para minha história com Bruna.&lt;br /&gt;Ela virou de repente, e me encarou com demasiada dor nos olhos.&lt;br /&gt;— Está bem, não vamos começar uma briga por causa disso - interrompi imediatamente. Não convidei ela pra discutir comigo. - Que bom você entender isso! - falei, sorrindo.&lt;br /&gt;Ela deu de ombros, ainda muito distante de mim.&lt;br /&gt;— Desculpa? - estendi os braços em sua direção, unindo as sobrancelhas, uma voz melosa. Ela me fitou, com ressentimento, e nadou até mim.&lt;br /&gt;No entanto, quando chegou perto, mergulhou o corpo para baixo d'água, e me puxou pelos tornozelos. Afundei, sem força nenhuma, engolindo água.&lt;br /&gt;Voltei para a superfície, engasgado.&lt;br /&gt;— Bobão - riu, se afastando.&lt;br /&gt;Quando consegui respirar normalmente, lancei sobre ela um olhar malicioso, e ela nadou até a outra ponta. Nadei por baixo para ganhar tempo até ela, mas foi inútil. Quando olhei, ela estava fora da piscina, correndo para o jardim dos fundos.&lt;br /&gt;Segui seus passos rapidamente, umedecendo todo o chão, quase escorregando no degrau para fora. Ela corria, balançando os cabelos molhados, dando uma volta em torno da casa. Depois, voou para dentro dela, sempre com sua risada formando harmonia com a minha. Uma paz que eu não queria abandonar cedo, principalmente quando o relógio do dia seguinte apitasse 10h.&lt;br /&gt;A hora em que eu teria que ir no aeroporto, para ver com quem eu iria passar o resto de alguns meses.&lt;br /&gt;Ela já ia subir para o segundo andar, mas então eu consegui agarrar sua perna, que fez ela cair sobre os degraus.&lt;br /&gt;— Droga! - gritou, fingindo um desesperamento, enquanto eu lhe fazia cócegas. Não simples cócegas, mas quase beliscões.&lt;br /&gt;Ela não sabia se ria ou se implorava para eu parar, mas continuava se contorcendo, tentando agarrar meus braços.&lt;br /&gt;— Repete comigo - falei, enquanto ela ria.&lt;br /&gt;— Não! - gritou novamente.&lt;br /&gt;— Repete - pronunciei sílaba por sílaba, fingindo autoridade.&lt;br /&gt;Mas ela conseguiu escapar, e se jogou na piscina, por ver que era a única saída.&lt;br /&gt;Mergulhei logo em seguida, gargalhando alto.&lt;br /&gt;— Não! - falou alto, quando me viu quase próximo ao seu corpo, de novo. Tentei agarrar seus braços, mas ela afundou, nadando para o outro lado.&lt;br /&gt;— Chega! - pedi, enquanto tentava olhar debaixo d'água para ver se ela não tentaria puxar meus pés novamente, mas ela já estava na superfície.&lt;br /&gt;— Parei. - ela disse, mas ainda sorrindo.&lt;br /&gt;Afundei um pouco.&lt;br /&gt;— Vem cá - sussurrei.&lt;br /&gt;Ela se aproximou, afundando também. Fitou a água.&lt;br /&gt;— Eu te amo - disse, com água na boca, provocando bolhas.&lt;br /&gt;— O quê? - seus olhos fitaram os meus, mas peguei suas mãos e as afudei junto comigo, puxando seu corpo para baixo.&lt;br /&gt;Lá em baixo, era outro mundo. O azul turquesa inundou meus olhos, conspirando contra tudo que já vi. Não que nunca mergulhei em uma piscina, mas não lembrava como era entorpecente esquecer do mundo afora.&lt;br /&gt;Mas ela estava lá, para não me deixar esquecer de nada.&lt;br /&gt;"Eu te amo", mexi meus lábios em forma de cada sílaba, para Bruna. Ela prendia a respiração e balançava a cabeça negativamente, com uma expressão engraçada, e quase pude ler seus pensamentos. "Bobão."&lt;br /&gt;Fui à tona, puxando ela também.&lt;br /&gt;— Agora entendeu? - encarei seus olhos vívidos, que pulsavam de vida. Ela assentiu, abrindo um sorriso maravilhoso. Selou minha bochecha, me abraçando. Pousou a cabeça em meu peito.&lt;br /&gt;Suspirou.&lt;br /&gt;— Por incrível que pareça, eu também.&lt;br /&gt;Absorvi as palavras, acariciando seu cabelo molhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Por que ele é tão lindo? - perguntou Bruna, enquanto recolhia com a mão um punhado de pipoca.&lt;br /&gt;— Eca - emiti nojo, enquanto bebia o refrigerante - prefiro a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bellatrix&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;— Eca digo eu! - disse alto, enquanto passava uma cena de luta com magia na tela da TV.&lt;br /&gt;Só consegui rir, procurando uma boa resposta.&lt;br /&gt;Lá fora, o sol começava a sumir pelo horizonte, pouco a pouco. As faixas de luz que sobressaíam das nuvens atravessavam o vidro da janela da sala de estar, em direção à parede diagonal que ficava na nossa frente. Eu estava na horizontal, com a cabeça no colo de Bruna, sobre alguns lençóis. Assistíamos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Harry Potter e a Ordem da Fênix&lt;/span&gt;, e já estávamos na cena quase final.&lt;br /&gt;— &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Avada Kevadra&lt;/span&gt;! - gritou a minha personagem preferida da série, enquanto magia de cor verde fluorescente saía de sua varinha torta, em direção ao seu primo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sirius Black&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;— Você viu? Ela matou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sirius Black&lt;/span&gt;! Ela matou o próprio primo! E como você pode gostar dela? - questionou Bruna, transpirando suas habilidades teatrais, como se estivesse mesmo indignada com tamanha ficção.&lt;br /&gt;— Como se você nunca tivesse visto esse filme antes - ri, mastigando pipoca.&lt;br /&gt;— Mesmo assim, coitado do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Harry&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Achei tão medíocre discutir uma série que já quase não havia mais graça, que ignorei.&lt;br /&gt;Quando os créditos do filme começaram a passar, espreguicei-me sobre seu colo, enquanto observava ela repetir meus gestos. Cutuquei sua barriga nua, o que fez ela contrair-se, rindo. Levantei-me e retirei o DVD, recolhendo os lençóis sobre o sofá, dobrando-os. Bruna virou-se para a janela, e fitou o pôr-do-sol, que de imediato, fez ela colocar um braço contra a luz, pela tamanha claridade.&lt;br /&gt;— São 18:32h. Odeio o horário de verão - falei, enquanto empilhava os lençóis no pufe branco. Não havia mais noção do tempo nesta época, era como se estivéssemos nas 4 da tarde.&lt;br /&gt;— Queria ver de perto - ela disse, apoiando a cabeça em seus braços, sobre o encosto do sofá.&lt;br /&gt;— Vamos lá fora.&lt;br /&gt;Levei-a até minha varanda, onde era tão mais visível e quase palpável aquele deslumbrante fenômeno da natureza.&lt;br /&gt;Lá, os raios de sol transformavam-se em ondas de calor constante, que aqueciam o vento trazido pelas primeiras horas da noite. Faixas de cores diferentes estampavam-se no céu, variadas entre o laranja forte e o azul marinho. Tentei enxergar do outro lado, e só consegui avistar um crepúsculo que consumia o clarão vindo do horizonte. A fascinante esfera quase branca escondia-se lentamente sobre as casas e os prédios, encantando Bruna de uma forma extasiante, que fixava seu olhar somente na claridade vinda da esfera.&lt;br /&gt;Ela sentou sobre a rede de algodão que agitava-se com seu peso, e fiz o mesmo.&lt;br /&gt;Parecia que estava me ignorando, e estava, certamente. Eu examinava seus olhos, tão tentadoramente ofuscantes, vivos, como se pudessem falar por si, sós. Um prata que acabara de ser polido cansativamente, um cinza tão claro que quase seria confundido com a parte alva de seus olhos, se não fosse pelo brilho e os pequenos traços azuis neles contido. Olhos de uma felina, com a pupila totalmente redonda e negra. Expressavam harmonia e deslumbramento, agora que seu corpo relaxara.&lt;br /&gt;Um outro mundo, fitar seus olhos. Como em baixo d'água.&lt;br /&gt;Talvez não havia tantos motivos para olhar tão intensamente aquele fenômeno para mim como havia para ela, então deitei novamente sobre seu corpo. Admirei, com uma visão de baixo como era seu corpo sobre a luz solar.&lt;br /&gt;Era ainda mais encantador.&lt;br /&gt;Era quase involuntário dizer "Acorde", mas não quis interromper aquele momento único, com ela tão distraída e comigo querendo desesperadamente saber o que caminhava por sua mente. Segurei-me, tentando me distrair olhando, de vez em quando, as listras da rede.&lt;br /&gt;— É tão... estranho - começou, a voz baixa, quase em um sopro.&lt;br /&gt;— O quê? - olhei-a, sua expressão estava incrivelmente paralisada, sem olhar para mim.&lt;br /&gt;— Saber que... vou ter que me acostumar a conviver mais com Lílite, ou Paula.&lt;br /&gt;— Ah, Bruna... não vamos começar a...&lt;br /&gt;— Deixa eu falar - interrompeu, olhando para as próprias pernas cobertas por um curto shorts.&lt;br /&gt;Depois, voltou com os olhos para a claridade que se dissipava vagarosamente.&lt;br /&gt;— Eu também queria encontrar uma pessoa - sussurrou, com uma leve camada avermelhada preenchendo suas bochechas.&lt;br /&gt;— Não! - soltei sem pensar, levantando-me. Que droga era agir por impulso.&lt;br /&gt;— Por que não? - perguntou, virando o rosto para me olhar pela primeira vez.&lt;br /&gt;— Porque... porque... - lutei com alguma resposta coerente, mas nenhuma se encaixava. Todas que pensei faziam parte da mais pura verdade, nenhuma seria favorável. Ela balançou a cabeça.&lt;br /&gt;— Tinha certeza que você sabia que eu também tenho todo o direito de namorar alguém - continuou, com desprezo na voz.&lt;br /&gt;Desejei morrer.&lt;br /&gt;— Eu sei disso. Apenas... - hesitei, achando melhor não falar absolutamente nada. - Desculpe.&lt;br /&gt;— Tudo bem - mas suas sobrancelhas se uniram, formando uma expressão de perplexidade.&lt;br /&gt;O tom de azul agora estava mais escuro e cobria mais as cores claras; uma leve brisa começava a circular pelo ambiente. As folhas balançavam, fazendo barulho.&lt;br /&gt;— Não que não goste de estar com elas. Elas são minhas melhores amigas, muito pelo contrário. - hesitou, engolindo em seco. - Gosto tanto de estar com elas... quase como gosto de estar com você. - seus olhos me encararam, o rosto queimando ainda mais por um tom de sangue.&lt;br /&gt;Foi assim por um bom tempo. Ficamos na pausa entre a troca de olhares, o rosto corando de vez em quando. Por dezenas de minutos, o silêncio permaneceu ali, calando nossas vozes, deixando que apenas o vento e as folhas das copas das árvores falassem; o calor do sol já era inútil. Vi o pêlo dos braços de Bruna se enriçarem, mas que não provocaram nenhuma mudança em sua posição, ela aparentava uma morta-viva. O que era vivo em seu corpo, e único, era o par de olhos prateados.&lt;br /&gt;— Quero que você seja feliz com ela - murmurou, a voz menos dolorosa. - Sinceramente.&lt;br /&gt;— Obrigado - respondi, sem vontade. Era claro como água que ela não queria desejar isso, e para isso estava tão silenciosa. Estava criando coragem para dizer aquilo, lutando com as palavras.&lt;br /&gt;O sol já desaparecera. Não havia mais luz ali, a não ser da varanda. Uma mísera lâmpada elétrica, que não produzia calor. Porque Bruna estava totalmente fria.&lt;br /&gt;Eu também.&lt;br /&gt;— Quer entrar? - perguntei, com receio. Era como mexer com uma ferida ainda aberta, a carne vermelha ainda aparecendo.&lt;br /&gt;— Fique aqui comigo - pediu. Sua voz agora recuperou quase todo o tom doce que possuía sempre. Aparentava de uma moça que pedia humildemente que eu a ajudasse em algo importante, não uma garota que estava sofrendo pela perda de um amigo.&lt;br /&gt;Repousei as costas em um lado da rede, e a puxei com cuidado para meu colo. Ela cedeu aos poucos, com algumas poucas gotas largas de água saindo de seus olhos. Não tinha expressão de dor, ela não emitia sons de choro. Mas chorava, e seu coração doía, pedia pela ajuda do meu, quase curado.&lt;br /&gt;Ou quase ferido.&lt;br /&gt;— Não chore - sussurrei em sua orelha, encostando sua cabeça em meu ombro. Um grilo começou sua sinfonia, e isto me acalmou. Enrolei uma mecha de seu cabelo castanho em meu dedo, brinquei levemente com ele.&lt;br /&gt;— Por que, Guilherme? - balbuciava em agonia - Por quê? Por que eu sei que não vou me acostumar a te perder? - e meu anjo da guarda não cessava às lágrimas, simplesmente escondia-se em meu peito, o rosto distorcindo em melancolia.&lt;br /&gt;— Shhh. - eu murmurava, secando todas as lágrimas que podia, não acreditando que eu era capaz de fazer uma coisa que só a magoaria.&lt;br /&gt;E novamente, o anjo estava murcho, inseguro, indefeso, afogando-se no próprio choro que não a abandonava, que eu não conseguia fazer abandoná-la. O anjo sem asas chorava, chorava com toda a vontade que possuía, toda a dor transparecendo no momento.&lt;br /&gt;Nunca pensei que a situação poderia se reverter; no entanto, lá estava ela, passando ao contrário.&lt;br /&gt;O anjo chorou, esperneou, me machucou. Apertei sua cabeça contra meu peito, querendo transmitir segurança, mas nada ali havia mais sentido para ela, nada havia de ser feito. Nada mais era possível para consertar.&lt;br /&gt;Esperei que a água evaporasse, e o anjo finalmente parasse com a crise. Sim, porque aquilo era apenas uma crise, haveria como passar.&lt;br /&gt;Pelo menos era o que eu pensava, querendo me enganar.&lt;br /&gt;Não pronunciei nenhuma palavra com o receio de falar alguma besteira, então calei. Quando o anjo finalmente cedeu, rendendo-se ao cansaço, ajudei-lhe a levantar.&lt;br /&gt;Bruna esfregou o rosto com as costas da mão, apanhou sua mochila e foi ao banheiro. Iria se lavar, talvez até colocar os pensamentos em ordem.&lt;br /&gt;Desprezivelmente, me deixou sozinho na nostalgia de meu quarto, onde, ao som de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rufus Wainwright&lt;/span&gt;, as primeiras gotas salgadas começaram a rolar por meu rosto, manchando o lençol de minha cama. Pouco a pouco, foram umedecendo minhas bochechas, dando um tom acinzentado ao lençol branco. Eu sentava com as pernas em X sobre a cama, fitando apenas as lágrimas que no lençol se dissipavam.&lt;br /&gt;Quando finalmente consegui enxugar todas, Bruna saiu do banheiro. Deitou em minha cama, e fui me lavar também.&lt;br /&gt;A água em jato da ducha relaxou, como todas as vezes, meus músculos. Funcionava como um anestesiante, e quando percebi, estava há quase quarenta minutos de baixo do chuveiro.&lt;br /&gt;Girei a torneira, passei a toalha por meu corpo. Vesti uma camiseta limpa, uma bermuda bege.&lt;br /&gt;— Está com sono? - Bruna estava recostada em minha cama, o edredom escuro sobre sua regata clara. Observava o porta-retrato que situava-se geralmente em meu criado-mudo, mas agora ela apertava-o, apoiando por cima das pernas. O rosto era sóbrio, mas eu quase pude enxergar que meu lençol tinha ficado mais cinza.&lt;br /&gt;Fui para o seu lado debaixo do edredom, e fitei a fotografia onde eu beijava sua bochecha. Rapidamente, um flashback ocorreu. Era outono do ano passado, as folhas douradas e alaranjadas precipitavam, inúmeras, sobre nosso fundo. Ela, com um cachecol xadrez e eu, com a gola de minha camisa toda amassada, com meus braços a agarrando por trás. Ela sorria, tão sinceramente.&lt;br /&gt;Tempos que não voltam mais.&lt;br /&gt;Beijei seu rosto, provoquei. Afastei seu cabelo da orelha, mordi o lóbulo, mas como um gesto de um amigo que queria apenas provocar risadas, não como um sedutor barato.&lt;br /&gt;— Prometo que essa cena poderá se repetir muitas vezes - murmurei contra os fios curtos de seu cabelo, que molhavam o travesseiro.&lt;br /&gt;Deitei meu corpo, ela também. Virei-me para ela, fiquei acariciando seu rosto. Respirei seu cheiro, o cheiro que lembrava o conforto, uma amiga velha, uma boa vibração.&lt;br /&gt;O prata de seus olhos era ofuscante, me contemplava tão encantadoramente, mas eu não tinha tanto interesse para ela.&lt;br /&gt;— Eu te amo - ela segredou, fechando os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu também.&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: center;font-family:georgia;" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(107, 107, 107); line-height: 20px;font-family:'Lucida Grande';font-size:12;"  &gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-9-decisao.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-11-conforto.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-5626503380440777199?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/5626503380440777199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-10-aliancas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/5626503380440777199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/5626503380440777199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-10-aliancas.html' title='Capítulo 10 - Alianças'/><author><name>laís hiromi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11671453086715003340</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sld-xnFUN2I/AAAAAAAAAE8/QbWler3jbG8/S220/(35).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Smf1q7P4VEI/AAAAAAAAAFs/gMivMOzzDOU/s72-c/Alian%C3%A7as+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-2897931512278531000</id><published>2009-07-14T19:20:00.012-03:00</published><updated>2010-01-29T01:58:07.149-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 9 - Decisão</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sl0GV3GjlaI/AAAAAAAAAFc/MVpW760yAPs/s1600-h/L%C3%A1grima.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 386px; height: 281px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sl0GV3GjlaI/AAAAAAAAAFc/MVpW760yAPs/s400/L%C3%A1grima.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358446104279225762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Voltei para casa sozinho, assim como havia ido.&lt;br /&gt;Agora os holofotes iluminavam distintamente o céu, pondo em evidência os pontos brilhantes que formavam constelações. Os edifícios da grande cidade estavam de ponta a ponta iluminados, de cores neons variantes de azul a rosa. Enquanto pedalava em um ritmo irregular de volta para casa, devido ao comum trânsito do horário, peguei o caminho perto do mar, perto da ponte. Fitava gloriosamente tudo à minha volta.&lt;br /&gt;Eu beijara Bruna. Claramente que, por motivos de urgência, mas beijara.&lt;br /&gt;Um beijo simples, apenas um toque com os lábios, mas quem se importa?&lt;br /&gt;Só nosso. Era o que importava. E provara também que eu possuía certa coragem, um passo um tanto satisfatório no meu caso.&lt;br /&gt;Guardei a bicicleta na garagem, logo depois refrescando meu rosto na piscina coberta, ao lado da garagem. Subi as escadas, empolgado e ao mesmo tempo confuso, indo direto à ducha.&lt;br /&gt;Liguei o computador enquanto desabava na cama, rindo de mim mesmo. Estava sem fome, pois abusara das pipocas e de um lanche na saída inacreditável.&lt;br /&gt;Pensara no dia inteiro, desde as ainda inacreditáveis horas na escola sem Mariana, e todo o percurso pelo shopping e o cinema. Observei o teto de meu quarto, enxergando cenas nas quais eu ia passar maior parte do tempo lembrando.&lt;br /&gt;Lembrei primeiro do maravilhoso e quase paraíso ocorrido há cinco meses, nosso primeiro beijo. Pude relembrar como era apoderar-me de seus lábios intensos, carnudos e corados. Macios como algodão e deliberadamente quentes, que nunca saciavam-se com o que tinham, no caso, minha boca. Foi exatamente assim naquela enevoada noite, onde nossos lábios se encontraram, juntamente com o batimento de nossos corações.&lt;br /&gt;Depois, quase pude sentir a textura doce de sua boca hoje, se não fosse pelo medo e pela frieza. Ela não retribuiu, mas fui bem capaz de relembrar como era.&lt;br /&gt;Refletindo tamanha frescura, me levantei e sentei na cadeira do computador. Abri meu e-mail, tendo duas mensagens novas.&lt;br /&gt;“Gui” Começava a primeira mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Como você vai? É incrível o que dois dias sem nos falar faz, não é?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Minha irmã está bem, graças. Ela fez a cirurgia e está se recuperando bem. Minha tia não pára aqui na casa, mesmo que o estado de Júlia esteja ótimo, ela passou os dois dias dormindo no hospital. Estou falando do computador velho do sótão, já que minhas primas não me deixam mexer no delas.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Minha avó mandou um enorme abraço pra você, e quando eu voltar, vou te entregar uma surpresa.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Nesses dois dias longos e estranhos nesta cidade mais estranha ainda não parei de pensar em você. Juro.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Sinto muito sua falta,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Mariana&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Sem piscar, abri a outra mensagem da mesma remetente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Ah, que cabeça a minha! Esqueci de falar o mais importante.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Te amo muito.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Reli os e-mails, indeciso.&lt;br /&gt;Fechei rapidamente a página do e-mail, desligando o computador. De repente ficara com uma forte dor de cabeça, como se meus pensamentos fossem cortados.&lt;br /&gt;Soquei a parede com raiva, sem sentir dor nas falanges. Não acreditava no modo como Mariana, ao mesmo tempo que levava meu estado de espírito para longe, desacordando-o, entorpecendo-o, tirava também de mim meus bons momentos e coisas que eu tinha prazer em lembrar. Sabia que não era sua intenção fazer isso, pois era inevitável.&lt;br /&gt;Repousei na cama, vestindo meias brancas. Encostei a cabeça no travesseiro, pensando no que acabara de ver. Memorizara as palavras na cabeça, avaliando o efeito de cada uma, apesar delas não serem um pingo de novidade. Tentei pensar novamente em Bruna, seu coração palpitando forte nos dois momentos extraordinários que tivemos, mas não obtive sucesso. Mariana continuava totalmente firme, ocupando toda minha mente. Passei algum tempo relembrando nosso beijo, nossas conversas, e principalmente como era bom estar na sua presença.&lt;br /&gt;Aprendi a lidar com isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não tenho dúvidas, meu irmão, você está se desligando de Bruna – afirmou gloriosamente o Pedro, enquanto roubava a bola de basquete de mim.&lt;br /&gt;— Não estou perdidamente apaixonado por Mariana, Pedro! – gritei comicamente, quando ele se desviara de mim, mirando a esfera diretamente na cesta. A bola rodou no aro, e caiu fazendo barulho.&lt;br /&gt;Corri para ela.&lt;br /&gt;— Não estou dizendo isto, babaca – riu – mas que você finalmente está dividindo a atenção que tinha por ela com Mariana, e isto é tão bom que, no seu lugar, eu gritaria de felicidade.&lt;br /&gt;— Pode ser que não – consegui pegar a bola, e arremessei na cesta contrária – Tenho um medo maior de que esteja machucando Bruna, e nem isto consigo distinguir. Acho que o beijo de ontem não ajudou absolutamente em nada.&lt;br /&gt;— E além do mais, se você se sente tão bem com ela, e isso foi bem provado ontem ao ler o e-mail dela, tem que aprender a dividir a atenção e saber lidar quando machucar alguma das duas, e prepará-las para isto. Que saco! Bruna não fará o maior escândalo se você passar um dia inteiro com Mariana, e acredito que nem Mariana faria o mesmo.&lt;br /&gt;Empatei o jogo, enterrando a bola na cesta alta.&lt;br /&gt;— Não sei.&lt;br /&gt;— Além do mais, tenho certeza que um namoro com ela te faria muito bem.&lt;br /&gt;Tentei agora tornar-me mais compreensivo, entender o efeito das palavras de Pedro. Tentei absorver aquilo, sendo que não era só ele que já comentara. Lembro que Mônica já disse que ela me ajudaria a esquecê-la, mas para mim era perdidamente impossível.&lt;br /&gt;Fiz outra cesta.&lt;br /&gt;— Por um lado pode dar certo; não penso em Bruna quando estou com ela... mas o convívio diário com ela pode fazer com que eu me acostume... e volte a pensar em Bruna – disse, totalmente hesitante.&lt;br /&gt;Pedro assentiu.&lt;br /&gt;— Mas também pode ser quer isso não aconteça, que Bruna vire apenas uma boa amiga. Não custa tentar – disse ele, parando para tomar água.&lt;br /&gt;Parei a sua frente.&lt;br /&gt;— Pedro, não é questão de tentar ou não, porque não envolve só minha vida – falei, incrédulo com a falta de pensamento dele – Mariana me ama. E eu – hesitei – vou usá-la para esquecer Bruna?&lt;br /&gt;— Todo mundo faz isso.&lt;br /&gt;Não acreditei no que ele disse. Pedro não podia ser tão infantil assim.&lt;br /&gt;— E é por isso que todo mundo se dá mal.&lt;br /&gt;— Mas você gosta de Mariana, e isso pode justificar muito bem.&lt;br /&gt;— Não quero iludi-la – murmurei, a frieza tomando conta de mim. Estava ficando com raiva. Soltei a bola, que rolou até os pés de Pedro.&lt;br /&gt;— Não vai! – disse ele, cuspindo sua irritação – Se começar a iludi-la, vai terminar com ela e você mesmo vai passar a mão em sua cabeça. Tudo estará certo. E é para seu bem. Acredito que se ela soubesse, entenderia. Não deixaria escapar esta oportunidade!&lt;br /&gt;Dei uma risada sarcástica, dizendo que ia embora. Ele me levou até o portão de seu condomínio, e andei lentamente até em casa.&lt;br /&gt;Namorar com Mariana. Não me soava empolgante, no entanto também não parecia um monstro. Não poderia ser ruim, afinal que eu me sentia tão bem perto dela.&lt;br /&gt;Eu ansiava para experimentar como seria o começo daquilo, se realmente acontecesse: ficaria horas entorpecido, sem pensar em Bruna, apenas curtindo a presença e todo o amor que Mariana tinha a me oferecer, todo o amor que eu necessitava. Mas, para meus revezes, meu maior medo era de não conseguir fazer feliz a pessoa a quem eu só queria bem, e machucá-la, como eu achava que estava fazendo com Bruna.&lt;br /&gt;Voltei para casa, não parando de raciocinar nas consequências que aquilo viria a me trazer. Uma fria garoa começou a cair, provocando algumas faíscas de choque em minha pele. Eu estava quente, e as gotas frias pouco a pouco me jogaram à realidade, congelando meus braços nus.&lt;br /&gt;Entrei em casa, fazendo as coisas diárias sem perceber. Minha mente ainda longe dali, posso falar que há milhas. Quando me dei conta, estava a mais de vinte minutos debaixo da ducha, e desliguei, com a mesma questão martelando...&lt;br /&gt;Valeria a pena namorar Mariana?&lt;br /&gt;Pedi a Belinda avisar minha mãe quando chegasse em casa. Mesmo que fosse algo rotineiro conversar com Mônica, agora soava um pouco mais para motivo de ficar completamente nervoso. Não saberia como começar, não saberia do que falar. Naquela hora, Mônica aparentava mãe de verdade, daquelas do gênero das quais não se conversa sobre tudo, não como ela era realmente para mim.&lt;br /&gt;Sem perceber, acabei cochilando.&lt;br /&gt;Sonhei que os papéis se inverteram, onde eu namorava Bruna mas quisesse apenas Mariana.&lt;br /&gt;No sonho, eu fitava Mariana intensamente a cada passo seu. Estávamos em uma danceteria, e seu par era Pedro.&lt;br /&gt;Nunca consegui imaginar Pedro com Mariana. No entanto, lá estavam os dois, agarrados e envolvidos em uma dança, em um sonho mais real do que a própria realidade.&lt;br /&gt;Bruna, que não mais pertencia aos meus verdadeiros desejos, tentava arrancar minha atenção e alguns beijos meus. Minha vontade de beijá-la resumia-se a nada, o que era teoricamente impossível, e então, aconteceu.&lt;br /&gt;De repente, Bruna soltou-se de meus braços frouxos aos berros, reclamando alto. Porém nenhuma de suas palavras faziam sentido. Pôs-se a chorar desesperadamente, fazendo todos ali à minha volta pararem de dançar, e fugiu do ambiente.&lt;br /&gt;Despertei com minha mãe à minha frente. Não enxerguei quase nada, apenas alguns pedaços embaçados.&lt;br /&gt;Um sinal, seria bem provável.&lt;br /&gt;— Calma, Guilherme. Vá lavar o rosto.&lt;br /&gt;Cambaleei direto ao banheiro. Enxagüei meu rosto, enquanto tentava ouvir as palavras de minha mãe:&lt;br /&gt;— Belinda disse que você queria falar comigo. Que pediu para lhe avisar quando eu chegasse... E aqui estou eu.&lt;br /&gt;Não consegui responder, lembrando da cena ocorrida há meses. Um sonho desesperador, minha fala que não conseguia sair. Meu estômago agitando-se nauseantemente.&lt;br /&gt;— Filho? - indagou ela, caminhando preocupada até a porta de meu banheiro.&lt;br /&gt;Fiz força para a voz sair.&lt;br /&gt;— Você... acha... que devo namorar Mariana?&lt;br /&gt;O favorável foi que eu sabia que Mônica nunca contrariaria alguma palavra minha sobre minha fase da adolescência. Poderia soar totalmente fútil o que acabara de sussurrar, mas ela entendeu facilmente.&lt;br /&gt;Veio para meu lado e acolheu meus ombros de uma forma impossível de permanecer duro.&lt;br /&gt;— Conte-me tudo.&lt;br /&gt;Sentei na beirada de minha cama e comecei a murmurar toda a história, inclusive o sonho que acabara de ter.&lt;br /&gt;— Hoje ela me enviou um e-mail - disse, enquanto ligava o computador para lhe mostrar. Silenciei por alguns momentos, tentando tomar fôlego e não pensar no sonho que tivera. Mostrei-lhe o e-mail, fugindo das palavras que me entorpeciam facilmente, do mesmo que me cegavam. Fitei o relógio, que marcava 21:19h. Esperei, vagando os olhos por todo o ambiente familiar, e finalmente ela suspirou.&lt;br /&gt;— O que aconteceu depois que você leu? - questionou, em tom maternal.&lt;br /&gt;— Tem também a outra mensagem.&lt;br /&gt;Mônica abriu o outro e-mail, lendo rapidamente em pensamento.&lt;br /&gt;— Não consigo mais pensar em Bruna quando Mariana faz alguma coisa para mim. Sinto uma espécie de torpor, como se toda minha história com Bruna ou qualquer coisa parecida se dissipasse.&lt;br /&gt;Ela assentia, encostando as costas na cabeceira de minha cama.&lt;br /&gt;Não consegui parar de falar.&lt;br /&gt;— E hoje, quando fui para o prédio de Pedro, ele disse que isso era muito bom. Mariana poderia servir como algo para esquecer Bruna, já que eu gosto dela e ela me retribui mais do que mereço.&lt;br /&gt;Obviamente, isso não ia adiantar quase nada, mas depois é questão de continuar a enganá-la ou terminar com ela.&lt;br /&gt;Me olhou com rispidez, como se soubesse que eu estava exagerando.&lt;br /&gt;— Foi mais ou menos assim - continuei.&lt;br /&gt;— Sabe, Guilherme, nunca te ensinei a fazer essas coisas. Isso é pura influência de seus amigos, por mais que eu goste deles.&lt;br /&gt;— Sei bem disto, afinal Pedro disse hoje que todos faziam isso. Namoravam outra pessoa quando queriam esquecer outra.&lt;br /&gt;Tamanha sinceridade incomodava minha pobre progenitora.&lt;br /&gt;— Nunca pensei que Pedro fosse capaz de dizer isto! - sua expressão era engraçada - Mas você sabe muito bem, que não é por isto que você vai namorá-la, não é?&lt;br /&gt;— Sim - concordei sem ânimo.&lt;br /&gt;— Que foi?&lt;br /&gt;— Não é entusiasmante. Não tenho vontade de fazer isto, mas também não é ruim.&lt;br /&gt;Mônica refletiu por alguns instantes. Fitei o que dava para ver do céu azul-escuro de minha varanda, coberto de pequenos pontos brancos.&lt;br /&gt;— Você vai fazer isto mais pelo o que a menina faz. Ela faz você esquecer Bruna.&lt;br /&gt;— Não concorda comigo, mãe? - perguntei, distante. Hesitei. - Para fazer bem para mim. Vai fazer bem a ela também.&lt;br /&gt;— E quando você não a quiser mais?&lt;br /&gt;— Vou fazer o possível para isto não acontecer - Pisquei um olho.&lt;br /&gt;Sorriu.&lt;br /&gt;— Ah, entendi. É assim que se fala - seu sorriso estampou o resto da face, mergulhando nos olhos grandes e prata. - Vou jantar. O que vai comer?&lt;br /&gt;Jantei, ainda pensando. Era uma coisa que exigia tempo, eu precisava sentir novamente o resultado de como era estar na presença de Mariana. Não precisava ser realmente estar com ela, apenas mais uma mensagem, ou uma ligação.&lt;br /&gt;E o telefone tocou.&lt;br /&gt;Como sempre ocorreu comigo, a voz de quem menos queria ouvir estava ali, pendurada ao aparelho telefônico, com sua dona há algumas centenas de quilômetros.&lt;br /&gt;Não demorara alguns segundos e minha decisão estava confirmada. O timbre feminino e fino de sua voz afastou de mim todas as reflexões e conceitos que levei a tarde toda para raciocinar, e enfim, lá estava uma única idéia, um único pensamento.&lt;br /&gt;— Oi, Mariana.&lt;br /&gt;Conversamos durante uma hora. Colocamos os assuntos essenciais aos mais inúteis em dia, absorvendo ao máximo toda a ilusão que ela criava enquanto balbuciava palavras melosas e cafonas, mas um tanto reconfortantes.&lt;br /&gt;Desliguei a chamada, um pequeno sorriso estampado no rosto. Porém, debrucei-me sobre a escrivaninha, com a cabeça baixa e pus-me a pensar novamente, e deixava sem querer todo aquele bem que Mariana fazia sobre mim escapar lentamente.&lt;br /&gt;Mas, de uma coisa estava devidamente correto. E antes de mais nada, teria que 'preparar' Bruna para isto, assim como ela pedira.&lt;br /&gt;Era necessário prepará-la para o choque de anos de uma amizade sem ninguém para interferir, para dar uma pausa em nossa amizade que mais aparentava um namoro, assim como simplesmente queria, apenas com alguns argumentos físicos para acrescentar, meu desejo era tão fútil que nem eu mesmo acreditava.&lt;br /&gt;Não podia imaginar que no lugar das diversas festas que fui, dos aconchegos em casa, da pipoca compartilhada durante um filme romântico no inverno, de uma noite inquieta na casa de algum amigo, eu não teria Bruna ao meu lado, não teria seu corpo quente e disposto sempre a me acompanhar onde eu fosse, ou vice-versa. Agora eu ignoraria, com a atenção voltada apenas para minha nova namorada, a qual me causava só bem e conforto.&lt;br /&gt;Não podia imaginar que estava despedaçando orgulhosamente nossa parceria de doze anos, por motivos egoísticos. Motivos nos quais, o objetivo era causar bem a mim mesmo, que nunca fora feliz o suficiente para me manter.&lt;br /&gt;Mas lá estava eu, de pé à porta do modesto apartamento de Bruna, em plena 22h. Quando se tratava de algo que estragaria tudo, não importava o horário.&lt;br /&gt;Tocara a campainha, esperando por sua silhueta generosamente definida e encantadora; que em pouco tempo, eu esqueceria.&lt;br /&gt;— Oi - pronunciou ela, ao abrir a porta. Sua voz doce e deslumbrante. A diferença ainda permanecia, não era fácil para ela esquecer aquele beijo. Estava de regata preta e um shorts jeans provocante, mas me concentrei para não desfocar do que tinha em mente. Não podia mais me iludir, não seria necessário.&lt;br /&gt;— Precisamos conversar - logo despejei. Enrolar pioraria a situação, a indiferença não adiantaria de nada. E nunca fui bom para encenação.&lt;br /&gt;Apenas ela.&lt;br /&gt;Seu par de sobrancelhas finas elevaram-se, demonstrando espanto.&lt;br /&gt;— Entre - disse.&lt;br /&gt;Subimos ao seu enorme quarto, no qual estive metade dos dias de minha vida. A gata Kate não estava lá, estávamos literalmente sós.&lt;br /&gt;Como sempre eu ansiava em estar, mas não naquele dia. Ela sentou em sua cama, ao menos não ligou a TV; sabia que meu tom era sério demais.&lt;br /&gt;— Acho que já sei do que se trata - disse, enquanto eu me sentava na cadeira da escrivaninha. Não quis ter a proximidade ao seu corpo, por precaução. Sua voz estava monótona, diferente de ontem. Havia uma dor nela, como se realmente já soubesse o que eu iria revelar.&lt;br /&gt;Silenciei.&lt;br /&gt;— Por que você vai fazer isto comigo, Guilherme? - agora seus olhos estavam baixos, fitando suas pernas cruzadas em X sobre a cama. Ela cutucava indiferentemente as unhas curtas, o rosto corando cada vez mais.&lt;br /&gt;Alguém já havia feito minha tarefa. Mas quem?&lt;br /&gt;— Quem te contou sobre isto?&lt;br /&gt;— Não importa - cuspiu, fungando uma vez para conter uma lágrima. Esfregou o olho com a mão, ainda sem olhar para mim. - Sabe... - sua voz não queria sair, eu sentia isso. O par de olhos mais lindos que já tinha visto virava-se para o lado, para baixo - eu lembro cada detalhe de quando pedi a você que me contasse quando isso acontecesse, mas eu acho que não iria adiantar absolutamente nada - duas lágrimas caíram de seu olho, e, pela primeira vez em minha vida, eu não estava ali para secá-las.&lt;br /&gt;Não tive coragem de encostar um dedo nela.&lt;br /&gt;— Não chore - sussurrei, apoiando a cabeça sobre encosto da cadeira, fechando as mãos em punho.&lt;br /&gt;Ela levantou-se subitamente, e começou a andar de um lado para o outro, nunca olhando para mim.&lt;br /&gt;— Chorar? Como não vou chorar? - murmurava com desgosto, tendo ataque de sua hiperatividade. - Eu vou perder meu melhor amigo, a pessoa com quem eu achava que poderia contar a vida inteira sem exceções, e ela vai embora sem eu poder fazer mais nada a respeito.&lt;br /&gt;— Não vou embora - disse com mais clareza - e você poderá contar comigo para o que quiser. Você vai ver que quase nada vai mudar - menti horrivelmente, nem um animal acreditaria em minhas palavras tão absurdas. E ela sabia muito bem disto.&lt;br /&gt;— Nada vai mudar! - gritou, socando a parede ao lado do banheiro. - Nada vai mudar! Eu sei disto, todos sabem, Guilherme! Você vai apenas se afastar como nunca se afastou de mim antes! E eu não posso fazer nada! - repetiu, e eu pude ver o chão se umedecendo com as lágrimas dela.&lt;br /&gt;Novamente, seus gritos arrancaram minha fala. Eu me encolhera ali, preso à cadeira.&lt;br /&gt;— Desculpe - segredei, sabendo que era inútil falar alguma coisa.&lt;br /&gt;— Tudo bem, está desculpado, afinal a idiota sou eu - as palavras saíram num jato, mas sua voz diminuíra o tom - O que eu posso querer mais? As pessoas vão embora, apaixonam-se por outras pessoas, não é culpa delas - e mais lágrimas, inúmeras gotas caíam no carpete branco.&lt;br /&gt;O silêncio tomou conta de todo o quarto, minhas palavras que não queriam sair e a inconformidade de Bruna. Suas mãos cerradas em punho encostaram-se no alto da parede, sua cabeça também. Uma pequena poça formara-se aos seus pés, e então me dei conta.&lt;br /&gt;Recuperei a coragem e o senso do Guilherme antigo, o verdadeiro amigo que existia, e corri até Bruna. Ignorei o que tinha ido fazer ali, já que ela sabia, e todo meu egoísmo idiota.&lt;br /&gt;Abracei-a por trás, e suas lágrimas voaram diretamente para o chão, sendo cobertas por seu choro que agora mais parecia de uma criança. Suas mãos fecharam-se com mais força do que já estavam, mas apertei firmemente seu corpo contra o meu.&lt;br /&gt;— Não vai mudar nada, eu prometo - murmurei contra seu cabelo macio, afundando meu rosto nele. - Vou fazer tudo para não me afastar de você, é sério.&lt;br /&gt;E então, virou seu corpo para me encarar, pela primeira vez. De seus olhos já não mais se enxergava o prata reluzente e magnífico, apenas milhões de riscos vermelhos. E faziam deles, olhos intensamente inchados.&lt;br /&gt;Sequei as novas lágrimas com o dedo.&lt;br /&gt;— É inevitável, é claro que vai mudar tudo, não precisa me iludir - sussurrou. - Eu sei muito bem disto. Tentei me preparar, mas não consegui.&lt;br /&gt;Ela era madura, havia esquecido disto.&lt;br /&gt;— Vou te perder de qualquer forma - continuou, colocando suas mãos fechadas em meu peito, prensando. Enterrou sua cabeça, agora molhando minha camiseta.&lt;br /&gt;— Já lhe disse, não vai. Estou aqui agora. Ainda te amo - disse, sem corar, secando cada lágrima. A coragem ainda tomava conta de mim.&lt;br /&gt;Pela primeira vez ela silenciou, quase cedendo. Não era muito difícil convencê-la, ainda mais quanto a isso. Apertou o abraço à minha vonta, fungando.&lt;br /&gt;— Não vou me acostumar a isto - sussurrou, a voz musical penetrando na minha consciência, consumindo minha coragem. Seu perfume cítrico mordendo meu nariz, provocando minha personalidade de apaixonado-louco-demente por ela. Não. Eu estava decidido, não iria voltar atrás.&lt;br /&gt;Aquilo era apenas físico: repeti para mim mesmo.&lt;br /&gt;— Vai sim - acariciei seus cabelos, enquanto tentava reconfortá-la apenas como um amigo, não como sempre tentei fazer.&lt;br /&gt;Suas mãos empurraram meu corpo, o rosto desviando-se. Por um momento senti medo, mas depois tranqüilizei. Fora para a pia, enxagüou o rosto vária vezes, respirando fundo.&lt;br /&gt;— Quando você vai pedir? - indagou, mais aliviada.&lt;br /&gt;— Sábado - respondi, hesitante.&lt;br /&gt;Levantou as sobrancelhas.&lt;br /&gt;— Não poderia... esperar?&lt;br /&gt;Ela me pegou de surpresa. O que responderia? "Não posso esperar mais um segundo quanto a você."&lt;br /&gt;Não respondi a pronto, engolindo em seco.&lt;br /&gt;— Não se preocupe - disse, com riso na voz, entendendo o que ela quis dizer - Vou passar amanhã só com você.&lt;br /&gt;E fui para seu corpo frágil, que agora reconfortava-se no meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-8-cinema.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-10-aliancas.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-2897931512278531000?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/2897931512278531000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-9-decisao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/2897931512278531000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/2897931512278531000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-9-decisao.html' title='Capítulo 9 - Decisão'/><author><name>laís hiromi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11671453086715003340</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sld-xnFUN2I/AAAAAAAAAE8/QbWler3jbG8/S220/(35).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sl0GV3GjlaI/AAAAAAAAAFc/MVpW760yAPs/s72-c/L%C3%A1grima.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-8291988166520293609</id><published>2009-07-03T12:57:00.020-03:00</published><updated>2010-01-29T16:27:32.463-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 8 - Cinema</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sk4rIUxF10I/AAAAAAAAAE0/H3ymnxB7wSM/s1600-h/Cinema.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sk4rIUxF10I/AAAAAAAAAE0/H3ymnxB7wSM/s400/Cinema.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354264429003659074" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;— Que droga, Bruna! – gritei ao raro vento de meio-dia, enquanto ela debruçava-se sobre a câmera digital sobre a escadaria. Meus fios de cabelo bagunçavam-se ao relento, e meus olhos comprimiam-se.&lt;br /&gt;— Tudo por uma boa foto – respondeu, piscando o olho brilhante. Depois de ajustar o ângulo, correu até mim e agarrou-me. Fiz uma careta.&lt;br /&gt;A câmera soltou um pequeno ruído de &lt;i style=""&gt;flash&lt;/i&gt;. Novamente, correu até o aparelho de cor preta e o fitou. Sorriu. Subi os degraus e tentei ver a foto. Razoável.&lt;br /&gt;A única que salvava sempre era ela. Minha tentativa ridícula de ser cômico era idiota.&lt;br /&gt;Em um movimento rápido e espontâneo, Bruna virou-se para mim e beijou minha bochecha. Pisquei, perplexo.&lt;br /&gt;— Minha casa ou a sua? – perguntou, em um entusiasmo incomum.&lt;br /&gt;O motivo era simples para tanta alegria: Mariana fora viajar, por emergência com a família, ontem à noite. Soube por cima que uma tia passou mal, e teve que ir ajudá-la, junto com sua mãe. Voltaria no sábado. Pedira para uma amiga e eu anotarmos a matéria, e eu estava cumprindo. Dava-me pena ver Bruna ter minha presença apenas para ela: ela realmente mudava de personalidade ao me ter por inteiro. Nunca se acostumaria em dividir-me.&lt;br /&gt;— Sua? – indaguei, sem jeito.&lt;br /&gt;— Pode ser – disse, séria. Depois, abriu um sorriso enorme. Pegou sua mochila à tiracolo e pôs-se a caminhar. Andei ao seu lado, sempre fitando o chão. Uma mania horrível de parecer sempre reflexivo, quando na verdade presto atenção nos ruídos e os pequenos seixos no chão de concreto. Ela, no entanto, acostumara-se com o silêncio proveniente desde que nos conhecemos.&lt;br /&gt;Quatro dias sem ver Mariana. Agora que parecíamos praticamente namorados, quatro dias longe de sua presença iriam trazer de volta o velho Guilherme.&lt;br /&gt;O solitário, depressivo e louco obsessivo por Bruna.&lt;br /&gt;E já estava começando a entrar neste estado, parecia que ao lado dela, Mariana não tinha importância. Claro que ainda pensava em nossas conversas, nosso passar de tempo juntos nas últimas semanas, mas era mais claro ainda que eu não estava encantado com o beijo que tivemos. Com aquele passo em nossa relação.&lt;br /&gt;Almoçamos em um restaurante vegetariano. Em casa, não havia ninguém: Mônica disse que almoçaria no trabalho, Belinda estava de folga e Mike fora ao veterinário.&lt;br /&gt;Enfim, sós.&lt;br /&gt;Bruna logo saltitou até o banheiro, colocando o biquíni. Troquei-me no quarto mesmo, louco para me refrescar.&lt;br /&gt;Logo, meu desejo foi realizado.&lt;br /&gt;— Fico me perguntando, Bru – comecei, pensativo. – O que pensará o pessoal se, por um acaso, eu começasse a namorar Mariana, e você continuasse freqüentando minha casa e vice-versa?&lt;br /&gt;Ela que estava de costas, de repente parou.&lt;br /&gt;— Que você, que antes duvidavam de sua masculinidade, agora seria um galanteador e tanto. Comigo, e com Mariana – murmurou com graça, depois de alguns segundos.&lt;br /&gt;— Ah, fala sério – pedi, reprimindo um sorriso.&lt;br /&gt;— E é. Você terá que dividir seu tempo comigo e com ela, como faz agora.&lt;br /&gt;— Mas e se... até lá, eu fizer mais algumas amizades inseparáveis? – perguntei, agora colocando-a na parede. Não era esse meu objetivo, mas era um modo leve de vingança. Ela tinha que pagar por todo o amor que jogava para mim.&lt;br /&gt;— Você, mais uma vez, teria ainda mais fama de galanteador. Satisfeito? – e riu, sumindo na água cristalina.&lt;br /&gt;Acompanhei seu magnífico nado digno de uma nadadora profissional, contornando toda a piscina.&lt;br /&gt;E num instante, saltou para cima.&lt;br /&gt;— “Até lá”? – repetiu, com aspereza. – Quer dizer que você vai pedi-la mesmo?&lt;br /&gt;Droga. Ela sempre era melhor que eu neste jogo.&lt;br /&gt;— Modo de dizer – consertei – É uma hipótese. Não sei o que vem do futuro.&lt;br /&gt;Silenciou. Não consegui ouvir ao menos o barulho dos carros da rua e da água.&lt;br /&gt;— Você vai me avisar, se acontecer, não vai? – murmurou, como uma atriz experiente, a dor pairando em seus olhos. Nada mais esperado – Bruna fizera teatro desde os três anos.&lt;br /&gt;— Não! – ironizei – Como você é insegura, Bruna! Já disse quantas vezes que será a primeira a saber?&lt;br /&gt;E um jato de água, com risos perfeitamente doces, bateram-se em minha face.&lt;br /&gt;Naquela tarde, Bruna foi embora mais cedo. Disse que teria que decorar falas para sua próxima peça, então assenti.&lt;br /&gt;Mas claramente não era nada daquilo.&lt;br /&gt;O relógio da sala marcava 18h. Perplexo com seu comportamento, passei meia hora embaixo da ducha. A água quente demais para o verão entorpecera meus músculos, queimando toda minha energia.&lt;br /&gt;Exausto pelo esforço que não fiz, deitei-me mais cedo também.&lt;br /&gt;E uma questão martelava minha mente. Eu estava machucando Bruna?&lt;br /&gt;Que erro fatal ter certeza de que eu seria capaz de descobrir, quando isso ocorresse. Mas nem para isto eu era capaz. O melhor amigo com quem ela pode contar não consegue identificar quando ela está magoada.&lt;br /&gt;Era óbvio pelo seu olhar quando referia-me de Mariana; além das outras poucas garotas, que comento.&lt;br /&gt;Obviamente não era a mesma dor de quando &lt;i style=""&gt;ela &lt;/i&gt;falava de outros garotos. Mas ainda sim havia um sentimento não positivo. Seu brilho dos olhos todo era dissipado, a prata com safiras virava uma cor fúnebre e horrenda, sólida.&lt;br /&gt;Desta vez não sonhei. Parece que meus pensamentos estavam dando uma pequena trégua, afinal estava cansado de tantos pesadelos significativos. Adormeci tão profundamente, que poderia dormir mais se não houvesse aula.&lt;br /&gt;Um tanto insignificante, uma falta no diário dos professores não faria a mínima diferença.&lt;br /&gt;Eu queria era encarar Bruna no dia seguinte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 17.6pt; text-align: center; line-height: normal;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 17.6pt; text-align: center; line-height: normal;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 17.6pt; text-align: center; line-height: normal;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;          &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;“Vai-se a primeira ponto despertada&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;De pombas vão-se dos pombais, apenas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;Raia sanguínea e fresca a madrugada...&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;E à tarde, quando a rígida nortada&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;Ruflando as asas, sacudindo as penas,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;Voltam todas em brando e em revoada...&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;Também dos corações onde abotam,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;Os sonhos, um por um, céleres, voam,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;Como voam as pombas dos pombais;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;No azul da adolescência as asas soltam,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;E eles aos corações não voltam mais.”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 0cm; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;color:black;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;Autor Desconhecido.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;— Que lindo, Guilherme. Pode se sentar agora – disse a professora esbelta, com tom materno na voz fina.&lt;br /&gt;Fechei o livro e voltei à minha carteira. Bruna lisonjeou-me enquanto eu guardava o conjunto de folhas na mochila. A aula de literatura nunca mudara de rumo; sempre era ganho pontos a cada poema, frase ou trecho trazido à classe.&lt;br /&gt;O entusiasmante, era óbvio, que não era o fato de levar um poema à aula. Odiava poemas. Fora recomendado por Célia, amiga de Letícia. O que me tirava do sério é que a normalidade de Bruna era sentida até mesmo no ar da classe cheia de pessoas. Bruna, por um lado, com seus nove anos de teatro, poderia disfarçar muito bem seu desconforto com Mariana.&lt;br /&gt;Por outro, ela realmente não estava interessada se ela pudesse interferir em nossa amizade.&lt;br /&gt;Impossível, depois de tudo que aconteceu.&lt;br /&gt;Então era mais provável a primeira opção. E, imagine, não estava sendo orgulhoso. Tinha quase certeza de que ela estava se passando por indiferente; até muito bem.&lt;br /&gt;Não quis tocar no assunto. Se eu estava deixando-a infeliz, fingindo uma ilusão, para que cutucar a ferida?&lt;br /&gt;Como era pedira, há meses, eu ia suturá-la. Dar de mim o que ela precisasse, inclusive minhas últimas forças, se houvesse necessidade. Seria o melhor amigo com quem ela pudesse contar.&lt;br /&gt;Porque eu daria mais importância ao seu bem estar do que meu amor por ela, sem dúvidas.&lt;br /&gt;Refleti durante o resto das aulas, no entanto estava determinado. Não seria pegajoso, tentaria apenas ser eu mesmo. Deixaria que a necessidade dela falasse mais alto, deixando que ela aprenda a dar o valor que quero. Não como um jogo, longe disto. Mais possivelmente uma estratégia sem falsidade: seria seu eterno melhor amigo até o dia em que ela não quisesse mais, ou estivesse pronta para me ter em seus braços.&lt;br /&gt;Intervalo. A fonte de água cristalina e o cardume composto por carpas de diversas cores fora ativada, refrescando a área ao ar livre. Comprei uma soda, e Bruna, como sempre, comprara duas barras de granola. Sentei-me na beirada da fonte ao seu lado, enquanto os outros vinham com seus lanches.&lt;br /&gt;O mesmo ritmo de conversa era praticado, habitualmente. O que mudavam eram os assuntos. Falavam sobre o que fariam depois da aula, logo mudavam de assunto, e o faziam constantemente. Eu, que falava de vez em nunca para dar minha opinião e questionar algo, contemplava a multidão reclamando do permanente calor. E... fitei o lugar no qual Mariana sentava, um banco de madeira clara perto às portas de vidro. Lá, beijavam-se Felipe e Melissa, da quinta série. Fiquei inconformado não pela atitude de Felipe, que diz ser apaixonado por Bruna e estar quase às obscenidades ali, mas sim por sua tentativa de jogar na cara dela de que ele não era tão dependente quanto parecia. Nunca se apaixonou assim por alguma menina, não pelo menos de que eu saiba, e seu histórico não é dos mais limpos. Obviamente, queria atrair Bruna, de um jeito bom ou mau, mas queria atraí-la. Mas essas tentativas falharam, e muito. Bruna sequer virou para fitar o resto do pátio. Seus olhos vagavam da água aos rostos de seus amigos, incluindo os meus.&lt;br /&gt;Com a vergonha alheia pairando em meu rosto, que ardia pesarosamente, desviei o olhar. Continuei a passear com os olhos semicerrados por todo pátio, procurando alguma distração, além de prestar atenção na conversa.&lt;br /&gt;Levantei-me, insatisfeito, enquanto Pedro vinha atrás de mim. Normal para eles, afinal sempre fora o quieto e anti-social da turma, tendo liberdade para sair a hora que quisesse da diária roda de amigos. Atirei a lata de soda vazia na lixeira, e caminhei direto para o banheiro. Pedro, sempre ao meu lado.&lt;br /&gt;— É, vejamos como você se comporta sem sua namoradinha – disse em tom de alívio.&lt;br /&gt;— Tentarei ser o bom e velho Guilherme, se me permitir – ri baixo, enquanto parava diante do mictório. Fiz o que tinha que fazer, enquanto Pedro ajeitava seus cachos no espelho. Molhei minhas mãos e o rosto rispidamente, por pouco não transpirando com as ondas de calor.&lt;br /&gt;— Acho que estou realmente gostando dela – murmurei, enquanto secava as mãos no papel.&lt;br /&gt;— Está brincando – riu, sem graça, com a expressão séria.&lt;br /&gt;— Não estou. Se consegui beijá-la, acho que não significa que ela é igual as outras, não?&lt;br /&gt;Suspirou.&lt;br /&gt;— Minha mocinha está crescendo, consegue se desfocar de Bruna, que lindo – riu, enquanto eu tentava lhe dar um tapa.&lt;br /&gt;— É um desfoque mesmo, nada se compara com o que eu sinto por Bruna. Mas com Mariana aconteceu alguma coisa, não sei.&lt;br /&gt;— Rolou uma química.&lt;br /&gt;— Deve ser – enxuguei minha testa, enquanto saía do banheiro. Andei de volta à roda, tentando entrar no assunto.&lt;br /&gt;As duas últimas aulas foram praticamente livres. Atividades pequenas só, pelas férias estarem próximas. Não havia muito conteúdo a ser passado, e entusiasmei-me enquanto esboçava perto da roda mais agitada da sala. Esbocei exatamente o que via, alguns alunos conversando animadamente. Dei vida às cópias de meus amigos menos íntimos, mostrando o resultado, no final. Acostumado com os elogios e puxa-saquismo, agradeci a todos e preguei o papel ao mural da sala, junto aos tantos outros desenhos sem cor que fiz, somado aos trabalhos exemplares e fotos profissionais dos alunos também. O mural estendia-se por todo perímetro da classe, em três paredes. Apenas não cobria a parede da lousa branca. No começo de cada ano, pedia-se fotos de todos os alunos, de qualquer jeito. Poderia trocá-la quando quisesse. Mais do que isto: cartas, bilhetes, trabalhos e imagens o cobriam. E meus desenhos.&lt;br /&gt;Obviamente a foto de Bruna era a mais divertida e criativa. Seu rosto fino e a pele ligeiramente rosada formavam a sintonia perfeita, reunindo uma careta mostrando os dentes perfeitos e os olhos, mais brilhantes como nunca. Abaixo, sua gata Kate exibia seus gloriosos olhos azul-claro, fitando impressionantemente a câmera. Minha foto era indiferente, dos ombros nus para cima. Meu cabelo estava pouco arrumado, do jeito sempre comum. Um pouco bagunçado, dando contraste ao fundo totalmente claro. Pendia levemente a cabeça para o lado, numa expressão meio divertida, meio misteriosa.&lt;br /&gt;Decidimos ir cada qual para sua casa após a aula. Encontraríamos os outros no cinema, um filme aleatório. Estranhei o fato de combinarem em plena quarta-feira. Logo então, soube que era para tentarem juntar Victor e Letícia. Assenti, indiferente. Os dois se gostavam, precisavam de um empurrão.&lt;br /&gt;Assim como eu também precisava, um grande empurrão.&lt;br /&gt;Almocei apressado. Quase não senti o gosto do espaguete, logo depois indo tomar banho. Vesti uma camiseta e uma bermuda, correndo para a garagem.&lt;br /&gt;Estacionei a bicicleta, indo direto para o cine. A azia fervia meu estômago, enquanto eu segurava minha barriga para não explodir. Cheguei na bilheteria, indo para trás de Victor, assim que o encontrei na fila.&lt;br /&gt;— Por que não escolheram uma sessão mais tarde? – ofeguei, tirando duas notas da carteira.&lt;br /&gt;Paguei duas entradas, e vi que Victor pagara apenas uma.&lt;br /&gt;— Não vai pagar para Letícia? – indaguei, surpreso.&lt;br /&gt;— Deveria? – perguntou, um pouco seco. Mas sabia que estava mais inseguro.&lt;br /&gt;— Óbvio! Eu, que sou apenas amigo de Bruna, vou pagar para ela! – exclamei, com determinação na voz, mas meu rosto ardia. Corava quando mentia, ou quando queria que o sentido do que eu disse fosse o contrário. Afinal, Victor não fazia idéia da dificuldade de considerar Bruna apenas uma amiga.&lt;br /&gt;O garoto dos cabelos negros e olhos azuis pôs-se a pensar, e retirou mais uma nota da carteira.&lt;br /&gt;— Bom garoto – murmurei com riso na voz, enquanto saía para o lado.&lt;br /&gt;Aos poucos, o grupo estava novamente reunido. Todos agora vestiam-se como oito adolescentes influenciados pela modinha, cada um no seu estilo. Bruna encantava-me e arrancava olhares de meninos aleatórios no hall do cinema com sua regata justa, os acessórios habituais como o cordão preto com um gato transparente de pingente e seus alargadores mínimos. E a calça jeans que pronunciava suas curvas. Os pares de olhos atrevidos dos meninos percorriam o corpo inteiro de Bruna, parando onde eu temia.&lt;br /&gt;Com a maior intimidade que consegui, atirei meu braço sobre seus ombros, aproximando-a de mim. Não era a primeira vez que fazia isso.&lt;br /&gt;— Obrigada – sussurrou com a voz acalorada, entrelaçando sua pequena mão esquerda na minha.&lt;br /&gt;— Não há de quê – respondi, fitando com desprezo os demais garotos que agora desviavam o olhar. Aquilo divertiu-me de um modo que vocês não fazem idéia.&lt;br /&gt;Entramos no cinema com lotes de sacos de pipoca e refrigerante. Tão fútil quanto prazeroso.&lt;br /&gt;Um filme de ação, com vários tipos de armas e carros inclusos. Recostei-me, pronto para relaxar. Não deram algumas dezenas de segundos, e Paula, que estava ao meu lado direito, sussurrou:&lt;br /&gt;— Não acha que está na hora?&lt;br /&gt;— Vou falar com Pedro – fiz a voz mais baixa que pude.&lt;br /&gt;Procurei por Pedro, que estava ao lado de Bruna. Cutuquei seu braço.&lt;br /&gt;— Quer trocar de lugar? – murmurou Bruna, em uma voz mais audível.&lt;br /&gt;— Shhh – pedi, com o dedo cobrindo a boca, voltando para Pedro – E os dois?&lt;br /&gt;— Vamos falar com Victor – sussurrou, depois virou-se para Bruna. – você, Lílite e Paula falam com Letícia, obviamente.&lt;br /&gt;Mudei de lugar com Bruna, e Lílite, que estava entre Pedro e André, veio para o lado das garotas. Silenciei meus movimentos para não chamar a atenção de Victor ou Letícia, que sentavam na fileira da frente. Chamamos Victor. Não foi preciso que eu desse sugestão alguma, apenas murmurei “Vá em frente!”, enquanto era quase claro os “sussurros altos” do grupo das garotas. Victor pôs-se a pensar novamente, enquanto fitava intensamente os fios lisos de Letícia, enquanto acariciava sua franja, rindo, corando. Algo que era possível notar-se de longe.&lt;br /&gt;— Você gosta dela, não? – incentivou André, o jovem ainda não citado, de pele clara e cabelo oleoso.&lt;br /&gt;— Está na cara – disse, fitando agora o chão. Dava-me pena. Seria impossível que ele amasse Letícia tanto quanto eu amava Bruna, mas ele era mais fraco e mais inseguro. Senti o orgulho subindo até meu cérebro, estampando-se em minha testa.&lt;br /&gt;E então, as garotas pararam. Letícia fitou Victor, depois ambos desviaram o olhar em uma sincronia perfeita. Rimos em deboche.&lt;br /&gt;— Tudo bem, eu vou.&lt;br /&gt;Nosso coro de aclamação juntou-se ao das meninas, provocando irritação às pessoas que queriam assistir ao filme. Ignorei, empurrando Victor para o lado direito, onde os bancos estavam vazios.&lt;br /&gt;— Vai! – murmurei com firmeza.&lt;br /&gt;Letícia logo o seguiu, com a mão em sua face, provavelmente rindo de tanta timidez. Recostei-me novamente no banco, enquanto observava o mais novo casal sentando-se um pouco distante de nós.&lt;br /&gt;Logo depois, percebi que suas bocas encontraram-se. Um envolvera o outro em um doce abraço, bastante desajeitado, porém. Não resisti e gargalhei, comentando da falta de prática de ambos.&lt;br /&gt;Então relaxei.&lt;br /&gt;Pousei meus agitados olhos na tela, onde uma cena monótona rodava. A falta de luz deixava o ambiente tranqüilo e intimidador. Bruna entretia-se com o celular em mãos, e ocupei a maior parte do tempo fitando seus olhos baixos, percorrendo a tela de seu aparelho.&lt;br /&gt;Como eu queria que a cena de Victor e Letícia, ainda aos amassos, repetisse comigo.&lt;br /&gt;Tentei concentrar-me no filme novamente, mas era sem possibilidade alguma. Filmes de ação por mim não deveriam ao menos ser gravados.&lt;br /&gt;Enquanto agarrava mais pipoca, meus olhos encontraram uma turma de jovens barulhentos, que passavam pela porta e agora caminhavam em nossa direção. Gritavam e riam irritantemente, e meu conforto pós-missão cumprida dissipara-se.&lt;br /&gt;O grupo ajeitou-se na fileira lateral, onde as conversas em volume ensurdecedor só aumentara. De nada adiantara as reclamações das demais pessoas, eles apenas curtiram ainda mais o momento.&lt;br /&gt;Em torno de dez pessoas compunham as agitadas fileiras laterais. Fitei meus amigos, cada um, nos olhos, fazendo caretas de desprezo, enquanto tentava relaxar novamente.&lt;br /&gt;Foi então, que os dez adolescentes observaram à sua volta, e comentaram alto, quase a ponto de podermos ouvir.&lt;br /&gt;Dois deles, altos, fortes e que vestiam roupas largas, puseram-se de pé e caminharam em nossa direção. Gelei. Não bastasse que fizessem barulho? Obviamente, pelo meu cérebro já adaptado aos interesses da puberdade, já imaginara o que os dois garotos fariam aqui.&lt;br /&gt;Pararam diante de Bruna, agachados.&lt;br /&gt;— Oi – sussurrou um deles, o mais alto.&lt;br /&gt;Bruna suspirou, irritada, assentindo ao cumprimento. Fitou rapidamente os dois garotos, e colocou-se a mexer novamente no celular, inquieta.&lt;br /&gt;Cerrei meus punhos; estaria pronto para interferir quando Bruna precisasse.&lt;br /&gt;— Então, meu amigo aqui quer conversar com você – disse o mesmo, enquanto apontava ao menino mais baixo, mas ainda maior que eu. Sorriu maliciosamente.&lt;br /&gt;E, então, Bruna virou a cabeça em minha direção. Fitou-me com desespero.&lt;br /&gt;— Eu... estou com ele – murmurou, com incerteza na voz. Hesitou. Gesticulou para mim.&lt;br /&gt;Sorri sem mostrar os dentes, passando o braço por seu ombro.&lt;br /&gt;— Ah, duvido! – exclamou ainda o mesmo garoto, com segurança. Mentíamos tão mal que era vergonhoso. – vocês não estavam abraçados!&lt;br /&gt;— E daí? Estou com ela – afirmei, criando coragem. Queria que logo fossem embora, não suportava pessoas insistentes.&lt;br /&gt;— Então prove! – parecia que o garoto estava ali para me atazanar, enviado de alguém que sabia minha história.&lt;br /&gt;Irritado, virei a cabeça sem pensar.&lt;br /&gt;Toquei de leve a bochecha de Bruna, enquanto avançava sobre ela.&lt;br /&gt;No começo, sua mão tentou empurrar-me, o que provocou risos dos dois garotos.&lt;br /&gt;— Eles não estão juntos coisa nenhuma – finalmente falou o outro garoto. Quis rir de sua voz, daquelas que caracterizam o começo da adolescência. Mas não importara, rocei meus lábios nos de Bruna, teria que aproveitar o momento. Os seus, rígidos e volumosos lábios não retribuíram, mas senti uma palpitação acelerar, vinda de seu peito.&lt;br /&gt;Sua mão forçara contra mim, o que me fez parar. Virei aos dois garotos, que nesse instante estavam ao pé de Paula.&lt;br /&gt;Comecei a rir, sem graça. Pousei a cabeça nas mãos, pensando no que acabara de fazer. Estava pirando, era impossível!&lt;br /&gt;No entanto, não ouvi som algum de Bruna.&lt;br /&gt;— Acha engraçado? – sussurrou a voz fria.&lt;br /&gt;Levantei a cabeça. Bruna olhava-me sem acreditar em meu riso.&lt;br /&gt;— Viu o que eu faço por você? – segredei, enquanto repousava as costas no banco reclinável. Sentia-me satisfeito.&lt;br /&gt;— Não precisava ter feito isso! – ela pareceu irritada. Ignorei.&lt;br /&gt;Incrível como um beijo orgulhava-me tanto.&lt;br /&gt;— Eles te deixaram. Você tinha que me agradecer – falei, enquanto apanhava uma mão de pipoca.&lt;br /&gt;Bruna não respondeu. Repensei no que havia feito.&lt;br /&gt;Realmente, foi um fato que apenas um maluco apaixonado faria. O silêncio permanente cutucou meu orgulho, deixando o clima tenso.&lt;br /&gt;— Obrigada – murmurou, com ingratidão, mas rendendo-se.&lt;br /&gt;Sorri.&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 0cm; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;color:black;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style=";font-family:'Lucida Grande';font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="line-height: 20px;font-size:12;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style=";font-family:Georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="line-height: normal;font-size:16;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:13;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="color: rgb(107, 107, 107); line-height: 20px;font-family:'Lucida Grande';font-size:12;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-7-refugio.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-9-decisao.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-8291988166520293609?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/8291988166520293609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-8-cinema.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/8291988166520293609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/8291988166520293609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-8-cinema.html' title='Capítulo 8 - Cinema'/><author><name>laís hiromi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11671453086715003340</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sld-xnFUN2I/AAAAAAAAAE8/QbWler3jbG8/S220/(35).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sk4rIUxF10I/AAAAAAAAAE0/H3ymnxB7wSM/s72-c/Cinema.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-637423118518075618</id><published>2009-06-21T16:30:00.010-03:00</published><updated>2009-07-26T02:08:45.314-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 7 - Refúgio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sj6L3uGaeZI/AAAAAAAAAEg/GPSo2YhKnI0/s1600-h/Amizade.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 167px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sj6L3uGaeZI/AAAAAAAAAEg/GPSo2YhKnI0/s400/Amizade.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5349867196746725778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O passado já não importa mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;As contraditórias extravagantes, hipócritas e inúteis foram apagadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os que permaneceram, francos e leais, dominavam meu álbum de recordações.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu olhar intrigava-me. Promovia complexos auspiciosos e, ao mesmo tempo, ridiculamente genuínos.&lt;br /&gt;O par de olhos esverdeados, tom de musgo, fitou-me com gratidão, simpatia e se encontravam nervosamente ansiosos. Enquanto um sorriso aberto e involuntário estampava-se em minha face, agora desenvolvida e com pequenos vestígios de pêlos crescendo, outro par de olhos dolorosamente lindos, com o brilho prateado e ingênuo, contemplava-me com desprezo e raiva. “Obrigada, Guilherme, não sei o que faria se você não tivesse passado-me a matéria”, disse a dona do par de olhos verdes. “Não há de que”, sussurrei, com o sorriso ainda permanente em meu rosto.&lt;br /&gt;O par de olhos de cor fúnebre clara, no entanto injustamente sedutor e magnífico desviou-se para a direção contrária, lutando para não acabar nos meus.&lt;br /&gt;— O que há, agora? – indaguei, mas sabia do que se tratava.&lt;br /&gt;— Preciso repetir? – disse Bruna, com rispidez. Às vezes, a beleza resplandecente de seu corpo, somando à de seu rosto não era o suficiente para manter-me longe da Terra.&lt;br /&gt;— Não, porque já sei de cor, picotado e ao contrário – murmurei com sarcasmo. – Apenas não precisa agir assim perto dela. E ainda não me conformo como você consegue ser tão descontrolada.&lt;br /&gt;— Descontrolada? – cuspiu ela, com repulsa. – Não sou obrigada a gostar de ninguém, muito menos dela!&lt;br /&gt;— Ela nada te fez.&lt;br /&gt;— Ela roubou você de mim – sussurrou, levando em sua voz baixíssima, a ingenuidade que eu apreciava, mas não a brincadeira que eu gostava. Parece que nunca falara tão sério.&lt;br /&gt;Forcei uma risada convincente.&lt;br /&gt;— Ainda sou seu – declarei, abrindo outro sorriso, mas diferente. Não tão espontâneo.&lt;br /&gt;Seu corpo agora não era mirrado, pálido e frágil, como há poucos meses. Neste período, Bruna alcançara os seus orgulhosos 1,69 cm, enquanto eu cheguei aos 1,74 cm. Meu aniversário estava perto. O começo da adolescência dera a ela argumentos para vencer em questões físicas. Ganhei também concorrência, pelos inúmeros meninos que se arrastaram a ela em sete meses. Não só nossa estatura, mas como juntamente nossos dons naturais aperfeiçoaram-se. Passei a desenhar em estilo japonês, tocar violão e viciar em jogos de lógica e estratégia. Bruna ganhou facilidade no piano, porém não foi preciso melhorar o que era perfeito: o violão em seus dedos. Ela também exibiu ao público o poder de sua voz na primeira apresentação musical de teatro, impressionando a todos. Mas eu sempre ouvira sua voz em prática na melodia, no entanto ainda não me acostumei.&lt;br /&gt;Abracei-a, tocando meus lábios grossos em sua testa, como era de costume fatal executar.&lt;br /&gt;— Não mais – segredou, com as mãos presas ao fichário preto. – E não é mais um motivo para eu ficar melancólica ou apresentar o começo de TPM, é a mais pura verdade. Basta observar seus gestos quando fica perto de Mariana.&lt;br /&gt;Criei costume de ouvir isto quase toda semana. Revirei meus olhos, fingindo não ouvir enquanto ela balbuciava e apanhava alguns livros em seu armário com superlotação de adesivos:&lt;br /&gt;— Você pode até me ignorar, mas sabe muito bem da verdade.  Prometeu daquela vez que ia me avisar quando aparecesse alguém. Não me avisou. As meninas que sempre gostaram de você. Não me avisou. Também tem...&lt;br /&gt;Calei-a enquanto dizia em voz baixa:&lt;br /&gt;— Você fica linda até reclamando.&lt;br /&gt;Ela me bateu com o fichário pesado.&lt;br /&gt;— Ai! – exclamei, enquanto gargalhava.&lt;br /&gt;Sua silhueta perfeita, moldando a regata branca de listras pretas em seus seios volumosos e a calça jeans em suas coxas espessas, caminhara de volta à aula, com a expressão de incompreensão no rosto.&lt;br /&gt;Agarrei seu pulso antes que ela pudesse por os pés na classe, girei seu corpo e o prendi na parede, que agora era muito mais fácil com minha força a mais. Seus lábios separaram-se para protestar, mas acabei enchendo suas bochechas rosadas de calor por beijos. Gostaria de poder selar também seus lábios, mas não foi possível, de novo. Trouxe à tona meu lado sedutor, enquanto roçava meus lábios úmidos em seu rosto, prendendo seus pulsos contra a parede. Não me alterei ao pensar nos alunos que ali passavam, afinal já estariam acostumados com aquela repetitiva cena.&lt;br /&gt;— E agora, mulher? – sussurrei em seu ouvido, enquanto deixava passar os palavrões por ela falados em voz alta e clara.&lt;br /&gt;— Te odeio – gargalhou ela. O riso de cristais se encontrando de leve.&lt;br /&gt;— Vamos entrar.&lt;br /&gt;As aulas, agora, davam de mão beijada o convidativo tédio e a vontade de desenhar cada vez mais. Esboçar tornara-se uma obsessão. Não era de minha vontade aprender a enciclopédia sobre Pitágoras ou coisa parecida. Acho que poderia montar também uma enciclopédia no final do ano, mas apenas de desenhos. Apostei com Pedro que eu poderia comprar cinco livros com o dinheiro gasto com os lápis e papéis.&lt;br /&gt;Enquanto fazíamos as tarefas monótonas e inúteis, Bruna murmurou:&lt;br /&gt;— Ela está te olhando.&lt;br /&gt;Levantei a cabeça em sua direção, depois seguindo a direção de seus olhos. Corei. Mariana sorria intensamente, obrigando-me a sorrir também, enquanto a pele de meu rosto ardia.&lt;br /&gt;— Pelo visto o beijo de ontem deve ter sido muito bom – riu Bruna, mas pude notar uma pequena nota de agonia em sua voz baixa. Depois, processei o que ela dissera. Congelei.&lt;br /&gt;Minha lapiseira escapara da mão, encontrando o chão. Disfarcei meu rosto que ardia mais intensamente, buscando pela lapiseira. Como ela descobrira? Eu não havia contado para ninguém, a não ser para Pedro e Mônica. Jogar sujo para conquistar Bruna seria hipócrita e ridículo. Jogar na cara que eu tinha beijado Mariana ontem, no shopping, não era um comportamento típico de mim.&lt;br /&gt;Mas prometi que iria contar a ela.&lt;br /&gt;Ou não.&lt;br /&gt;Achei a lapiseira, agarrando-a com força, voltando para cima. Respirei fundo.&lt;br /&gt;— Como você sabe disto? – indaguei, voltando a escrever.&lt;br /&gt;— Então é verdade – cortou ela, a voz distante.&lt;br /&gt;— Responda-me, droga – irritei-me.&lt;br /&gt;— Apenas juntei os fatos, Guilherme. Você não estava em casa. Não saíra com Pedro ou Victor. E, de madrugada, Mariana anunciou para quase toda a Internet que fora o dia mais perfeito de sua vida – disse, com aspereza.&lt;br /&gt;— Eu ia te contar – menti.&lt;br /&gt;— Acabou de contar – corrigiu ela, lembrando-me da discussão de sete meses atrás. Fiquei apavorado. Minha caligrafia saiu horrível. — Mas não se preocupe. Conte-me detalhadamente que eu te perdôo – riu ela, alguns segundos depois.&lt;br /&gt;— No final da aula – haviam testemunhas demais. Queria que poucas pessoas soubessem. Retornei minhas mãos no novo rabisco, que ganhava feições organizadas e geométricas. Os doces e curiosos olhos dela passeavam entre o quadro-negro, o professor e meus esboços. Quando o sinal finalmente tocara, Bruna me fez correr porta afora, ao seu lado. Descemos a escadaria até chegar à rua.&lt;br /&gt;— Pode ir contando – disse ela, com um leve divertimento, enquanto ela enterrava suas mãos nos bolsos do jeans. Deixara o fichário no armário, livrando-a de peso. Fiz a mesma coisa, imitando seu movimento.&lt;br /&gt;— Por onde eu começo? – fitei o céu anil com várias nuvens, caminhando lentamente na direção de nosso caminho rotineiro.&lt;br /&gt;— Como marcaram? O que você pensou enquanto se preparava para encontrá-la?&lt;br /&gt;Uma corrente de ar leve balançou alguns fios de meu cabelo, refrescando-me. O calor de verão era intensamente insuportável, então eu optara por regata e bermuda para ser meu novo uniforme. Conforme eu dizia detalhadamente como fora meu domingo, ele todo passou novamente em minha mente, assim como na noite anterior, antes de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O relógio digital do criado-mudo piscou 14:30h. Repassei toda a conversa que tive com Mariana nos últimos dias. Aproximamo-nos tão repentinamente como da vez em que eu soube que ela era apaixonadamente louca por mim. Conversávamos excessivamente sobre quase tudo.  Comecei a dedicar meu tempo para três coisas: desenhos, Bruna e Mariana.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No entanto não havia nada além disto. Ainda preferia a companhia de Bruna, disparadamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas Mariana... conseguia me fazer tão bem quanto Bruna. O mesmo conforto, talvez. Teoricamente impossível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Comecei a me arrumar. Tomei uma ducha caprichada. Penteei o cabelo com gel, troquei o adorno do piercing. Selecionei uma camiseta de marca, uma bermuda cáqui e a corrente de prata que Pedro me dera. Os tênis brancos grandes. Relembrei de meu corpo há meses atrás. Realmente, eu havia mudado. Alguns poucos músculos surgiram em meus braços, minha barriga se alisara. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcamos para as três e meia. Eu tinha um pouco mais de meia hora de tempo aberto, reservado para refletir. Despedi-me de minha mãe e Mike, pegando o ônibus para o shopping. Não era longe, mas não estava afim de caminhar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No caminho, pus-me a pensar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Estaria magoando Bruna? Aparentemente não, pois do mesmo modo de como ela se punha irritada com Mariana, ela voltava ao seu humor bom e risonho, perguntando da mesma. Um comportamento bipolar, talvez? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Consegui assumir há pouco tempo que estava trocando meu tempo com Bruna, deixando-a de lado quase que pela metade. Mariana fazia parte de minha rotina de socialização.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E Bruna, esperava por mim. Não como eu gostaria, mas estava sempre ali.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A silhueta magra aparecera no horizonte do shopping, e enterrei meus pensamentos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mariana realmente mudara, não como Bruna e eu, mas totalmente, tanto no físico quanto em mentalidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Emagrecera a ponto de a chamarem de anoréxica; hidratara o cabelo, alisando-o. Pintara também de um castanho claro. Passou a usar lentes, a ter roupas mais modernas. Aquilo chamara a atenção da escola toda. Creio também que até Bruna, que antes poderia ser não apenas para mim, mas a mais linda de todas, ganhara uma pequena concorrência. Claro que Mariana nada era comparada à Bruna, mas parecia que esse tipo de competição ocorria todos os dias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não queria que fosse visto com ela no shopping central, então combinamos em um quase vazio. Isto porque todos sabiam da paixão de Mariana por mim, e iriam rotular-me apenas porque aceitei “ficar” com ela, com sua mudança drástica. Não era verdade. Obviamente isto influenciou, mas sua mentalidade compunha noventa e nove porcento de minha mudança de pensamento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Toquei meus lábios em sua bochecha magra, fazendo-a corar. Caminhamos lentamente, com uma certa intimidade, aliviando-me. Pronunciávamos as palavras de forma descontraída e divertida, sempre fazendo piadas. Paguei um sorvete a ela, caminhamos de novo. Ela demonstrou interesse ao passar em uma loja com aparelhos eletrônicos, então observamos atentamente os produtos. Andamos por vários corredores cercados das mais diversas lojas, enfim chegamos ao maior deles, com a parede lateral e a do final de vidro. Extremamente possível enxergar tudo o que se passava do outro lado do shopping, inclusive a paisagem que emanava o fundo, composto por uma enorme floresta de pinheiros e alguns morros. Apesar da paisagem tipicamente gélida, eu sabia que lá fora o calor era quase mortal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Mariana passou a mão em minha cintura, largando seu braço ao redor.    &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Amo esta paisagem. Toda vez que venho, fico horas admirando-a.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Vim poucas vezes aqui, e também adoro – era verdade. Um refúgio pouco freqüentado, infelizmente. Paisagem calma, confortante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No instante, para realizar meu inferno emocional, Bruna retornou à minha mente. Merda, estava ótimo sem ela me perturbar daquele jeito. Eu estaria fazendo a coisa certa? Já não havia decidido que não perderia as oportunidades que aparecessem, mas esperaria eternamente por ela?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mariana me fazia feliz. É certo, não tão como Bruna, uma coisa indiscutível. Porém ela era meu outro tipo de conforto, um talvez que envolvesse apenas a mais pura amizade. Como um prazer de viajar com os melhores amigos, ou acordar em uma manhã ensolarada, em algum sítio com piscina, lotado de amigos. Ela causava a agradável sensação de eu ter milhões de amigos sinceros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por que não, então, tentar? Não me custava. “Aproveite”, sussurrei mentalmente para mim mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Fitei o rosto de Mariana, agora tombado em meu ombro. Seus olhos de esmeralda brilhavam intensamente, um verde líquido, ofuscante. Eles encontraram os meus, cinzas claro.  Pelos olhos, poderiam me confundir como irmão de Bruna. Mas sempre duvidei que os meus tivessem o mesmo brilho que os dela. Apenas tinham traços ondulares que variavam de cinza escuro à cinza claro. Este par inutilmente expressivo, obrigara minha boca se contrair em um enorme sorriso. Mariana o retribuiu, com seus lábios cheios e avermelhados se esticando. Ela observou o contorno de meus lábios, que murchou o sorriso enquanto meu rosto ardia de calor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Puxei sua cintura para a minha, e toquei seus lábios com os meus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    No começo, as emoções chegavam uma a uma, porém tão rapidamente que tremi meu corpo. Mariana o apertou forte, para mantê-lo ali. Eu não tinha a intenção de fugir. Tinha o propósito de permanecer, até que alguma parte de meu corpo se sentisse totalmente preso à Mariana, como meu corpo inteiro sentia-se prisioneiro perpétuo de Bruna. Ao menos, então, haveria uma chance de competição. Mas nem isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lutei para que minhas mãos encostassem em seu corpo. Acariciei então, seu rosto, roçando os lábios nos seus. A outra mão apertou sua cintura, enquanto ela entregava-se como ninguém, a mim. Forçou sua própria língua invadir minha boca, coisa que tive muito receio para que acontecesse. Então, enxerguei apenas um modo de poder fazer Mariana feliz por um momento, aproveitando a situação. Por mais ridícula e contraditória que fosse a idéia, daria certo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mentalizei Bruna novamente. Seu corpo. Seus lábios. Seu jeito. O modo como entregava-se. Aos poucos, relaxei e estava com Bruna totalmente em mente, meus olhos cerrados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lentamente, fui enfraquecendo o beijo. Um sorriso final nos dois rostos me satisfez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Te amo, Guilherme – murmurou ela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não pude responder; só responderia se fosse para retribuir. Para que mentir? Mortifiquei o sorriso, reduzindo-o para uma elevação do canto da boca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — É, não precisa responder – continuou, fitando agora o vazio. Ela conhecia muito bem meus sentimentos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Toquei seus doces lábios novamente, finalizando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao terminar de contar, mais surpreendente foi a reação de Bruna.&lt;br /&gt;— Hmmm – emocionou-me ela, com seu comentário mais do que produtivo.&lt;br /&gt;— Argh, Bruna. Conto que beijei uma menina e você fala isto?&lt;br /&gt;Nenhum ruído.&lt;br /&gt;— Você gostou? – indagou ela, fria e distraída.&lt;br /&gt;Sua voz intrigante fisgou-me. Eu havia mesmo gostado?&lt;br /&gt;Obviamente, tão obvio até para uma criança, que não se comparou nada com aquele único beijo que realizou minha vida no aniversário de Marília. Mas... Mariana me dera o aconchego e a sensação boa que Bruna nunca estava disposta a dar. Bruna nunca se entregara como ela. No entanto, isto importava?&lt;br /&gt;— De certo modo – falei a verdade, enquanto abria a porta de casa. Bruna esperou todo aquele ritual diário de cumprimentar quem estivesse em casa, deixar a mochila em meu quarto e se trocar para continuar a falar. Poderia pensar o tempo que fosse para falar.&lt;br /&gt;Neste verão, revezamos que um dia iríamos para casa dela, outro dia na minha. Com o calor insuportável, passamos a tarde inteira na piscina. Meus olhos se satisfaziam, afinal eu poderia vê-la de biquíni todos os dias. Ridiculamente fútil, porque não me interessava seu corpo tanto quanto sua personalidade. No entanto, é comum da puberdade sentir mais atração do que qualquer coisa. Poderia valer para mim, mas estava permanentemente certo de que queria ter seu coração, não seu corpo.&lt;br /&gt;Bruna, então, não disse nada mais sobre Mariana. Incrivelmente irônico. Há meses, desejei que ela sequer pensasse em Mariana. Agora, gostaria que Bruna comentasse um pouco mais dela. Talvez, por puro desejo de que ela sentisse ciúmes, ou se preocupasse comigo. Mas nem isto.&lt;br /&gt;Um espirro de água levemente fresca cortou meus pensamentos.&lt;br /&gt;— Vamos chamar Lílite, Pedro, Paula, sei lá. Há uma semana que não nadamos com eles – disse Bruna, com os cabelos úmidos para trás, exibindo seus seios em um biquíni branco estampado.&lt;br /&gt;Liguei para nosso grupo. Particularmente, apenas faltava um nome para nós, e poderíamos montar até uma banda. Mas ninguém realmente quer preocupações, e não são todos que tocam ou cantam. Poderíamos fazer isto pelo simples fato de sempre sermos os mesmos: os oito adolescentes inseparáveis.&lt;br /&gt;Uma pequena festa em plena segunda-feira.&lt;br /&gt;Sempre preferi deixar as festas para os fins-de-semana. Por mim, passaria todos os dias do verão escaldante competindo o nado mais veloz, admirando o modo como ela, Bruna, cochilava, apanhando sol. Eu sempre a assistia, do lado de dentro, na piscina. Ela adormecia sob o sol lá fora, junto ao jardim. Dividindo as bebidas inventadas pela boa e paciente Mônica, que muitas vezes chegava exausta pela noite, querendo um refresco junto a nós.&lt;br /&gt;Mônica estava exercendo sua função lealmente, enquanto avaliava com a atenção natural das mulheres os diversos casos daqui, Verone City. Nenhum homicídio, apenas pequenos furtos e roubos. Obviamente, Verone City era boa demais para ocorrer crimes como estes. Voltava exausta, pois muitas vezes tinha que ir à própria residência do culpado. Isso consumia paciência e compreensão de sua parte, mas nada impedia que ela voltasse amistosa e feliz. Encontrar seu filho e sua futura namorada mais seus melhores amigos reunidos num coro de risada na piscina de casa, para ela não era ruim. Pelo contrário.&lt;br /&gt;E eu creio que nenhuma mãe chega a ficar tão encantada como a minha, quando se vê uma cena desta. Não é por acaso que eu a chamo pelo nome, Mônica. Como se fosse uma amiga, a melhor de todas. Talvez uma irmã a qual não se briga jamais. Não uma mãe.&lt;br /&gt;Boa demais para ser mãe.&lt;br /&gt;Como se era esperado, Mônica chegou, exausta e transbordando de alegria ao ver meus amigos e eu, mergulhados na piscina coberta de casa. Imediatamente, preparou oito copos de suco de abacaxi com pêra, entregando-nos sem cerimônia. Quis juntar-se à festa, mas preferiu tomar banho e cair inconsciente na cama. Assenti.&lt;br /&gt;Nossas férias estavam se aproximando. Viajar ainda não estava em nosso roteiro. Não seria enjoativo muito menos incômodo para mim passar todos os dias como se fossem normais, com aula. A tarde toda na piscina, a pele escurecendo de tanto sol, desde que seja ao lado de amigos, e em especial, de Bruna.&lt;br /&gt;Mariana não fazia parte de minhas férias. Nunca fora, por que seria agora?&lt;br /&gt;Não perturbaria a ela passar um mês sem me ver. Não perturbaria a mim.&lt;br /&gt;— Não se esqueça que ela ama você – sobressaltou Pedro, depois de eu ter lhe dito meus pensamentos em voz baixa. Sua voz sublinhou a palavra ama.&lt;br /&gt;Pensei melhor.&lt;br /&gt;— Se ela pudesse, pediria você em namoro – completou ele, sugestivamente, enquanto brincava com a água.&lt;br /&gt;— Eu não aceitaria – respondi de imediato.&lt;br /&gt;— Como pode saber? Você mesmo disse que não é a mesma coisa em relação à Bruna – murmurou ele – É óbvio que não. Mas ela serve como conforto, como um pequeno refúgio. Por enquanto.&lt;br /&gt;— Não quero iludi-la. Já praticamente joguei sujo, por ter beijado Mariana.&lt;br /&gt;Ele me encarou feio.&lt;br /&gt;— Você diz que não quer iludi-la e fala que a beijou para jogar sujo com Bruna? – sua voz subiu um tom. Joguei água em sua cara, fazendo-o rir.&lt;br /&gt;— Por esse e outros motivos – completei.&lt;br /&gt;— Não te entendo. Definitivamente não.&lt;br /&gt;— Nem eu entendo você e Lílite – ri sarcasticamente, relembrando de todo seu histórico com a ruiva cacheada. Lílite gostava de Pedro não como amigo apenas. Disse à Bruna que “ficaria” com ele.  Prometi guardar o segredo, mas sempre joguei indiretas. Para provocá-lo, afinal Pedro percebera isto da própria ruiva. Ele, confuso e cômico como era, já a beijara antes. Mas não gostava.&lt;br /&gt;Ironia do destino.&lt;br /&gt;— Não é necessário entender. Ela gosta de mim. Mas não correspondo. Beijei-a por carência. Simples, não? – irritou-se. Não era bom em expressar sentimentos como aquele, ao menos para mim.&lt;br /&gt;E, realmente, meu caso era mais complicado. Eu simplesmente não avançava um passo com Bruna por medo de estragar tudo construído até agora.&lt;br /&gt;A ferida que eu poderia causar tinha pouca chance de cura. Isso provocaria muito mais dor em mim do que nas duas semanas em que brigamos, há meses. Porque, de fato, a ferida iria durar muito mais do que duas semanas para se curar.&lt;br /&gt;Talvez anos.&lt;br /&gt;Estremeci com a idéia, mergulhando fundo na água. Era um bom modo de entorpecer-me. Embaixo dela, não me preocupava com os problemas. Prendi a respiração e rodei pela piscina, inúmeras vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-5-promessa.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/07/capitulo-8-cinema.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-637423118518075618?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/637423118518075618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-7-refugio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/637423118518075618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/637423118518075618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-7-refugio.html' title='Capítulo 7 - Refúgio'/><author><name>laís hiromi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11671453086715003340</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sld-xnFUN2I/AAAAAAAAAE8/QbWler3jbG8/S220/(35).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sj6L3uGaeZI/AAAAAAAAAEg/GPSo2YhKnI0/s72-c/Amizade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-1806867493839127231</id><published>2009-06-09T00:01:00.009-03:00</published><updated>2009-08-02T12:20:37.970-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 6 - Reconciliação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Si3QzOWAozI/AAAAAAAAADw/l0x4ZOhRG28/s1600-h/Dois+ursos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 307px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Si3QzOWAozI/AAAAAAAAADw/l0x4ZOhRG28/s320/Dois+ursos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345157911200965426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Então, novamente eu brigara com Bruna.&lt;br /&gt;Tecnicamente, não fui eu que começara. Apenas fiquei perplexo com aquela pergunta e sua explicação.&lt;br /&gt;O nó em minha garganta começou a me engasgar, deixando-me sem ar. A agonia presente na hora crescera conforme eu fechava a porta de meu quarto depois que ela saiu.&lt;br /&gt;Lutei contra todas as lágrimas de meu lado ridículo, insuportável e sensível demais, e consegui me controlar. Respirei muito fundo por alguns minutos, e consegui manter a calma. Parcialmente.&lt;br /&gt;Mônica não ousou me incomodar, ouvindo a briga quase de camarote. Ouvi seus passos hesitantes próximos a porta, no silêncio da noite. Mike dormia ainda tranqüilamente, sem se alterar no meio da discussão, mexendo-se apenas uma vez. Menos mal, se ele tivesse acordado para me aconselhar novamente como fiz na semana passada, eu teria liberado todas as lágrimas. E daria liberdade para meu lado que eu detestava amargamente.&lt;br /&gt;Liguei o computador. Estava rápido, não dando tempo para eu pensar novamente no assunto. Abri minha página pessoal, vários recados. Nenhum tirava minha atenção do tédio.&lt;br /&gt;O tédio que dominava minha mente durante meu tentar de afastar os pensamentos ruins. O tédio era mil vezes mais deprimente que a agonia, mas eu não estava com a mínima vontade de lacrimejar. Ainda mais por motivos escrupulosos como aquele.&lt;br /&gt;Abri a pasta de músicas. Passei o cursor por alguns arquivos, ajustei o botão de volume do som de alta qualidade para baixo. Abri uma página qualquer da Internet, procurando vagarosamente o que fazer.&lt;br /&gt;Não. Não seria o suficiente.&lt;br /&gt;Eu sabia que se repousasse meu corpo na cama ao lado, seria inútil e só favoreceria o que eu estava tentando evitar. Para tentar apagar, eu pensaria seriamente na situação que havia acabado de acontecer. Ajudaria a fazer com que água salgada saísse de meus olhos.&lt;br /&gt;Desci as escadas. Concentrei-me nos degraus, fitando minuciosamente as bordas clareadas, fugindo do tom padrão, marrom carvalho.&lt;br /&gt;Corri para a despensa, passando o dedo pela parede lisa. Concentrei-me totalmente em todos os meus gestos, fitando as partes do meu corpo. Na despensa, procurei pela estante de remédios. Uma embalagem de faixa vermelha chamou minha atenção, com um nome indecifrável. Abaixo, ‘antidepressivo’. Apanhei-o, abrindo o pacote.&lt;br /&gt;Não li o rótulo. Muito menos a bula. Não seria necessário.&lt;br /&gt;Engoli dois pequenos comprimidos brancos e redondos, tendo em mente: “Isso é para meu próprio bem. Pode ser que eu esteja agindo do mesmo modo que meu lado ridículo agiria, mas pelo menos, nenhuma gota caiu de meus olhos.”&lt;br /&gt;Voltei ao meu quarto, batendo os olhos em dois minúsculos ursos de pelúcia, de mãos dadas, em cima da escrivaninha. “Simboliza nossa amizade” pude ouvir a voz doce e intrigante que eu queria excluir de minha mente. Caminhei até os bichos e os atirei para debaixo da mesa.&lt;br /&gt;Retornei para minha cama, de edredom escuro e lençol sombrio. As luzes se dissipavam em minha mente, como se alguma criatura invisível estivesse tirando a cor de cada objeto. Fechei os olhos, sem muito lutar, concentrado apenas em ficar desacordado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus olhos me encontraram de novo, fazendo o sangue subir para meu rosto. Corei vergonhosamente. O par de olhos cinza-claros com pequenos traços azuis, sem vida e humor, fitou o chão da sala de aula e voltou-se para o professor alto e cômico.&lt;br /&gt;Peguei a caneta de tinta negra e rabisquei espirais por uma folha de papel qualquer.&lt;br /&gt;Quando o sinal familiar e irritante soou pelo corredor grande e amplo do colégio, corri para fora sem olhar para trás. Papéis brancos como neve e lápis de ponta fina esperavam por mim na escrivaninha preta de meu quarto, para serem usados.&lt;br /&gt;Até duas semanas atrás, eu sabia que meu dom mais forte eram os desenhos. Depois que parei de falar... com ela, os rabiscos aperfeiçoados que saíam em constante criatividade de minhas mãos, tornaram-se meu principal passatempo durante todos os dias.&lt;br /&gt;Uma nova rotina se formara.&lt;br /&gt;No colégio, eu atirava toda a minha atenção em quaisquer aula, fosse ela química ou francês. Passava o intervalo sozinho, na sala de aula, jogado dentre os papéis de rascunho, lotados de caricaturas de todas as coisas imagináveis. Mas nada que relacionasse à Bruna. Meus amigos, ou aqueles que eu poderia chamá-los de amigos, tentaram me reanimar nos dois primeiros dias. Depois, cessaram do desespero cada qual a seus costumes.&lt;br /&gt;Pedro foi o único que sofria junto comigo. Não ousou aconselhar-me de que eu devia pedir a ela meu profundo e sincero perdão, mas seus olhos sempre viravam-se contra os meus querendo dizer o que eu temia. E meu orgulho dominava e feria.&lt;br /&gt;E o que mais sangrava nisto tudo, é que ela pedira a mim para ajudar a lhe suturar, quando eu fosse embora, pelo menor tempo que fosse.&lt;br /&gt;Uma situação insignificante e amena, para quem acompanhasse de longe. Paula, Letícia e Victor, por exemplo, não entendiam o vínculo forte que eu possuía com Bruna. Logicamente, nosso grupo casual era extremamente interligado, como uma gangue. Repartíamos segredos, conversas, nada era escondido. Sete pré-adolescentes que tinham conhecimento de todos os meus podres, todas as minhas dificuldades como de vantagens e qualidades. Menos uma, apenas uma. Pedro não se encaixava nela. Pedro e seus cachos quase oliva, alto, monstruoso e ridiculamente palhaço. A expressão de dor ao entrar na sala de aula e me encontrar de cabeça baixa, riscando o papel branco, era estranha em seu rosto oval e comprido. Todos os quatorze dias, ele voltava mais cedo do intervalo para olhar meus desenhos. Nada que o chamasse atenção. Neles, incluíam-se pequenas folhas, flocos de neve, raios de sol que atravessavam nuvens esburacadas, rosas negras. Gotas de água detalhadas, pingos espalhados em um pedaço de calçada.&lt;br /&gt;Cheguei em casa, habitualmente cumprimentando minha mãe e a empregada Belinda de forma tediosa e exausta. Deixei meu casaco de final de inverno em cima da poltrona, coisa que as duas odiavam. Subi as escadas de dois em dois, atirando-me na cama fria e macia que encontrei no canto de meu quarto. Coloquei as mãos sobre o rosto, tampando o que eu não queria ver. Porém, a escuridão só me possibilitou de enxergar mais do que eu devia.&lt;br /&gt;Minha consciência finalmente lutava contra o egoísmo e o orgulho nato que dominara os quatorze dias. Se Bruna não quisesse se desculpar, eu não poderia fazer nada.&lt;br /&gt;E eu sabia que não era ela quem tinha que se desculpar.&lt;br /&gt;Afoguei todo esse pensamento contraditório nas águas profundas da insanidade, e entrei em inconsciência.&lt;br /&gt;O pior pesadelo que tive na vida estava acontecendo. E no sentido literário.&lt;br /&gt;Bruna estava distante de mim, porém na mesma posição. De pé, linda, exuberante, reluzente. Tentei me aproximar dela, mas os passos eram em vão. A cada movimento meu, ela se afastava, com a expressão que nunca vira nos inacreditavelmente doze anos que a conhecia. A de ódio mortal.&lt;br /&gt;— Bruna - chamei, ao murmúrio.&lt;br /&gt;Ela não respondeu.&lt;br /&gt;Corri em sua direção. Ela fugiu mais uma vez de minha presença, correndo mais rápido que eu, incansavelmente, misticamente sem se cansar. Debrucei-me sobre os joelhos, ofegante. Era um sonho, como não pude distinguir?&lt;br /&gt;Então, ela parou ao lado de uma silhueta incomparavelmente menos perfeita que a dela. Quando me aproximei, aos passos pesados, a silhueta defeituosa virou-se para me encarar.&lt;br /&gt;— Não sou eu quem te quero - sussurrou a voz doce e fria.&lt;br /&gt;A silhueta reconhecível agora, idêntica a de Mariana, caminhou em minha direção, enquanto a imagem de quem eu queria dissipava-se. “Bruna!” gritei, mas foi inútil. Andei na direção oposta à Mariana, parando quando Bruna sumiu totalmente. Ajoelhei, perplexo. Mariana retornou, agarrando minha mão e ajoelhando-se também, passando a outra mão sobre meus cabelos.&lt;br /&gt;Levantei-me rapidamente demais para continuar estável. Ofeguei desesperadamente, enxergando apenas a escuridão.&lt;br /&gt;Havia acordado. As luzes aos poucos foram se encaixando, dando coesão ao ambiente. Pela janela, enxerguei o cinza claro pairando no céu, formando uma grossa camada de nuvens. Senti-me claustrofóbico. Próxima de mim, Mônica alertava-se, ajoelhando ao meu lado da cama, no chão.&lt;br /&gt;— Filho, você está bem? - sua voz era urgente.&lt;br /&gt;Não encontrei minha voz para respondê-la.&lt;br /&gt;— Fale comigo, Guilherme. Responda.&lt;br /&gt;No mesmo instante em que procurei em vão por minha voz, ela correu do quarto, também fugindo. Aquilo me assustou ainda mais. Não senti meu corpo, fitando a porta. Mônica atravessou ela novamente, com um copo de água em mãos.&lt;br /&gt;— Tome.&lt;br /&gt;Agarrei o copo, com as mãos tremendo. Engoli o líquido, pesado demais para mim, sem pensar. Quando acabei, Mônica abraçou-me, favorecendo minhas lágrimas.&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;Empurrei seu corpo com força, mas não quis ser rude demais. Corri para o banheiro, debruçando-me sobre a privada. Tossi ferozmente, enquanto a dor arranhava minha garganta, meu estômago e meu peito.&lt;br /&gt;Senti as mãos quentes demais encostarem em meus ombros, esfregando-se suavemente. Não parei de por pra fora tudo rejeitado pelo meu intestino, consumindo cada resto de força.&lt;br /&gt;Quando consegui respirar, arrastei-me até a pia e enxagüei a boca. Tomei outro copo de água, e sentei em minha cama.&lt;br /&gt;— Bruna te ligou - disse minha mãe, com os olhos carinhosos e cautelosos.&lt;br /&gt;Tentei parecer indiferente.&lt;br /&gt;— Prossiga.&lt;br /&gt;— Ela queria falar com você, eu apenas disse que estava dormindo. A voz dela ficou diferente depois que eu lhe informei, acho que ela conhece seus hábitos. Você não dorme à tarde.&lt;br /&gt;Não respondi novamente.&lt;br /&gt;— Melhor? - perguntou.&lt;br /&gt;— Sim.&lt;br /&gt;— Chega de dormir? Ligue para Bruna. Fale com ela, por favor.&lt;br /&gt;Mônica suplicara todos os dias da primeira semana para eu voltar a falar com Bruna. Inutilmente. Meu orgulho ainda feria.&lt;br /&gt;— Depois - eu respondi, por fim, indo para o banheiro novamente, só que mais calmo.&lt;br /&gt;A água do chuveiro acalmou meu estômago, e pôs em prática meus pensamentos. Organizou-os de forma abrangente, favorável. Mas não estava pronto para pedir desculpas. Iria deixar que o tempo resolvesse, se é que eu poderia ser capaz de ficar mais um dia sequer longe dela.&lt;br /&gt;Vesti às pressas as roupas quentes, com medo do que viria a seguir. Eu ligaria, ou não? Talvez não parecesse ignorante e orgulhoso de minha parte se a retornasse, por mais egocêntrico que eu estivesse.&lt;br /&gt;Apanhei o aparelho prata e disquei seu número. Na segunda chamada, ela atendeu.&lt;br /&gt;— Guilherme – ela disse, em um pequeno entusiasmo. Nada que a desmoronasse.&lt;br /&gt;— Por que ligou? – minha voz era surpreendentemente asquerosa.&lt;br /&gt;— Queria saber se posso aparecer aí, amanhã.&lt;br /&gt;Paralisei.&lt;br /&gt;— Para quê?&lt;br /&gt;— Posso ir?&lt;br /&gt;Seria inútil começar uma discussão, então assenti.&lt;br /&gt;— A que horas? – ela cortou meus pensamentos.&lt;br /&gt;— A de sempre – murmurei, por fim.&lt;br /&gt;Ouvi um silêncio incomum.&lt;br /&gt;— Alô?&lt;br /&gt;Nada. Ela desligara. Ela tinha menos coragem do que eu.&lt;br /&gt;Não pediria desculpas facilmente. Então, o que ela faria aqui?&lt;br /&gt;Apertei o botão End e joguei o telefone longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A claridade solar cobria inutilmente toda a neve, dando à manhã um tom mais alegre. Estremeci, sabendo que ela viria naquela tarde. Fui até a varanda de meu quarto, fitando o dia claro e coberto de branco à minha volta. A paisagem vista de meu quarto era inspirante, talvez ela me desse coragem.&lt;br /&gt;O relógio do criado-mudo apitara 10:00h. Olhei-o, inexpressivamente. Mantive as mãos fechadas em punho dentro dos bolsos do casaco branco de moletom. Observei o céu limpo, nenhuma massa branca sobre mim. Assoprei, e o hálito quente produziu uma pequena fumaça branca, que dissipou depois de um segundo.&lt;br /&gt;Percebi, ao olhar sugestivamente para a escrivaninha, que os dois ursos de pelúcia ordinários estavam em seu lugar de origem. Maldita seja Belinda. Queria pedir à minha mãe que deixasse Belinda sem seu salário por um mês.&lt;br /&gt;Mike viera até mim, parando para se sentar ao meu lado. Passei a mão sobre sua cabeça, fazendo seu rabo longo e grosso se agitar um pouco depressa. Ele deitou, e sentei para acompanhar suas costas peluda com a mão. Não, o chão estava frio demais. Levantei-me, voltando para o quarto. Peguei uma folha branca na estante, uma prancheta e meus lápis próprios para desenho e arrastei o tapete quente e espesso para o chão da varanda. Sentei-me, e comecei a esboçar.&lt;br /&gt;Pude ouvir a campainha. Não era capaz de ver quem era da cerca da varanda, então pouco me importei, continuando sentado. Não poderia ser Bruna, afinal ela chegaria às duas horas. Talvez fosse o correio.&lt;br /&gt;Subitamente, Mike saiu de seu descanso e saiu pela porta do quarto. Estranho para mim, ele nunca sairia de meu quarto quente para latir para o carteiro. Voltei a concentração toda para meus esboços, agora já formados. Um céu limpo. Prédios altos, cobertos de neve. Telhados aparentes macios com suas respectivas camadas brancas. Comecei a formar suas sombras habilidosamente.&lt;br /&gt;— Guilherme – murmurou uma voz feminina.&lt;br /&gt;Meus dedos soltaram involuntariamente os lápis, que rolaram pelo chão, parando na cerca. Virei minha cabeça na direção da voz, em choque.&lt;br /&gt;A silhueta que eu temia ver até as duas da tarde me encarava, inexpressiva. Os olhos, muito longe para minha avaliação, aparentavam os mesmos daqueles quatorze dias. Ela parara no batente da porta, com as mãos juntas, próximas ao rosto. A posição que me chamava para acolhê-la, abraçá-la para protegê-la.&lt;br /&gt;Levantei, largando a prancheta. Ela correu para meu corpo imóvel e duro, agarrando-o pelo pescoço e as costas. Enterrou o rosto lívido pelo frio constante em meu peito, acabando-se em lágrimas.&lt;br /&gt;— Desculpe-me, perdoe-me! – implorou ela – Você não é obrigado a me contar nada, a vida é sua e você pode fazer o que você quiser! Perdoe-me, por favor!&lt;br /&gt;Não mexi um músculo.&lt;br /&gt;— Quem tem que pedir desculpas sou eu – sussurrei, porém.&lt;br /&gt;— Por quê? Fui eu a idiota, quem devia ter suplicado por perdão no mesmo dia em que brigamos. Não posso viver sem você, por mais medíocre que seja para isto. Apenas me perdoe – as palavras saíam velozes de sua boca, mas todas formavam um único sentido.&lt;br /&gt;Afrouxei meus braços do lado de meu corpo e envolvi sua cintura firmemente. Deixei escapar duas lágrimas.&lt;br /&gt;— Insisto: sou eu que tenho que lhe pedir perdão, Bruna – murmurei, afundando meu rosto em seu cabelo macio – fui estúpido em expulsá-la daqui, ainda usar o sarcasmo, por favor me perdoe.&lt;br /&gt;Ela levantou a cabeça, fitando-me com os olhos vermelhos e úmidos, mas divertidos.&lt;br /&gt;— Só se você me perdoar.&lt;br /&gt;— Eu te perdôo.&lt;br /&gt;— Eu também.&lt;br /&gt;Toquei os lábios em sua testa, depois ela tocou os dela em minha bochecha, envolvendo-nos novamente no abraço sufocante.&lt;br /&gt;— Nunca mais farei isto de novo.&lt;br /&gt;— Nem eu – eu disse, com sinceridade. – não sabe como foi torturante ficar longe de você, encará-la no colégio dia após dia.&lt;br /&gt;— Foi mais torturante ainda para mim, que pensei todos os dias o porquê de eu ter tentado fazer você prometer uma coisa banal. Mas... foi com sinceridade. Não estou pronta para ficar longe de você.&lt;br /&gt;— Também não. E nunca mais vou agir assim.&lt;br /&gt;Seu rosto abriu um sorriso, um convite tentador para meus lábios. Retribui o sorriso, beijando novamente sua testa.&lt;br /&gt;— Te amo – murmurei, lutando para não corar. Deu certo, e seu sorriso permaneceu.&lt;br /&gt;Ela fitou a prancheta largada no chão.&lt;br /&gt;— Por que veio mais cedo? – questionei, agradecendo por isso.&lt;br /&gt;— Não agüentaria até às duas, e eu sabia que você estaria acordado.&lt;br /&gt;Levantei as sobrancelhas, surpreso.&lt;br /&gt;— O que fez durante minha ausência egoísta, Guilherme? – ela perguntou, divertida, com a prancheta em mãos, batendo um dedo para indicá-la.&lt;br /&gt;— Desenhei. Uma estimativa de cinco folhas por dia.&lt;br /&gt;— Uau – exclamou, elevando as sobrancelhas por um segundo.&lt;br /&gt;Levei-a para dentro, mostrando a pasta cinza em cima da escrivaninha. Ela abriu, avaliando cuidadosamente cada desenho.&lt;br /&gt;— Sabe o que eu fiz durante esses dias? – questionou, virando a todo tempo para me olhar, como se eu cintilasse ao clarão de seus olhos magníficos.&lt;br /&gt;Não tive a mínima idéia. Ela poderia ter feito tudo o que uma garota rica e com uma grande lista de amigos – ainda que verdadeiros – poderia fazer, longe de um amigo chato e infantil.&lt;br /&gt;— Chorei – completou ela, risonha – compus músicas no piano e dormi.&lt;br /&gt;Gargalhei.&lt;br /&gt;— Dormiu? Sabe – peguei suas mãos, livrando-as dos papéis e a fiz sentar em minha cama – acho que faz umas duas semanas de que durmo às duas e acordo às seis horas.&lt;br /&gt;— Hmmm. Isto explica o porquê disto – sussurrou ela, em um timbre doce, acariciando com os dedos minhas profundas olheiras novas.&lt;br /&gt;Houve um breve silêncio; quase pude ouvir seus pensamentos, acompanhando seus olhos vagarem de minhas manchas arroxeadas aos meus olhos.&lt;br /&gt;— Foi difícil – assinalei, observando sua reação. Seu rosto se transformou em uma face angelical de dor, ameaçando sufocar-se em lágrimas novamente.&lt;br /&gt;Envolvi meus braços à sua volta, relembrando cenas mais familiares.&lt;br /&gt;— Está tudo bem agora – afaguei suas bochechas vermelhas e geladas. – Bruna, você não tem noção da temperatura de seu corpo?&lt;br /&gt;— Não quando estou com você – admitiu. Enquanto meu coração tentava se recuperar do derretimento repentino que aquela maldita garota por quem ele se apaixonara causara, Bruna buscava os desenhos e enrolava-se no meu cobertor pesado.&lt;br /&gt;O que era mais odioso é que ela não corava ao dizer aquilo, enquanto eu sentia a pele de meu rosto arder de calor.&lt;br /&gt;Caminhei até a varanda, recolhendo os lápis. Fechei um lado da porta de vidro, pegando a prancheta e indo aninhar-me ao lado de meu amor.&lt;br /&gt;Liguei o som e deixei na rádio habitual que ouvíamos. Comecei a traçar em uma nova folha, feições humanas.&lt;br /&gt;Enquanto ela folheava, distraída, eu colocava em prática minhas novas inspirações por ela criadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, os dois pequenos ursos pareciam dois diamantes cintilantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-8-o-inverno-da-primavera.html"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-5-promessa.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-7-refugio.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-1806867493839127231?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/1806867493839127231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-6-reconciliacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/1806867493839127231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/1806867493839127231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-6-reconciliacao.html' title='Capítulo 6 - Reconciliação'/><author><name>laís hiromi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11671453086715003340</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sld-xnFUN2I/AAAAAAAAAE8/QbWler3jbG8/S220/(35).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Si3QzOWAozI/AAAAAAAAADw/l0x4ZOhRG28/s72-c/Dois+ursos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-6462051515968684382</id><published>2009-06-05T17:49:00.010-03:00</published><updated>2009-06-15T19:58:10.626-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 9 - Frio verão</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_e7RtNX-aLUk/SimHnYPrD8I/AAAAAAAAALg/v-szvZtF7oM/s1600-h/the_day_i_lost_my_soul_by_TheNightSheDied.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 272px; height: 285px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_e7RtNX-aLUk/SimHnYPrD8I/AAAAAAAAALg/v-szvZtF7oM/s320/the_day_i_lost_my_soul_by_TheNightSheDied.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343951543444639682" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Desci as escadas com uma mochila cheia de roupas nas costas. Thiago me esperava do lado de fora em seu Vectra prata. Sentei ao seu lado e ele beijou minha testa, preparando-se para ligar o carro e dirigir durante alguns minutos.    Sentia-me ansiosa. Não era de meu costume ir a festas. Ainda mais uma que seja preciso trocar de vestes constantemente. Eu veria a ruiva e sua parceira, era o que mais importava. Estava confusa, perdida em meus pensamentos. Sabia que algo crescia em meu peito, algo que eu não gostava, algo que me incomodava mais do que o simples fato de estar viva.&lt;br /&gt;Antes mesmo de sairmos da cidade, paramos em uma pequena loja de conveniência. No interior havia poucas pessoas. Dentre elas, o menino que aparentava ter minha idade tomava conta do caixa. Ele cumprimentou Thiago, com uma voz incomodamente monótona. Meu companheiro caminhou em direção ao corredor do fundo, eu o segui. Compramos apenas o necessário, o óbvio. O que dois adolescentes iriam comprar antes de ir a uma festa que duraria dois dias de puro álcool e atos inconsequentes?&lt;br /&gt;Saímos. Thiago segurava a sacola com alguns preservativos enquanto voltávamos para o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hospedagem era enorme. Deveria ser umas sete ou oito vezes maior que a casa de Thiago. Estacionamos em meio aos outros milhares de carros enfileirados.&lt;br /&gt;Pude ver alguns garotos correndo com roupas íntimas de forma ridícula.&lt;br /&gt;— Você já fez isso? — apontei para o grupo.&lt;br /&gt;— Mais vezes do que você imagina.&lt;br /&gt;Eu o encarei e ele me olhou, confuso.&lt;br /&gt;— Na verdade, pensei que você ia dizer “não”. — soltei um riso fraco — Não consigo imaginar você fazendo uma coisa dessas.&lt;br /&gt;Ele também riu. Andamos até a entrada da festa. Era pior do que eu imaginava: um salão barulhento e movimentado, cheio de garotos bêbados gritando e dançando com garotas mais bêbadas ainda. Seria escuro, se não fosse pelas luzes de boate, que piscavam continuamente enquanto os corpos se movimentavam de forma vergonhosa. No centro, um imenso balcão, onde vários homens serviam bebidas para os adolescentes, sem se importar com as idades. Casais preenchiam as paredes, todos se beijando compulsivamente. Mais no fundo havia mesas e Thiago me levou até uma.&lt;br /&gt;Sentamos e o garoto pôs sua mão sobre a minha. Falou algo que não pude ouvir, devido ao som alto. Deduzi que iria ao banheiro, pois ele se levantou sem dizer mais nada e se misturou com os outros adolescentes. Tentei me concentrar em enxergar aonde ele iria, mas minha atenção foi tomada pela garota de cabelos azuis, que apareceu na minha frente repentinamente. Seus lábios se aproximaram do meu ouvido.&lt;br /&gt;— 57. — sua voz era rouca — Use o quarto 57.&lt;br /&gt;— Por quê?&lt;br /&gt;— Você não vai querer ter relações com seu namorado em público, ou vai?&lt;br /&gt;— Não vou ter nada em lugar algum.&lt;br /&gt;— Todos dizem isso. — riu consigo mesma. — Boa sorte.&lt;br /&gt;Encarei-a. Seu rosto se virou para o lado e sorriu, segui o seu olhar. Ela fitava o casal de garotas que se beijavam. A ruiva tinha em mãos um enorme copo de bebida. Senti enjôo.&lt;br /&gt;Abaixei a cabeça, repousando-a sobre a mesa. Dor, ódio, tristeza e felicidade, era o que eu sentia. Tudo de uma vez só, causando-me uma grande vontade de me tornar apenas mais uma garotinha besta e beber. Beber muito, beber até esquecer que estava viva, que estava sofrendo.&lt;br /&gt;Thiago voltou, sentando-se ao meu lado novamente.&lt;br /&gt;— Traga-me bebida.&lt;br /&gt;Ele me fitou.&lt;br /&gt;— Por favor!&lt;br /&gt;— Você é nova. — não era possível ver seus olhos, mas pude perceber que estavam preocupados.&lt;br /&gt;— E você disse que nós precisávamos nos divertir. — abaixei minha cabeça novamente. — Só estou tentando fazer isso.&lt;br /&gt;— Olha, não...&lt;br /&gt;— Tudo bem, eu pego. — levantei-me.&lt;br /&gt;O garoto me puxou de volta para si.&lt;br /&gt;— Certo, certo. Eu vou.&lt;br /&gt;Sorri.&lt;br /&gt;Thiago se misturou com a multidão novamente, mas desta vez estava indo em direção ao balcão onde pegaria as bebidas. Voltei a espreitar as duas garotas e Lise não parecia estar bem. Com a cabeça jogada sobre a mesa e boca se mexendo como se resmungasse algo, foi levantada pela loira, que a beijou sem ao menos se importar com o que ela dizia. Fechei os olhos, tentando não me ferir. Não entendia como a ruiva conseguia gostar de uma garota que a tratava daquele jeito.&lt;br /&gt;O garoto moreno voltou e trazia consigo duas garrafas de álcool. Colocou-as sobre a mesa. Encarei as bebidas por alguns instantes. Nunca havia sentido tanta vontade de beber, era como se estivesse caindo do nível “depressivo” para o “depressivo e desesperado”, descontando a dor e a melancolia em minha própria vida. Thiago pegou uma e tomou o primeiro gole, apontando seu dedo para a outra. Eu a peguei e levei até a boca, virando-a sem pressa.&lt;br /&gt;Senti uma grande sensação de leveza, apesar da grande irritação em minha garganta. Era bom, e ao mesmo tempo, era estranho. Comecei a beber sem pensar em consequências, esquecendo dos problemas que me cercavam. Goles e mais goles faziam a primeira garrafa ficar menos pesada. O moreno acabou a sua e se levantou para pegar mais. Meu olhar insistia em se fixar no casal de garotas. A raiva começava a aumentar, fazendo com que eu ingerisse o líquido com urgência.&lt;br /&gt;O tempo passava e eu permanecia observando as duas, sem se quer me importar em ser discreta. Continuava bebendo desesperadamente, perdendo toda a noção do que estava fazendo. Já estava na segunda garrafa quando o casal se levantou. Não sabia aonde iriam, mas não importava mais. Puxei Thiago para beijá-lo de forma asquerosa. Subi em cima de seu corpo em uma falha tentativa de seduzi-lo e beijei seu pescoço, enquanto minha mão começava a percorrer por seu corpo. Ele colocou mais uma vez a garrafa em sua boca e tirou minhas mãos de si, encarando-me de forma estranha. Sentei novamente em meu lugar e bebi mais alguns goles, voltando a beijá-lo logo em seguida.&lt;br /&gt;Eu estava excitada, não sabia o motivo, mas estava. As luzes que acendiam e desligavam rapidamente passaram a ser apenas mais uma forma de incentivo para continuar o beijando. Abracei-o. Sua língua explorava a minha boca, roubando as últimas gotas de álcool que havia sobrado de meu último gole. Mais uma vez, lancei-me para cima de seu corpo, e dessa vez ele pareceu gostar. Sua mão agarrou minha cintura por dentro da blusa e o garoto se levantou. Puxou-me para o meio da multidão e me guiou até as escadas. Subimos.&lt;br /&gt;— Escolha um quarto. — era possível ver seu olhar excitado por causa da claridade do corredor.&lt;br /&gt;Lembrei da garota de lentes azuis.&lt;br /&gt;— Quarto 57.&lt;br /&gt;O garoto me puxou novamente e me levou até a porta de número 57. Antes que pudéssemos entrar, Thiago me prendeu contra a parede. Seus lábios beijaram minha garganta e desceram. Seus dedos frios desabotoaram minha blusa.&lt;br /&gt;— Lá dentro. — retirei suas mãos de meu corpo.&lt;br /&gt;Ele sorriu maliciosamente. Minha mão procurou a maçaneta da porta, mas Thiago a encontrou primeiro. Abriu a porta rapidamente e houve um susto.&lt;br /&gt;As duas garotas estavam de roupas íntimas na cama, uma sobre a outra, com apenas um lençol branco as cobrindo da cintura para baixo. A loira se retirou de cima da ruiva e puxou o pano junto consigo, deixando Lise totalmente descoberta. Sua face estava irritada, e piorou ainda mais quando Lise se virou para o lado e vomitou. Fiquei entorpecida diante do que acontecia. Lara procurou suas roupas no chão e as vestiu rapidamente, retirando-se do quarto com nojo.&lt;br /&gt;Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto pálido da ruiva e Thiago foi ajudá-la. Meu peito começou a doer.&lt;br /&gt;— Sophie, encontre as roupas dela. — disse, levando a garota ao banheiro.&lt;br /&gt;Entrei no quarto e procurei. Estavam jogadas perto de uma cômoda de madeira ao lado do armário. Entreguei-as a Thiago e saí da hospedagem o mais rápido possível. Sentei em um tronco de madeira perto do lago. Já estava escurecendo, o tempo havia passado rápido demais e eu estava perdida em pensamentos. Essa não era a vida que eu queria ter. Queria poder viver calmamente ao lado de Bianca no outono, sentada ao seu lado em meu refúgio, sentindo a paz que dos dois causavam em mim. Só que eu sabia que era algo impossível de acontecer, que minha felicidade nunca voltaria. Por isso eu estava ali, onde jamais deveria estar, onde Bianca jamais permitiria que eu fosse. E não importava que tipo de amor ela sentia por mim, ela nunca me machucou da forma que os outros me machucavam naquele momento.&lt;br /&gt;Coloquei a mão sobre o peito. Havia passado tanto tempo longe daquelas lembranças que tinha esquecido o quanto machucavam. As lágrimas desceram. Era doloroso. Talvez aquela dor que estava sentindo não fosse enjôo, e sim uma ferida incurável que estava se manifestando.&lt;br /&gt;Thiago se sentou ao meu lado e colocou sua mão em meu ombro como costumava fazer todas as vezes em que queria me consolar.&lt;br /&gt;— Ela está bem, Mansour. Eu a ajudei a vestir suas roupas e coloquei-a em um quarto limpo. — ele me abraçou e beijou o topo de minha cabeça — Pare de chorar.&lt;br /&gt;— Não é isso. — tirei meu corpo de seus braços — Não dá... Não quero mais fazer isso. Não sei nem por que comecei. Não é a minha vida, eu nunca fui assim.&lt;br /&gt;— Você faz isso porque gosta dela.&lt;br /&gt;— Eu só gosto de uma pessoa, e mesmo que ela não esteja mais aqui, vou sempre gostar dela.&lt;br /&gt;— Não seja tão fraca. Não desista tão fácil da sua felicidade.&lt;br /&gt;— Não estou sendo fraca. Seria fraca se corresse atrás de alguém que nunca vai me querer, como você faz. — levantei-me.&lt;br /&gt;— Isso não é muito diferente do que você faz, Sophie.&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;— Você é quem sabe. Se quiser passar o resto de sua vida assim, o problema é seu. — suspirou — Só que não posso te deixar sozinha aqui. Deixe que eu te leve de volta para casa.&lt;br /&gt;— Não quero voltar.&lt;br /&gt;Ele me encarou com expressão confusa. Minhas contradições deixavam as pessoas assim.&lt;br /&gt;— Só quero que me prometa que não iremos mais enganar ninguém.&lt;br /&gt;Thiago fechou os olhos e concordou com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;Eu poderia fazer um vestido,&lt;br /&gt;Um roupão para um príncipe.&lt;br /&gt;Eu poderia vestir um continente,&lt;br /&gt;Mas eu não posso costurar uma ferida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Dresden Dolls – Perfect Fit)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-8-o-inverno-da-primavera.html"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-8-o-inverno-da-primavera.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | Próximo Capítulo »&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-6462051515968684382?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/6462051515968684382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-9-frio-verao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/6462051515968684382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/6462051515968684382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-9-frio-verao.html' title='Capítulo 9 - Frio verão'/><author><name>giovana barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07872158927402246165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_e7RtNX-aLUk/SimHnYPrD8I/AAAAAAAAALg/v-szvZtF7oM/s72-c/the_day_i_lost_my_soul_by_TheNightSheDied.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-3410946976950136025</id><published>2009-06-01T00:02:00.012-03:00</published><updated>2009-08-02T12:20:06.442-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='discussão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mike'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='promessa'/><title type='text'>Capítulo 5 - Promessa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/SiNE_4LIUzI/AAAAAAAAADo/86bt0ewLO38/s1600-h/Promessa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 277px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/SiNE_4LIUzI/AAAAAAAAADo/86bt0ewLO38/s320/Promessa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342189447193056050" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;— Guilherme – chamou Bruna. — O que aconteceu com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Mike&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;— Ele desmaiou no meu quarto e está fazendo exames – murmurei, com a voz falhada.&lt;br /&gt;— Ele vai ficar bem? – a preocupação na voz de Bruna era anormal para uma amiga, mas ela não era apenas uma amiga. Bruna adorava &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Mike&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;— Vou poder vê-lo só de noite, acho.&lt;br /&gt;— Eu sinto muito – o pesar de sua voz era claro, mas sei que não era sua intenção dizer isso. Era um simples desmaio, eu sabia disto.&lt;br /&gt;— Foi um simples desmaio, o estado dele está normal.&lt;br /&gt;— Mas eu sei que você ficou desesperado, acalme-se.&lt;br /&gt;— Onde vocês estão? – perguntei, cortando o assunto e me referindo aos demais com quem tomei chá.&lt;br /&gt;— &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Lílite&lt;/span&gt; está vindo comigo para minha casa, vamos estudar para a prova de sexta e Pedro foi no trabalho da mãe dele. Quer vir aqui?&lt;br /&gt;— Quero. Vou pedir pra minha mãe me levar, acho que vai cair uma tempestade de neve.&lt;br /&gt;— Te vejo daqui a pouco, então.&lt;br /&gt;— &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Tchau&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Apertei o botão do lado direito, fechando o celular. Expliquei para minha mãe me deixar em casa para eu pegar alguns livros e me levar até a casa de Bruna para estudar lá. Ela assentiu.&lt;br /&gt;Era incrível como a voz de Bruna, até mesmo por um celular, era como um reconforto para mim. Acalmei minha agonia de lágrimas exageradas, e repensei: &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Mike&lt;/span&gt; apenas não desmaiou, não morreu. Eu estava sendo feminista demais, sensível.&lt;br /&gt;Mas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Mike&lt;/span&gt; era sempre &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Mike&lt;/span&gt;, com as experiências que passamos, além das dificuldades e horrores.&lt;br /&gt;Um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;flashback&lt;/span&gt; correu em minha mente, fazendo minhas memórias se refrescarem e dizerem que minhas lágrimas não eram tão fúteis. Era &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Mike&lt;/span&gt; deitado na grama &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;uniformemente&lt;/span&gt; aparada do jardim da frente de casa, curtindo o sol quente das dez da manhã e os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;sprinkles&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;umedecendo&lt;/span&gt; seu pêlo. Eram as férias de verão do ano passado, quando sua rotina era me acordar sete horas da manhã para levá-lo para caminhar perto do lago. Ele sentia tanta sede pelas oito horas da manhã que eu podia jurar que ele bebia metade do lago, depois de correr loucamente. Depois, ele descansava sob os esguichos dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;sprinkles&lt;/span&gt;, para depois comer um prato grande de ração. Ele devorava em questão de minutos, depois ia pedir carinho para mim, que ficava na piscina ou com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;cochilando&lt;/span&gt; na rede de minha varanda. Foram as férias perfeitas, quando viajei para um hotel, onde tinha um parque aquático monstruoso. Posso descrever com montanhas-russas aquáticas, do tipo, que causam medo indescritível. Minha rotina lá era acordar cedo de uma cama macia e perfumada, tomar café-da-manhã com os mais variados pães e doces, fazer digestão olhando a programação do dia, depois ter o dia inteiro para tomar sol &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;refletido&lt;/span&gt; do cloro da piscina. O parque, com 87 brinquedos, era divido em três – fiquei na melhor delas. Obviamente, não ia valer a pena se fosse sem meus amigos, incluindo Bruna. Lembro de seu corpo mirrado, quando suas pernas eram finas, mas ainda sim era linda. Ela mudou radicalmente ao completar doze anos. Pedro já era alto e forte, como sempre foi, assim como eu. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Lílite&lt;/span&gt; e seus cabelos alaranjados naturalmente eram &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;cômicos&lt;/span&gt;.&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt; Mike&lt;/span&gt;, naquela época, ficou a semana com minha mãe. Lembro &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;exatamente&lt;/span&gt; de como reagiu ao me rever. Tive que dormir no colchão com ele, para matar as saudades do grande babão.&lt;br /&gt;Lembrei também dos momentos de quando ele não passava da largura de uma caixa de sapatos. Era um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;mini&lt;/span&gt;-labrador peralta, que queria cheirar tudo que passasse por ele de novo, que ainda não foi avaliado.&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Mike&lt;/span&gt;, era para sempre meu eterno amigo leal, só me abandonaria após sua morte, eu podia confiar nisto. Era a única coisa em que eu podia confiar em minha vida.&lt;br /&gt;Seu desmaio foi o primeiro susto, logo eu não estava acostumado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarto de Bruna, para mim, era como um refúgio. Lá me sentia seguro do que quer que acontecesse. O sofá &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;marrom&lt;/span&gt; madeira e de largas almofadas era o segundo lugar onde eu queria estar quando me sentia cansado e deprimido. O primeiro era o colo de Bruna.&lt;br /&gt;O sofá confortável estava ocupado pela gata &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Kate&lt;/span&gt;, com seu pêlo branco como a neve de fora. Bruna e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Lílite&lt;/span&gt; estavam deitadas, com as pernas dobradas para o alto, sobre o grosso tapete da cor do sofá. Liam livros grossos, fazendo anotações em uma folha destacada do bloco de seus &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;fichários&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;— Olá – eu saudei, ocultando um pequeno &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;pigarro&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;— &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;Oi&lt;/span&gt;! – pulou Bruna, saindo de sua posição. Ela pôs-se em pé elegantemente, exibindo suas pernas cobertas por uma calça larga de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;moletom&lt;/span&gt; escuro. Veio em minha &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;direção&lt;/span&gt; aos saltos, mas sua expressão era impossível de se adivinhar. Largou-se em um abraço sufocante por cima de meus ombros, deixando-a nas pontas dos pés. Senti o aroma natural de sua pele, relembrando o que eu queria esquecer: ó Deus, livre-me de meu amor incondicional por pelo menos um dia. Mas, meus pedidos não foram atendidos. Coloquei minhas mãos em sua cintura.&lt;br /&gt;— Eu sinto muito – sussurrou ela, com a voz abafada por estar com o rosto em meu peito.&lt;br /&gt;— Não há pelo o que sentir – declarei, animando um pouco a voz. – Ele ficará bem.&lt;br /&gt;— Desculpe – Bruna percebeu que estava forçando a situação, largando meu corpo.&lt;br /&gt;— Obrigada por me esquecerem por um momento – reclamou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;Lílite&lt;/span&gt;, fazendo uma voz de tristeza &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;irônica&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;— Vamos trabalhar, então. Começaram a estudar pelo o quê?&lt;br /&gt;— Gramática.&lt;br /&gt;— Credo, a mais fácil? – perguntei, surpreso. Eu sabia a matéria de cor desde o começo do ano passado. Era fácil, mas também fiquei em vantagem, por pesquisar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;monotamente&lt;/span&gt; em livros e na Internet. Deitei junto a elas, enquanto ensinava durante quinze minutos todo o capítulo. Elas aprenderam fácil e estudamos por quarenta e cinco minutos.&lt;br /&gt;Depois, fomos para literatura rever Voltaire e história da arte. Acabei em poucos minutos, cansado de estudar. Não era meu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;objetivo&lt;/span&gt; estudar junto com Bruna, mas sim esquecer de minha tristeza com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;Mike&lt;/span&gt; e me distrair um pouco. Deitei no sofá, vagando pelos canais da televisão, impaciente. Como podiam perder tanto tempo com conhecimento escolar?&lt;br /&gt;Tentei decifrar os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;sussurros&lt;/span&gt; que elas sibilavam, de vez em quando fazendo Bruna rolar de rir, literalmente, pelo grosso tapete. Questionei todas as vezes que aconteceu, mas elas me ignoravam, e isso me deixou irritado.&lt;br /&gt;Encostei a cabeça no braço do sofá, adormecendo.&lt;br /&gt;Sonhei que abraçava uma silhueta desconhecida. Não era humana, disto eu tinha certeza. E eu parecia satisfeito em abraçá-la, porque não me soltava dela. Apesar das lágrimas que caíam de meus olhos, aos montes.&lt;br /&gt;Não havia cenário. Apenas um fundo totalmente negro, com uma luz voltada para mim.&lt;br /&gt;— Acorda – sibilou Bruna, dando um beijo ruidoso em minha orelha esquerda.&lt;br /&gt;Murmurei alguns palavrões, e ela riu. A luz forte do lustre moderno de vidro me cegava, fazendo-me cobrir meus olhos com uma almofada.&lt;br /&gt;— &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;Cadê&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;Lílite&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;— Foi embora – disse Bruna, mais parecendo uma pergunta. Ou uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;indireta&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;— Que horas são?&lt;br /&gt;— Seis e meia.&lt;br /&gt;Eu havia dormido muito. Estava perdido no tempo, e quis ligar para o veterinário para saber sobre &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;Mike&lt;/span&gt;. Mas eu estava menos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;despreocupado&lt;/span&gt;, a companhia de Bruna me deixava entorpecido. Foi quando, minha barriga roncou.&lt;br /&gt;— Deixa eu adivinhar: você não almoçou. – supôs Bruna.&lt;br /&gt;— Não tive tempo.&lt;br /&gt;— Por que não me avisou? Minha mãe fez lasanha.&lt;br /&gt;Lasanha, pensei. As deliciosas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;lasanhas&lt;/span&gt; cobertas por creme de dona Juliana, ou Juliana apenas, para íntimos. A formosa e talentosa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;atriz&lt;/span&gt; teatral mundialmente conhecida, com dons culinários anormais, e hereditários. Quantas vezes já não visitei a avó de Bruna, e por conta própria. Era como se fosse a avó que não tive. Suas maravilhosas receitas que preenchiam meu horário de almoço, e generosamente, dona &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;Lucy&lt;/span&gt; sempre mandava um lanche caprichosamente preparado para minha mãe e eu. Bruna, também, não escapava dos dotes na cozinha. Mesmo com poucos anos, consegue fazer doces que não tenho capacidade nem de descrevê-los. O sabor, o cheiro.&lt;br /&gt;Aceitei um pedaço na hora em que ela me ofereceu, envolvido pela fome e seu cheiro de bolonhesa quente. Estava bom, mas me satisfiz com apenas uma fatia. Assisti Bruna embaralhar copos idênticos e extremamente brilhantes. Uma mania que ela herdara do pai dela. De mexer compulsivamente com copos. Ela se divertia, e a mim também.&lt;br /&gt;Após comer, subimos para o quarto, novamente. Não haviam tarefas escolares, já tínhamos estudado, estávamos sem nada para fazer. Sentamos em sua cama, debaixo de cobertores quentes. Assistimos um filme antigo, vimos vários programas.&lt;br /&gt;Bruna estava quente, aquecida em sua blusa de lã vermelha. Fitava a TV inexpressivamente, enquanto se aconchegava em meu braço. O clima perfeito, eu estava quase adormecendo de novo. Mas Bruna tem um péssimo defeito: não sabe ficar de boca fechada.&lt;br /&gt;— E a Mariana, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;Gui&lt;/span&gt;? Tem falado com ela?&lt;br /&gt;Hesitei. Ela não perguntou sobre Mariana desde o dia que ficou sabendo de sua &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;atração&lt;/span&gt; por mim, então tive que contar detalhes.&lt;br /&gt;— Mais do que antes, acho. Pelo computador, celular... – me gabei. Se ela queria provocar, então que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;agüentasse&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;— &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;Hmmm&lt;/span&gt; – murmurou ela, demonstrando desinteresse.&lt;br /&gt;— Só ainda não temos tanta intimidade... e ela continua feia para mim – brinquei, mexendo seu cabelo com um dedo.&lt;br /&gt;Seu rosto corou por um momento, mas ela logo se recuperou e me intrigou.&lt;br /&gt;— Quando ficarem íntimos, convença ela a cortar aquele cabelo e usar lentes, ou pelos menos hastes mais bonitas.&lt;br /&gt;Eu ri, mas ela não.&lt;br /&gt;Aquele desprezo todo me dava calafrios, e raiva. Tirei meu braço de seu corpo, disfarçando ao pegar meu celular e mexer em alguns botões. Ela não se incomodou, e voltou a olhar TV sem expressão. Deixei o celular de lado e fiquei em posição normal, sem abraçá-la. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;Refleti&lt;/span&gt;, no vazio, o porquê dela gostar de me machucar.&lt;br /&gt;Peguei o celular novamente, disquei o número de minha casa. Perguntei a minha mãe se ela tinha notícias de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;Mike&lt;/span&gt;, e ela disse que estava bem. Ia visitá-lo agora, e disse que estava vindo me buscar.&lt;br /&gt;— Ah, você não vai.&lt;br /&gt;— Por quê? – perguntei, confuso.&lt;br /&gt;— Quero que fique aqui comigo.&lt;br /&gt;Enfureci.&lt;br /&gt;— Para que? Você continuar falando de Mariana?&lt;br /&gt;— Não – sua voz subiu uma oitava – para a gente conversar, que droga, Guilherme!&lt;br /&gt;— Vou visitar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;Mike&lt;/span&gt;, depois posso voltar.&lt;br /&gt;— Não, pode ir e ficar em casa. Converse com Mariana, por mim, tudo bem? – sua voz agora era de ironia.&lt;br /&gt;— Bruna – &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;bronqueei&lt;/span&gt;, sincero. – pensei que era eu que estava sendo idiota. Vou ver &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;Mike&lt;/span&gt;, está bem?&lt;br /&gt;Ela esperou, fitando-me com os olhos cheios da amargura a qual eu detestava. Mas...&lt;br /&gt;— Vou com você – rendeu-se ela, enquanto se levantava e foi ao seu enorme &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;closet&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segui os passos do doutor de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_53"&gt;Mike&lt;/span&gt;, de minha estatura. Ao chegar na porta de seu quarto, fitei-o, com uma agonia inexplicável. Estava deitado de lado, com o olhar de dó, imobilizado, na posição que ele só adquiria quando dormia profundamente. Seu rabo agitou-se quando me viu, e fui até ele, alterando a velocidade do balançar de sua cauda.&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_54"&gt;Mike&lt;/span&gt; logo levantou sua enorme cabeça para cima ao ver a silhueta familiar de Bruna, com seu rabo balançando duas vezes mais rápida que o normal. Com tentativas inúteis de tentar se levantar, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_55"&gt;Mike&lt;/span&gt; esperou pacientemente Bruna chegar até seu corpo. Ele lambeu as partes que conseguiram passar pelo alcance de sua enorme língua, como minhas mãos e o braço de Bruna. Brincamos com ele, dando-me o conforto e a alegria por vê-lo feliz. Ouvi atentamente a conversa de minha mãe, com olheiras pesadas e preocupação no rosto, com o simpático e bondoso médico. Pude decifrar pelas palavras difíceis, que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_56"&gt;Mike&lt;/span&gt; batera fortemente a cabeça em algo duro, talvez uma parede, e que estava meio inconsciente quando isso ocorreu. Ele já estava melhor. Também uma depressão &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_57"&gt;afetava&lt;/span&gt; seu comportamento há alguns dias, mas nada que eu pude perceber, infelizmente. Arrastei a poltrona da parede até a maca onde estava &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_58"&gt;Mike&lt;/span&gt;, fazendo Bruna sentar-se. Ela conversou com meu amigo em uma voz como de alguém que conversa com um bebê, coisa natural das mulheres. Nunca conversei com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_59"&gt;Mike&lt;/span&gt; com aquela voz, apenas com a minha normal. Ele parecia me entender melhor.&lt;br /&gt;Ri baixinho, esperando não ter que explicar à Bruna. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_60"&gt;Mônica&lt;/span&gt; não parava de falar, mostrando minha verdadeira idade. A boca do médico se abriu, porque ele me dava treze anos, no mínimo. As brincadeiras e o apego ao labrador que minha mãe contava orgulhosamente e com todo o entusiasmo, como se aquilo fosse sua melhor glória, deixavam meu rosto ligeiramente corado.&lt;br /&gt;Um latido estrondoso e impertinente rompeu minha observação. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_61"&gt;Mike&lt;/span&gt; reclamou que eu não estava fazendo carinho em sua cabeça. Passei os dedos no pêlo curto e liso de sua cabeça, fazendo ele se esfregar em mim como um gato.&lt;br /&gt;— &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_62"&gt;Uau&lt;/span&gt;, eu venho visitar um cachorro, e o que eu recebo é um felino?&lt;br /&gt;Não recebi resposta de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_63"&gt;Mike&lt;/span&gt;, apenas um riso semelhante a cristais se debatendo levemente, a risada de Bruna.&lt;br /&gt;O doutor deu a alta à &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_64"&gt;Mike&lt;/span&gt;, então pudemos levá-lo para casa. Não queriam que ele fizesse esforço até o estacionamento, então o deitaram na maca novamente. Colocaram no banco traseiro, enquanto eu sentava ao seu lado. Bruna sentou no banco do passageiro. Perguntei a ela se não gostaria de ficar em minha casa, com minha voz com tentativa falhada de parecer indiferente. Ela aceitou, e minha mãe partiu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_65"&gt;direto&lt;/span&gt; para casa.&lt;br /&gt;Deixei &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_66"&gt;Mike&lt;/span&gt; em sua cama habitual em meu quarto, na qual ele adormeceu facilmente. Sentei em minha cama, chamando Bruna comigo. Não recusando o convite, aconchegou-se em meu colo e me fitou.&lt;br /&gt;— Que foi? – perguntei, asqueroso de brincadeira.&lt;br /&gt;— Nada – sua voz não passou de um sussurro. Eu queria poder encurtar a distância entre nossos rostos, mas era impossível. Seu rosto se escondeu em meu peito quando eu ia falar alguma coisa. Liguei a TV pelo controle remoto, deixei em qualquer canal. Televisão estava virando um simples apetrecho em minha rotina. Eu não assistia nenhum programa ao certo.&lt;br /&gt;Ouvi um fungar perto de minha clavícula. Bruna adorava sentir meu aroma, não sei ao certo o porquê. Sempre disse que gostava de meu cheiro, mas eu duvidava que ela apreciasse tanto quanto eu admirava o dela.&lt;br /&gt;Um aroma natural inconfundível, misturado aos seus perfumes caros e extremamente bons.&lt;br /&gt;Como uma droga, um vício. Nele, eu sentia prazer e esquecia todo o resto que me cercava.&lt;br /&gt;— &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_67"&gt;Armani&lt;/span&gt; – sussurrou ela, repousando a cabeça perto de meu pescoço, fechando os olhos.&lt;br /&gt;— Ficaria incomodada se eu perguntasse o porquê de você fazer isso? – perguntei, perplexo.&lt;br /&gt;— Do que? – murmurou ela, sem abrir os olhos, a doçura pairando em sua voz.&lt;br /&gt;— De me deixar louco.&lt;br /&gt;Ela abriu os olhos, confusa. Olhou em meus olhos, levantando a cabeça. “Droga”, pensei. Eu estava começando a baixar a guarda.&lt;br /&gt;— Como assim?&lt;br /&gt;— Você me seduz, gata selvagem – eu disse, em um tom de pura brincadeira. Ela riu alto, colocando a cabeça novamente em meu peito, fechando os olhos de novo. Eu sabia como corrigir meus erros, mas queria que os mesmos pudessem mudar minha vida.&lt;br /&gt;Acariciei seus cabelos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_68"&gt;amistosamente&lt;/span&gt;, fitando a TV. Troquei o canal com a mão livre, novamente deixando em um canal qualquer.&lt;br /&gt;— E o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_69"&gt;Felipe&lt;/span&gt;? – questionei, para quebrar o silêncio intimidador. Perguntei-me se estaria tentando provocar a vingança.&lt;br /&gt;— &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_70"&gt;Hmmm&lt;/span&gt;, bem – disse, em um tom um pouco diferente, mas ainda com os olhos fechados. Sua expressão de conforto mudara, agora para a dúvida.&lt;br /&gt;— Tem conversado com ele? – engoli um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_71"&gt;pigarro&lt;/span&gt;, em uma de minhas tentativas inúteis de parecer indiferente, como se aquela fosse uma pergunta de rotina.&lt;br /&gt;— Só o cumprimento na escola, às vezes falo com ele pelo celular.&lt;br /&gt;— &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_72"&gt;Hmmm&lt;/span&gt; – respondi, indignado sobre minha capacidade de ser tão estúpido. Não havia nada de mais, e ela era indiferente. Ou parecia ser.&lt;br /&gt;— Por quê? – fisgou-me ela. Seu tom era mais desconfiado, e seus olhos voaram para a TV.&lt;br /&gt;— Curiosidade.&lt;br /&gt;— Eu te conheço. Não é só isso.&lt;br /&gt;— Apenas queria saber, Bruna... já que ele gosta de você, e você não.&lt;br /&gt;Ela tirou sua mão disfarçadamente de meu corpo, fingindo coçar a cabeça.&lt;br /&gt;— Parece ironia, não? Você querer que eu fique com alguém de quem não sinto &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_73"&gt;atração&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;— Como assim? Você que me deixa maluca, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_74"&gt;Gui&lt;/span&gt;. E juro que estou fazendo esforço pra pensar.&lt;br /&gt;— Não pense – declarei. – Apenas entenda que não quero ficar com Mariana.&lt;br /&gt;— Ora, tudo bem, você já disse – agora sua voz era irritada. – Não falo mais dela. Satisfeito?&lt;br /&gt;— Sim. – suspirei. Logo depois, relaxei a cabeça no travesseiro de pé, enquanto ela se esforçava para tirar a raiva da mente. Ela conseguiu, então repousou de novo a cabeça em mim. Suspirei baixo, fechando os olhos.&lt;br /&gt;Seu corpo no meu era uma cena repetitiva durante os dias, mas eu nunca enjoara daquilo. Impossível, eu sempre queria mais. Já fazia parte de mim havia muito tempo, e se essa parte se separasse de mim, eu estaria incompleto, logicamente.&lt;br /&gt;Alguns minutos se passaram. Pareciam segundos, porque eu curtira o momento. Deixei meu coração se desacelerar, minha respiração ficar lenta. Pude ouvir apenas o respirar de Bruna, o volume da TV &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_75"&gt;insignificante&lt;/span&gt; para mim.&lt;br /&gt;Então, nossos olhos se encontraram.&lt;br /&gt;— Guilherme – sibilou ela, com uma dor desconhecida nos olhos grandes e cinzas.&lt;br /&gt;— &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_76"&gt;Hmmm&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;— Me promete uma coisa?&lt;br /&gt;— Eu sempre não prometo? – forcei um sorriso.&lt;br /&gt;— Mas acho que desta vez você pode não cumprir... – seus olhos desviaram-se para baixo.&lt;br /&gt;— Eu nunca deixaria de cumprir uma promessa, ainda mais se for para você – admiti, sem tomar vergonha na cara. Era óbvio que, se ela pedisse para eu prometer me afastar dela, eu não cumpriria.&lt;br /&gt;— Quero que... quando você achar a pessoa certa para você, sua, digamos, “alma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_77"&gt;gêmea&lt;/span&gt;” – pois ela entre aspas, gesticulando com os dedos – ou simplesmente uma menina que você goste, quero que avise-me.&lt;br /&gt;Elevei uma sobrancelha, em sinal de perplexidade.  Depois, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_78"&gt;refleti&lt;/span&gt; bem e entendi:&lt;br /&gt;— Você será a primeira pessoa a saber disto, quando acontecer - respondi. Meus olhos ainda estavam confusos.&lt;br /&gt;Ela colocou as mãos em cima da minha e a agarrou, como se suplicasse pelo pedido.&lt;br /&gt;— Estou falando mais sério do que imagina. Não acredita como ficaria magoada se você não cumprisse essa promessa.&lt;br /&gt;— Também estou falando sério, mas não estou entendendo o porquê de você estar querendo que eu prometa uma coisa tão banal – olhei para fora, a lua me observava sob uma nuvem cinza. Um céu nevoeiro, traidor. Pude sentir como estaria frio lá fora, mas não mais do que lá dentro, no aconchego de meu quarto escuro.&lt;br /&gt;— Estou fazendo isto porque quero estar preparada – ela continuou, agora olhando para sua mão agarrada à minha, corando ligeiramente – quero estar preparada para quando... eu te perder.&lt;br /&gt;Um calafrio leve e traiçoeiro passou pela minha espinha.&lt;br /&gt;— Você nunca vai me perder, está certo? – levantei seu queixo com a mão livre, olhando nos seus olhos. – Acho que agora posso entender... um pouco.&lt;br /&gt;Ela não respondeu.&lt;br /&gt;— Nunca. Ainda posso nos ver cada qual com uma família maravilhosa, feliz, e ainda sim sermos os mais loucos e pegajosos melhores amigos – blefei, sabendo que era inútil tentar enganar a mim mesmo.  Não podia me enxergar longe de Bruna, ainda mais esfregar na cara dela a minha felicidade com outra pessoa.&lt;br /&gt;— Você não entende – ela fechou os olhos, soltando minha mão. – Quando as pessoas se gostam de verdade, se amam ou gostam de estar perto uma da outra, abandonam um pouco as outras coisas. Quero que você me conte antes de todos saberem, para eu ser a primeira a ser preparada psicologicamente. Nego a me enxergar passando o dia na casa de Lílite ou Fabiana sete dias da semana. Nego a não ter você por inteiro.&lt;br /&gt;Eu não sabia se chorava ou se ria. Ela podia estar brincando com a minha cara.&lt;br /&gt;Não, não era típico dela.&lt;br /&gt;— Por que esse egoísmo todo? – mudei o tom da voz, só que agora puramente honesto. Ela abriu os olhos pela minha reação, fitando-me intensamente, os olhos cheios de culpa.&lt;br /&gt;— Não estou sendo egoísta, creio – sua voz também mudara, deixando o ar como eu detestava – Estou fazendo o contrário! Estou pedindo a você que me avise, para eu ficar preparada, e não ser egoísta depois, quando você estiver com a Mariana!&lt;br /&gt;— Bruna! Pelo amor de Deus! Já cansei de falar que não quero que você fale da Mariana! Eu não gosto dela, será que você não entende? – gritei, irritado. Eu nunca gritara com Bruna daquela forma.&lt;br /&gt;— Quero dizer, qualquer menina que futuramente você goste! – gritou ela também, respondendo à minha reação idiota e irracional – Mas já que você acha que estou sendo egoísta, não prometa nada. Vou estar pouco me lixando para quem você ficar – eu sabia que ela estava dizendo da boca para fora, um defeito horrendo de Bruna. Na discussão, ela dizia mentiras, mas o que realmente desejava fazer. Porém, eu sabia que ela era tão incapaz quanto eu de ignorar o que um fazia. Eu também era incapaz de ficar longe dela, se a situação fosse contrária.&lt;br /&gt;O silêncio se prolongou. Pude ouvir o vento que batia violentamente o vidro da janela, e Mike se remexeu. Hesitei mais alguns instantes, preparado para abaixar meu orgulho.&lt;br /&gt;— Desculpe – sussurrei – não vamos brigar, por favor, Bruna.&lt;br /&gt;Seus olhos semicerram-se, balançando a cabeça negativamente de desgosto.&lt;br /&gt;— Você é ridículo – ela disse, em uma voz mais calma, porém medonha. Seus olhos encontraram os meus, raivosos e doloridos. – Não precisa prometer nada, nem se desculpar. Acho que eu fui a idiota, aqui, então – declarou, ironizando a última frase.&lt;br /&gt;Levantei-me da cama, não conseguiria ficar mais perto daquela Bruna que eu desconhecia. Andei lentamente pelo quarto, querendo fugir, querendo voltar a ser o covarde e tolo de sempre. Debrucei-me na escrivaninha a poucos metros da cama, fechando os olhos.&lt;br /&gt;— Não sei o que você tem – murmurei, lutando contra as gotas que iam cair involuntariamente de meus olhos – Entendi a parte que, se eu achar a pessoa certa para mim, terei que avisá-la que não ficarei tanto com você. Mas por que você fala o nome de Mariana como se ela fosse a pessoa certa?&lt;br /&gt;Ela não acreditou em minhas palavras.&lt;br /&gt;— Talvez porque eu tenho visto ultimamente o quanto ela sofreu e sofre por você, amando você, praticamente. Não faz idéia de quanto ela gosta de você, mesmo com as poucas palavras que vocês trocam. Antes, quando você ao menos tinha um pouco mais do que conhecimento de que ela existia, ela falava às poucas amigas que você lançava um olhar para ela, demonstrando interesse. Mas ela estava se iludindo. Se você realmente quisesse alguma coisa com ela, teria me contado, não teria? – perguntou, como se brincasse que era eu que não contava as coisas a ela.&lt;br /&gt;Dei um riso sem humor, com desprezo. Balancei a cabeça negativamente, depois a virei em sua direção, com os olhos de sarcasmo.&lt;br /&gt;— Acha que sou eu que tenho que contar as coisas? Por que você não me contou isto?&lt;br /&gt;A dor inundou seus olhos, empalidecendo seu rosto.&lt;br /&gt;— Eu ia te contar.&lt;br /&gt;— Já contou – lembrei a ela. – agora, pode sair.&lt;br /&gt;Fechei os olhos novamente, pensando no que acabara de fazer. Não ouvi um passo, ou um movimento sequer de seu corpo. Pude ouvir, quase seus batimentos acelerados.&lt;br /&gt;— Guilherme...&lt;br /&gt;— Saia, por favor, Bruna.&lt;br /&gt;Desta vez, ela retirou-se da cama, pegando seus pertences apressadamente. Abri os olhos, vi um vulto de seu rosto amargurado e expressando dor, apenas dor. Ela correu porta afora, quase voando sobre a escada. Mônica estava em seu quarto, ela nem se despedira, óbvio.&lt;br /&gt;Ouvi o barulho da porta da sala se bater violentamente. Não esperei na janela, para ver seu corpo sair de minha visão da rua como fazia todas as vezes, pensando no dia que acabara de ter.&lt;br /&gt;Não hoje.&lt;br /&gt;Fechei a porta do meu quarto, passando a chave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-4-inesperado.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-6-reconciliacao.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-3410946976950136025?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/3410946976950136025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-5-promessa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/3410946976950136025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/3410946976950136025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-5-promessa.html' title='Capítulo 5 - Promessa'/><author><name>laís hiromi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11671453086715003340</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sld-xnFUN2I/AAAAAAAAAE8/QbWler3jbG8/S220/(35).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/SiNE_4LIUzI/AAAAAAAAADo/86bt0ewLO38/s72-c/Promessa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-8011941958283698897</id><published>2009-05-29T19:04:00.007-03:00</published><updated>2009-06-05T18:07:28.031-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 8 - O inverno da primavera</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://fc05.deviantart.com/fs29/f/2008/073/0/4/flashback_by_spokojnysen.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 310px; height: 302px;" src="http://fc05.deviantart.com/fs29/f/2008/073/0/4/flashback_by_spokojnysen.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;   — Calma Sophie, acontece com qualquer um. — repetia a garota de cabelos ruivos e lisos cortados no ombro — Aliás, não é tão ruim assim. Sua mãe já é adulta e pode fazer o que quiser.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Mas é constrangedor, é estranho. É uma sensação esquisita, não sei como explicar. — coloquei a mão na testa — Sinto que perdi para a minha própria mãe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Bianca gargalhou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Não acredito nisso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — No quê?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Que esteja com inveja da sua mãe. — disse, enquanto ria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — E eu não acredito que ela tem alguém e eu não. — bufei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Um vento fraco entrou pela janela do seu quarto, fazendo meus fios castanhos se embaralharem. Nosso diálogo se transformou em silêncio rapidamente, senti um pequeno conforto. Ela sempre fazia eu me sentir daquela forma, mesmo que estivesse calada. Era algo que sentia com frequência desde quando a conheci no começo daquele outono. Sabia que nunca seria correspondida, mas não podia evitar. Nunca fui boa no amor, por mais que tentasse com todas as forças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Sua mão branca se pôs sobre a minha e a garota sorriu. Um sorriso perfeitamente notável, sedutor, que me matava cada dia mais, mas que continuava me encantando toda vez que se revelava. Não consegui retribuí-lo. Continuei observando seus lábios rosados, até eles se abrirem para falar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Você tem a mim. — seu sorriso voltou à face.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Não da forma que eu queria ter.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    A garota fitou o chão. Ela não podia fazer nada. Eu era a errada, não deveria estar culpando Bianca, fazendo-a se sentir daquela forma. Curvei os lábios de forma afável, tentando lhe agradar com uma ridícula tentativa de sorrir de forma meiga.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Mas é o bastante. — completei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Eu sei que é. — então seu sorriso voltou à face mais uma vez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei com um pouco de dor de cabeça no último sábado da primavera. Faltava apenas uma semana para a tão esperada festa. Desci a escada de espiral com uma das mãos na testa e de olhos semi-abertos. Lembranças me feriam daquela forma, machucavam-me com a incômoda saudade que me faziam sentir. Odiava sonhar com coisas que já haviam acontecido, detestava lembrar que o amor que sentia por Bianca era, definitivamente, o que mais me matava.&lt;br /&gt;Entrei na cozinha e procurei algo saudável para comer, mas as compras ainda não tinham sido feitas, por isso eu teria que tomar café-da-manhã em algum lugar que fosse perto de minha casa. Voltei ao meu quarto, coloquei meu notebook dentro da mochila e troquei de roupa. Desci novamente as escadas com a mochila colorida nas costas e me retirei de casa, andando desanimadamente até a primeira cafeteria que encontrei. Sentei-me e coloquei o notebook sobre a mesa, liguei-o e abri o programa de textos, preparando-me para escrever mais vinte páginas de um trabalho individual de história moderna sobre a evolução do capitalismo. Era fácil, nunca tive dificuldade em nenhuma matéria. Em alguns momentos me perguntava se era isso que eu tanto queria ser, se eu aguentaria ter essa vida entediante para sempre, mas como todas as minhas outras perguntas, essas permaneceram sem resposta.&lt;br /&gt;Pedi para a garçonete um sanduíche natural e um copo de suco. Quando pequena, fui acostumada a comer o mínimo de besteiras possível, apenas para ajudar a manter as contas em dia. A mulher de avental trouxe minha refeição antes que eu pudesse terminar de digitar a primeira página do trabalho e eu dei uma pequena pausa. Assim que terminei de comer, voltei para a minha tarefa, pesquisando o que não sabia nos sites mais adequados. Esse era o meu final de semana: dormir e estudar. Não fazia nada a mais, porém essa pequena rotina mudaria por pelo menos dois dias. Provavelmente, os dois dias mais agitados e inconsequentes que eu teria em toda a minha vida.&lt;br /&gt;Fechei o notebook quando terminei de escrever a décima página. Eu deixaria incompleto, terminaria no outro dia. Levantei-me assim que paguei a conta e coloquei a mochila novamente nas costas, saindo sem pressa alguma da cafeteria. Não estava afim de voltar para casa. Ainda estava cedo e eu queria relaxar. Caminhei pelas ruas sem saber aonde iria. Andei por alguns minutos até avistar um parque que costumava ir com Bianca. Era um lugar com um pequeno movimento na entrada, mas no outro lado era tão calmo quanto o meu refúgio. Milhares de pessoas passeavam com seus parentes e animais, apenas eu estava sozinha. Não tinha ninguém para andar comigo, Thiago passaria o final de semana com sua avó no hospital e não queria chamar Manuela ou Laís. Sentia-me abandonada, não sabia se poderia voltar a sorrir como antes. Minha vida não era a mesma, eu estava morrendo aos poucos, destruindo meu coração em milhares de pedaços por causa de uma garota que havia falecido a mais de três meses. Infantilidade, era isso que eu tinha. Como uma criança, eu apenas chorava, ao invés de fazer algo para mudar minha situação.&lt;br /&gt; Eu finalmente cheguei no lado calmo. Sentei-me na grama florida e encostei-me a uma árvore. Abracei meu próprio corpo e abaixei a cabeça, fazendo esforço para não pensar em nada. Esqueceria dos problemas e feridas e me permitiria, por algumas horas, a ter uma paz interior. Seria a primeira vez desde o acontecido, que eu, naquele sábado de primavera, faria algo para mudar por alguns instantes a minha vida.&lt;br /&gt;Apaguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    A neve era soprada violentamente pelo vento, por isso a noite estava mais fria que o normal para um inverno. Bianca me encarava, esperando uma resposta, mesmo já sabendo qual seria. Eu estava sentada na sua frente, nós duas em cima da cama do meu quarto. Costumávamos ficar conversando em minha casa quando acontecia aquilo com o clima.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Conte-me Mansour. — seus olhos castanhos me olhavam com curiosidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Não posso. — insisti e suas mãos apertaram as minhas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Claro que pode, por favor, Mansour. Sou sua amiga, ou até mais do que isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Fiquei calada. Ela sabia de tudo, sabia o que eu sentia, o quanto me feria, mas nunca fazia nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Você não quer ser mais do que minha amiga.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Eu quero Sophie, eu quero. Mas não consigo, não sei como fazer isso. Nunca havia gostado de uma garota antes, acho que não devo mudar isso, e...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Você acha que está se enganando e tem medo de me ferir. — completei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — É, é isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Sorri sarcasticamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Sinceramente, você tem medo de me machucar? — continuei rindo — E você tem noção do quanto me fere tentando não me machucar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Olha, eu...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Deixe-me falar. — disse em um tom mais alto, e a garota se calou — Não minta para mim, não fale que gosta de mim só para fazer com que eu me sinta bem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    A ruiva continuou calada. Eu estava certa. Um pequeno conjunto de lágrimas começou a se formar dentro de mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — É isso, não é? — fechei os olhos para não chorar — Você não me ama, só faz isso porque se importa comigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Seus braços me envolveram e eu continuei segurando o choro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Mas eu te amo de verdade. — falei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Silêncio. Os cinco minutos após o que eu havia dito foram de um doloroso silêncio. Levantei meu rosto e observei seus olhos sem vida. Seus cabelos estavam um pouco embaraçados e seu rosto, como sempre, estava pálido como a neve. Ela tirou seus braços de mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    — Talvez você esteja enganada. Talvez eu não me importe de verdade com você. — sua voz estava rouca, machucando-me mais ainda, mas depois de alguns instantes eu pude perceber que ela não falara seriamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Sorri. Levantei seu queixo com uma das mãos e coloquei meus lábios no seu. Ela demorou a ceder, mas assim que nossas línguas se encontraram, senti uma enorme felicidade momentânea, que foi destruída no instante em que a garota separou seu rosto do meu. Levantou-se assustada, com sua face sendo umedecida por lágrimas que começavam a cair de seus olhos. Ela abriu a porta do quarto e olhou mais uma vez para mim antes de sair. Pude ouvir o barulho de seus pés descendo a escada e me levantei. Apressei-me. Eu precisava pedir desculpas, havia feito aquilo sem pensar. Tinha cometido um erro e deveria corrigi-lo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    A porta se fechou antes que eu chegasse aos degraus. Desci de dois em dois para economizar tempo. Tropecei até a porta e corri assim que a abri. Tentei gritar seu nome, mas o frio parecia ter congelado minha voz. Avistei a garota, meu corpo parou instantaneamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Ouvi um barulho. O barulho mais silencioso de toda a minha vida. Eu tinha chegado tarde demais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu queria que você soubesse que eu adoro o jeito que você sorri.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu quero te abraçar bem forte e levar sua dor pra bem longe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu guardo sua foto, e eu sei que ela me ajuda bastante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quero te abraçar bem forte e roubar sua dor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Porque eu fico em pedaços quando estou solitário,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E eu não me sinto bem quando você vai embora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Você se foi pra longe, e não me sente mais aqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Evanescence – Broken)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-7-amarga-primaveira.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-9-frio-verao.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin: 0cm -63.85pt 10pt -63.8pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-8011941958283698897?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/8011941958283698897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-8-o-inverno-da-primavera.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/8011941958283698897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/8011941958283698897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-8-o-inverno-da-primavera.html' title='Capítulo 8 - O inverno da primavera'/><author><name>giovana barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07872158927402246165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-3100770318675016624</id><published>2009-05-21T20:36:00.010-03:00</published><updated>2009-06-05T16:19:28.298-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 7 - Amarga primaveira</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_e7RtNX-aLUk/ShXmtBEGKWI/AAAAAAAAAJQ/h5A7y5ViEK4/s1600-h/cap%C3%ADtulo+7.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_e7RtNX-aLUk/ShXmtBEGKWI/AAAAAAAAAJQ/h5A7y5ViEK4/s320/cap%C3%ADtulo+7.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338426594371709282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu não estava mais sozinha. Não me sentia mais a garota incompreendida nos últimos vinte dias. Não amava Thiago, mas de alguma forma, ele me transmitia segurança, conforto. Nunca havia me sentido assim com um garoto, e achei que fossem todos iguais, mas não, Thiago parecia entender meus sentimentos como alguém jamais conseguira entender. E por mais que fosse difícil acreditar, nós estávamos juntos naquela disputa amorosa, e precisávamos ganhar de alguma forma, não importava qual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus braços calorosos me prendiam ao seu corpo enquanto andávamos até o colégio, ceninha típica de casal apaixonado. Era o que queríamos: fazer com que pensassem que era um sentimento verdadeiro, mesmo não sendo, e causar ciúmes para Lise e Lara. Chegamos primeiro que elas, o banco seria nosso naquela manhã. Sentei em seu colo, coloquei meu queixo sobre seu ombro e o abracei. O garoto riu.&lt;br /&gt;— Chegaram. — disse risonho, e eu também ri.&lt;br /&gt;Levantei meu rosto e o lhe dei um beijo, daqueles que duram apenas quarenta ou cinquenta segundos. Virei-me e espreitei a ruiva, que estava presa nos braços da loira. As duas sorriram uma para a outra e deram um selinho.&lt;br /&gt;— Quer sair daqui? — perguntou.&lt;br /&gt;— Não, não podemos deixar aquilo nos abalar, certo?&lt;br /&gt;— Você é quem manda, Mansour.&lt;br /&gt;— Não me chame pelo sobrenome, por favor. — reclamei, e o garoto deu uma risada abafada. — Pare de provocar, Thiago. — soltei um riso fraco e toquei seus lábios com os meus.&lt;br /&gt;O sinal tocou e eu me levantei rapidamente. Uma garota diferente nos encarou, senti um pouco de medo, sua aparência era estranha. Era um pouco acima do peso e a sombra negra que arroxeava seus olhos destacava sua pele pálida, seus cabelos pintados de azul escuro pareciam mal cuidados. Usava lentes azuis e possuía piercings por todo o rosto, inclusive na sobrancelha. Não me lembrava daquela garota estudar no colégio, e quando passamos por seu corpo irregular para a sua altura, entregou-nos um panfleto preto de letras brancas. Li o que dizia enquanto andava até a sala, parecia ser uma festa privada, que aconteceria durante todo o primeiro final de semana do verão. Era fora da cidade, em uma antiga hospedagem perto de um lago, a trinta quilômetros de onde estávamos.&lt;br /&gt;Thiago me deixou em minha sala, ele estudava junto com Lara, por isso eram apenas quatro salas de distância da minha. Passei a aula de história contemporânea me perguntando se a ruiva também havia recebido o convite e se ela iria para lá. Levantei-me e fui até a mesa de Laís, parando em sua frente apenas para poder espreitar a garota de fios vermelhos, que para minha surpresa, estava segurando o papel preto com uma mão e apertando teclas do celular com outra. Era óbvio que ela iria, e por isso eu arrastaria meu novo parceiro para ir comigo.&lt;br /&gt;A aula de literatura foi a menos entediante. Sra. Delanni entregou os trabalhos, e para variar, minha nota havia sido dez. Estava tão acostumada com isso, que o coloquei dentro da bolsa sem um pingo de cuidado, sendo amassado por cinco livros grossos. No final da manhã, encontrei-me com Thiago na frente da sua sala. Andamos até seu Vectra prata, que dissera ter ganhado de aniversário no mês passado. Eu passaria a tarde toda com ele dando uma volta na cidade, seria uma boa oportunidade para citar a festa que a garota estranha havia divulgado. Ele sentou no volante e eu no carona. Começamos a conversar enquanto o carro se movia pelas ruas, até que eu finalmente toquei no assunto, e ele aceitou a idéia de ir.&lt;br /&gt;— Mesmo se elas não forem, precisamos de um pouco de diversão. — sugeriu.&lt;br /&gt;Concordei com a cabeça. Thiago colocou a mão em meu ombro e riu.&lt;br /&gt;— Você já foi a uma festa dessas? — perguntou.&lt;br /&gt;— O que você acha? — disse de má vontade.&lt;br /&gt;Ele riu novamente.&lt;br /&gt;— Eduardo e Mark me arrastavam para várias dessas. Acho bom você levar bastante roupa, você realmente vai precisar.&lt;br /&gt;Olhei-o me sentindo insultada. Eu sabia o que precisava levar, não era burra, só não entendia a causa de tanta risada. Paramos no estacionamento de um fast-food perto de minha casa e lanchamos, depois olhamos alguns livros na livraria ao lado. Thiago me deixou na entrada de minha casa, retirando-se apenas quando fechei a porta principal. Minha mãe me chamou para ajudá-la a fazer o jantar, pois havia convidado seu novo companheiro para se juntar a nós na última refeição do dia e seus dotes culinários não era um dos melhores de nossa família. Ela ficava envergonhada quando falava deles para mim, por esse motivo, nenhuma palavra se quer saiu de sua boca até eu terminar de cozinhar. Coloquei a comida na mesa e sentei no miúdo sofá cinza.&lt;br /&gt;— Irei a uma festa no primeiro final de semana do verão. — eu disse, finalmente cortando o silêncio.&lt;br /&gt;— Onde? — perguntou com um olhar desconfiado. — Com quem?&lt;br /&gt;— Em uma antiga hospedagem a trinta quilômetros daqui, não é tão longe e eu vou com alguns amigos.&lt;br /&gt;— Que amigos? — insistiu, e eu revirei os olhos — Não se meta com esse tipo de gente, Sophie. Sabe o que acontece em festas assim?&lt;br /&gt;— Não me trate como uma garotinha, mãe, eu ando com quem eu quiser e vou aonde quiser.&lt;br /&gt;— Você não vai, mocinha.&lt;br /&gt;— Tente me impedir. — falei baixinho e me levantei do sofá.&lt;br /&gt;Subi a escada de espiral e entrei em meu quarto, fechando a porta violentamente e me atirando contra a cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os raios do sol iluminaram a janela do meu quarto, fazendo-me acordar. Levantei-me com rapidez e fui ao banheiro. Olhei-me no espelho por alguns instantes, até sentir uma forte pontada no estômago. Enchi as mãos de água e molhei meu rosto. Comecei a sentir enjôo, então voltei ao quarto e tirei meu celular da bolsa. Disquei o número de Thiago e esperei ele atender.&lt;br /&gt;— Oi Sophie. — disse ao aceitar a ligação.&lt;br /&gt;— Ah, oi.&lt;br /&gt;— Por que ligou?&lt;br /&gt;— Queria saber se você pode vir me buscar hoje.&lt;br /&gt;— Claro que posso, vou passar ai daqui alguns minutos.&lt;br /&gt;— Obrigada.&lt;br /&gt;— De nada, mas agora eu preciso me arrumar. Até daqui a pouco.&lt;br /&gt;Ele desligou antes que eu pudesse dizer “tchau”. Tirei minhas roupas e tomei banho, penteei o cabelo debaixo do chuveiro para não ter trabalho algum depois. Terminei, fui ao quarto, vesti uma calça jeans escura tradicional e uma blusa branca com alguns desenhos. Calcei uma rasteira preta e voltei ao banheiro novamente, prendi minha franja com uma presilha normal, escovei os dentes e finalmente estava pronta para mais um dia no colégio, mas não estava me sentindo muito bem.&lt;br /&gt;Ouvi a buzina do Vectra prata soar na rua. Conferi se era ele pela janela e desci. Não tomei café da manhã, pois não estava com disposição para isso. Saí de casa nas pressas, abri a porta do carro, sentei ao seu lado e dei um sorriso amarelo.&lt;br /&gt;— Obrigada novamente. — agradeci — Você tem feito muito por mim nesses últimos dias.&lt;br /&gt;— Não precisa agradecer Sophie, até porque você sabe que eu não estou fazendo isso só por você.&lt;br /&gt;— Eu sei. — disse, colocando o braço sobre a barriga assim que a dor voltou.&lt;br /&gt;O garoto me olhou e eu soltei um gemido fraco.&lt;br /&gt;— Você está bem?&lt;br /&gt;Senti um grande aperto, um embrulho no estômago. Coloquei a mão na boca e fechei os olhos com força. Thiago parou o carro e olhou para mim.&lt;br /&gt;— Vou te levar ao hospital.&lt;br /&gt;— Não, por favor, eu... — dei uma pausa dramática — Estou bem. Foi só uma pequena dor, mas já passou.&lt;br /&gt;Sorri, e o garoto pareceu acreditar. Pôs a mão no volante novamente e tornou a dirigir até o colégio. O caminho foi tranquilo, Thiago me ajudou a descer assim que chegamos. O banquinho estava sendo ocupado por um grupo de adolescentes, fazendo com que eu e o garoto moreno ficássemos em pé até o sinal tocar. Entrei em minha sala e conversei com Manuela, apenas para me distrair da pequena dor que estava sentindo. A ruiva entrou na classe com um grande — e pouco aprazível — sorriso, e assim que percebeu que meu olhar estava em sua direção, sua expressão ficou fria. Eu sabia o motivo que a fazia feliz, por isso coloquei a cabeça em cima da mesa e adormeci. Era uma guerra e eu não sabia se estava no começo ou no fim, mas se estivesse acabando, Thiago e eu estávamos longe de vencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;E tocarei para você se você quiser.&lt;br /&gt;Estou apenas desperdiçando meu tempo?&lt;br /&gt;É, eu tocarei para você se você quiser.&lt;br /&gt;Estou apenas enlouquecendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou apenas enlouquecendo?&lt;br /&gt;Estou apenas enlouquecendo?&lt;br /&gt;Eu sou apenas um perdedor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Damien Rice - Bottom Shelf)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-6-o-comeco-da-primavera.html"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-6-o-comeco-da-primavera.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-8-o-inverno-da-primavera.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-3100770318675016624?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/3100770318675016624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-7-amarga-primaveira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/3100770318675016624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/3100770318675016624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-7-amarga-primaveira.html' title='Capítulo 7 - Amarga primaveira'/><author><name>giovana barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07872158927402246165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_e7RtNX-aLUk/ShXmtBEGKWI/AAAAAAAAAJQ/h5A7y5ViEK4/s72-c/cap%C3%ADtulo+7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-6574063527421517938</id><published>2009-05-18T19:02:00.009-03:00</published><updated>2009-07-22T03:29:04.956-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='labrador'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='hospital'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='veterinário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mike'/><title type='text'>Capítulo 4 - Inesperado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/ShHc_pftfGI/AAAAAAAAADg/4LFCmCzmNF4/s1600-h/Labrador.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/ShHc_pftfGI/AAAAAAAAADg/4LFCmCzmNF4/s320/Labrador.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5337290019439475810" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Com a lágrima que escorria em meu rosto, Mike virou a cabeça para mim e me lambeu. Comecei a ficar com a agonia de quem não consegue expressar-se, então liberei mais lágrimas. Pensei comigo mesmo: “Sua mulherzinha, imbecil, idiota, fraco.” Como pude ser tão retardado mentalmente a esse ponto?&lt;br /&gt;Bruna não tinha culpa, como sempre. Sempre fui o otário e burro da história, porque sempre fui o garoto que amava incondicionalmente uma garota, e que não se declarava por medo dela não corresponder.&lt;br /&gt;Apenas aí eu tinha razão: Bruna não me amava, como eu a amava.&lt;br /&gt;Impossível alguém amar uma pessoa tão inútil como eu.&lt;br /&gt;Minha cabeça se apoiou na parede, e meus braços caíram no chão. Meus olhos, úmidos e sem vida, fitaram o teto, pensativos. Soquei três vezes o chão, fazendo meus dedos tremerem de dor.&lt;br /&gt;Mike levantou-se, sentou na minha frente, oferecendo a pata esquerda. Peguei-a como um gesto de consolo, puxei-o para meu colo e o abracei. Nessas horas, eu podia contar com Pedro, André, Victor, todos os garotos que eu tinha um vínculo de parceria forte, mas Mike era pra sempre meu grande bobalhão e amigo.&lt;br /&gt;Sua enorme língua ensopada cobriu meu rosto, obrigando-me a afastar seu corpo do meu. Comecei a conversar com ele, como se ele pudesse me ouvir. Mas era um bom ouvinte. Passei alguns minutos conversando com ele, entendendo que, se pudesse falar, Mike diria que eu estava sendo hipócrita e ridiculamente dramático. Eu sabia que Bruna não gostava de mim, e era para eu me contentar com isto.&lt;br /&gt;Abracei seu corpo novamente, tendo o cuidado para não tomar um banho de saliva grudenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana passara, e meu círculo de emoções fortes se dissipara. A neve continuava a cair, parecia que nosso bairro iria ser soterrado. Mas acontecia em todos os invernos, então relaxei. Na quarta e na quinta-feira, as aulas foram suspendidas por causa do excesso de neve. Nesses dias, reunimos Pedro, Lílite, André, Victor, Bruna, Fabiana e Gustavo, o irmão mais velho de Bruna, aqui em casa. Apesar de não caber todos, nos amontoamos e vimos quatro filmes. Minha mãe trabalhou exaustivamente na cozinha, fazendo seus bolos e tortas famosos. A delegacia também só deixou poucos guardas para emergências, então minha mãe estava dispensada.&lt;br /&gt;Terça-feira. Aulas de química, geografia e história não eram convidativas numa manhã de neve brusca caindo aos montes em sua cabeça, mas eu fui, por não querer dormir naquela manhã.&lt;br /&gt;Agora, para mim, era um desafio olhar Mariana. Lembro que no dia seguinte do ocorrido, conversei com ela. Sua expressão corada em seu rosto redondo de compasso era clara em minha memória. Mas ela teve coragem e me explicou tudo. Realmente, gostava de mim. Tentei ignorar esse fato, falando com ela como se nada tivesse acontecido. E não deu muito certo, obviamente. Porém, ela sentou ao meu lado em todas as aulas, o que não acontecia antes.&lt;br /&gt;Eu não queria iludir sua mente, nem dar-lhe esperanças.&lt;br /&gt;Bruna não faria eu mudar minha opinião. Nunca. Prometi a mim mesmo.&lt;br /&gt;As aulas passaram mais rápido do que eu sempre quis, então fui com Pedro, Lílite e Bruna tomar chá quente na cafeteria da esquina da casa de Pedro. Por mim, tomaria café-da-manhã todos os dias lá, mas o preço não agradava meus bolsos. A qualidade de lá sim.&lt;br /&gt;— Estou sem dinheiro, gente. Alguém paga um chá pra mim? – disse Bruna, revelando um milagre: impossível a filha de ouro que ganhava oitocentos reais por mês de mesada não ter dinheiro. Sua voz de mel voltara ao normal, assim como sua saúde.&lt;br /&gt;— Um chá e algum doce – ofereci.&lt;br /&gt;— Não precisa – ela estava sendo gentil, como sempre. Nunca rejeitava um doce.&lt;br /&gt;— Fique quieta, que doce você vai querer?&lt;br /&gt;— O de sempre, óbvio.&lt;br /&gt;Chegamos à cafeteria, pedimos a mesa no melhor lugar. Claro, se recebi minha mesada no dia anterior, era para gastar. Coloquei meu casaco grosso na cadeira, enquanto olhava a nova decoração de inverno do ambiente. Pedi um chá de hortelã e um &lt;i&gt;waffle&lt;/i&gt; de baunilha com calda quente. Bruna pediu seu doce predileto daquele estabelecimento: uma generosa massa crocante trufada, também com calda quente, e um chá de maçã.&lt;br /&gt;— Não sei se vou à escola amanhã, e vocês?  - disse Lílite, balançando seus cachos ruivos para remover a neve.&lt;br /&gt;— Eu vou. Você sabe que perder matéria não é muito atrativo – reclamei, assumindo meu lado nerd.&lt;br /&gt;— Se bem que no inverno, a vontade de ir pra escola cai depressivamente... – refletiu minha musa, apoiando a cabeça em uma das mãos.&lt;br /&gt;— Gente – eu disse – em plena quarta-feira. Deixa pra faltar em sexta ou segunda, para emendar o fim de semana.&lt;br /&gt;— É, tem razão – concluiu Pedro, assim que nossos pratos chegaram.&lt;br /&gt;Beberiquei meu chá, que ajudou a me esquentar. Enfim, o conforto era totalmente bem-vindo após aulas vulgares e sem reais importâncias. Ao meu redor, nenhum adolescente, ou praticamente, criança; poucos adultos de uns vinte a trinta anos almoçavam lanches finos e caros. Decidimos que não iríamos almoçar na cafeteria, pois iria custar demais, então apenas tomaríamos um chá.&lt;br /&gt;A conversa fluiu como em um dia comum. Meus dedos dos pés e das mãos se esquentaram, temendo a volta para a nevasca nebulosa. A presença de Bruna ali era como a de uma simples amiga – a melhor amiga – porém, nada mais que isso.&lt;br /&gt;A música agitada do meu celular começou, então atendi: era minha mãe.&lt;br /&gt;— Oi, mãe.&lt;br /&gt;— Filho, vem pra cá agora. – sua voz estava calma, mas urgente.&lt;br /&gt;— Por quê?&lt;br /&gt;— Venha logo, é urgente, pelo amor de Deus, Guilherme. – o desespero agora estava claro.&lt;br /&gt;— Estou indo.&lt;br /&gt;Desliguei o aparelho, contei resumidamente o que ela dissera e saí, deixando meu dinheiro sem trocado com eles. Corri porta a fora, colocando meu casaco apressadamente. Não parei de caminhar rápido até minha casa, imaginando o que tinha acontecido. Minha mente logo se fixou em Mike, mas nada muito grave. Porém, a urgência da voz de minha mãe me deixou angustiado.&lt;br /&gt;Ao virar na esquina de minha rua, notei um carro branco do veterinário de Mike. Minhas pernas tremeram. Voltei a correr o mais rápido que pude, querendo logo falar com minha mãe. E lá estava ela, aflita e tremendo, olhando para a maca que descia as longas escadas do exterior de minha casa. Nela, meu companheiro Mike, desacordado.&lt;br /&gt;— O que aconteceu? – perguntei aflito, quase gritando de desespero.&lt;br /&gt;— Encontrei o Mike desmaiado no seu quarto – sussurrou ela, notando meu desespero, e como, uma mãe experiente, saberia pelo o que eu teria que passar. – Meu filho pode ir com vocês? – disse ela para um dos homens.&lt;br /&gt;— É claro – um homem com um casaco pesado branco disse, pesaroso.&lt;br /&gt;— Vá com eles, Gui. Vou avisar o Sr. Fales que irei ao veterinário por emergência, logo em seguida vou até lá.&lt;br /&gt;Não consegui emitir som algum. O entorpecimento de minha voz chegou ao nível máximo. Desviei meu corpo de minha mãe e entrei no carro pela parte de trás, onde estava um médico checando a pulsação de meu Mike. Olhei sua grande cabeça, olhei seu corpo. Ele respirava, graças a Deus, porém ainda estava desacordado. Sentei ao seu lado, chamando seu nome. “Tentativas inúteis” repetia para mim mesmo. O médico dissera que ele não acordou com aromas fortes nem nada.&lt;br /&gt;O veterinário parecia ficar a uma eternidade de minha casa.&lt;br /&gt;Era só um susto, só podia ser um pequeno susto. Mike comeu algo que não devia e simplesmente desmaiou, ou algum odor forte demais tenha feito ele ficar assim.&lt;br /&gt;O carro parou em frente de um estabelecimento de fachada branca, e os três médicos saíram do veículo, segurando a maca de meu amigo. Corri, seguindo-os. Segurei a porta para entrarem, e o ambiente me deixou nauseado e mais nervoso do que já me encontrava. Fomos para a entrada de emergência, deixando os donos dos mais diversos cães existentes irritados. Subi a escada aos saltos, sabendo que, apesar de um simples desmaio, do outro lado do aparelho médico podia estar avisando que meu Mike corria perigo vital.&lt;br /&gt;Seu corpo, em horizontal sobre a maca, começara a ter tremores assustadores, que alertaram mais os médicos de urgência.&lt;br /&gt;Levaram-no para uma sala, e disseram que eu não poderia entrar. Insisti, mas logo entendi que não poderia mesmo. Fiquei ao lado de fora, tentando, de alguma forma, me acalmar. Mas era impossível. Havia café e água na sala de espera, porém ao fitar aquilo, quase meu chá e meu doce recém digeridos vieram à tona.&lt;br /&gt;Mônica caminhou depressa parando próxima de mim.&lt;br /&gt;— Como ele está? - seu rosto expressava dor e abatimento.&lt;br /&gt;— Não sei, entraram agora.&lt;br /&gt;Funguei profundamente, agora me atirando contra o corpo jovem e delicado de minha mãe. Sua estatura é menor que a minha, mas seu abraço era um tanto acolhedor e reconfortante. Ela sentou no sofá macio e bege, obrigando-me a sentar junto a ela. Resmunguei como uma criança manhosa e mimada, soltando as lágrimas que queriam sair desde o momento que vi o veículo na porta de minha casa.&lt;br /&gt;— Guilherme, não chore. Não foi nada de mais, ele vai ficar bem.&lt;br /&gt;Não respondi. Ninguém conhecia Mônica como seu próprio filho, e ela não tinha segurança no timbre de sua voz.&lt;br /&gt;Não podia ocorrer nada de grave com meu cão, meu eterno companheiro e amigo, por favor.&lt;br /&gt;— O que é isso, meu filho? Foi apenas um desmaio, ele está sendo atendido. Você também, só tem tamanho, mas chora igual uma criança.&lt;br /&gt;Eu dei um riso de leve. Enxuguei as lágrimas repousando minha cabeça nas mãos, me livrando do abraço de minha mãe.&lt;br /&gt;Mas voltei ao meu estado pessimista. Liberei mais algumas lágrimas, funguei novamente.&lt;br /&gt;Um homem de branco saiu da sala e disse que havia feito exames. Disse que em um deles, foi revelado que Mike bateu a cabeça fortemente, e que teria que passar algum tempo em repouso, no hospital.&lt;br /&gt;— Mas já sabe a causa, doutor? - A voz de Mônica estava rouca.&lt;br /&gt;— Infelizmente, não - o pesar em sua voz era claro - mas estamos fazendo o possível para descobrir. Hmmm, recomendo que vá para casa, só será possível vê-lo daqui algumas horas - alertou o médico, olhando para seu relógio de pulso - e antes que caia uma tempestade de neve.&lt;br /&gt;— Hmmm, tem razão. Vamos, Guilherme?&lt;br /&gt;— Que horas exatamente poderei vê-lo? - perguntei ao médico, com os olhos ardendo.&lt;br /&gt;— Não sei ao exato, mas creio que só à noite.&lt;br /&gt;— Vamos voltar à noite, então - disse minha mãe, levantando-se, engolindo uma lágrima, também. Apanhou sua bolsa, pegou em minha mão e saiu, agradecendo o médico e a recepcionista loira.&lt;br /&gt;Saímos para o frio indescritível, apressando-nos a entrar no Corolla de dois lugares, prata. Não era próprio para a ocasião, mas a pressa obrigara minha mãe sair com aquele veículo. Liguei o aquecedor e disquei o número de Bruna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-3-va-esperanca.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/06/capitulo-5-promessa.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-6574063527421517938?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/6574063527421517938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-4-inesperado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/6574063527421517938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/6574063527421517938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-4-inesperado.html' title='Capítulo 4 - Inesperado'/><author><name>laís hiromi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11671453086715003340</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sld-xnFUN2I/AAAAAAAAAE8/QbWler3jbG8/S220/(35).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/ShHc_pftfGI/AAAAAAAAADg/4LFCmCzmNF4/s72-c/Labrador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-1808784366333672169</id><published>2009-05-16T01:46:00.008-03:00</published><updated>2009-06-05T16:18:23.761-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 6 - O começo da primavera</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_e7RtNX-aLUk/Sg5MPDrOYCI/AAAAAAAAAJA/iQ4BI9rO4A4/s1600-h/Hidden_Pain_by_Youcantkillmymind.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Cambria Math"; 	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; 	mso-font-charset:1; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-format:other; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;} @font-face 	{font-family:Calibri; 	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-unhide:no; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	margin-top:0cm; 	margin-right:0cm; 	margin-bottom:10.0pt; 	margin-left:0cm; 	line-height:115%; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 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A neve havia acabado fazia dois dias e desde a tarde de alguns dias atrás, Lise evitou qualquer tipo de comunicação comigo. Não que eu quisesse, na verdade, era isso o que eu vinha insistindo para ela fazer desde o começo. Mas, saber que a minha falta de cautela resultasse nisso era um tanto quanto perturbador. Eu pediria desculpas, apenas isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Segui ao meu refúgio. O pátio do colégio estava vazio, ainda faltavam trinta minutos para o início da aula, e eu, como sempre, havia chegado mais cedo somente para aproveitar a nova estação em meu cantinho acolhedor, sentindo o cheiro das novas flores que nasciam nos canteiros. Era algo que eu gostava, mas que jamais me confortaria tanto como as folhas do outono. Então meu corpo paralisou. Senti um aperto tão forte, que pensei que me faltaria ar para respirar. Diante dos meus olhos eu pude ver Lise, e ao seu lado estava Lara. As duas estavam ligadas a um beijo, que da forma mais importuna possível, fragmentou meu coração.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Eu corri, procurei algum lugar para me esconder, para me isolar de tudo e todos. Sentei na grama, perto de uma árvore, em um lugar onde poucos passavam. Se eu estivesse realmente gostando daquela garota? Eu provavelmente teria perdido a minha chance, e estava ali, fechando meus olhos em uma ridícula tentativa de me proteger de meus pensamentos absurdos. Pensar em Bianca não era mais tão doloroso, as feridas estavam se curando, mas outras começavam a nascer. Foquei-me em lembranças que aumentavam e ao mesmo tempo diminuíam a minha nostalgia. Era a única coisa que podia fazer.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Dessa vez, não teria alguém para me abraçar, fazer-me esquecer dos problemas que me cercavam. Coloquei o rosto entre as pernas e engoli o choro, mas ainda me sentia desprotegida. Conseguia ser inútil o bastante para precisar da proteção de outra pessoa. Comecei a sentir ódio de mim mesma. Tinha que ter uma saída, uma forma de acabar com todo esse sofrimento, mas não queria estragar tudo. Pela primeira vez na vida, senti uma desmedida vontade de se prender a ela, da mesma forma que eu precisava me prender a Bianca. Era simples, mas talvez não fosse o momento certo para sentir aquilo. Lise não me perdoaria depois do que eu fiz, e se perdoasse, de nada adiantaria, pois Lara já havia roubado meu lugar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Vários adolescentes começaram a passar. Foi quando me dei conta de que faltavam apenas cinco minutos para iniciar a aula. Subi os degraus e entrei no colégio, minha sala ficava no primeiro conjunto e foi possível chegar lá antes do Sr. André entrar. Sentei-me em uma carteira no fim da classe e apoiei a cabeça. Sociologia não era uma de minhas aulas preferidas, e eu realmente não conseguiria me concentrar. O professor entrou com dezenas de pequenas apostilas para distribuir. De mês em mês recebíamos novas atividades, e sinceramente, para que eu iria querer estudar os fenômenos sociais? Retirei-me da sala para ir ao banheiro. Não virei para trás para conferir se a ruiva estava me encarando ou não, apenas segui pelo corredor até o toalete.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Sentei no chão, perguntando-me se era possível me sentir bem na situação em que estava. Coloquei as duas mãos na testa e deixei que as lágrimas rolassem pelo meu rosto. Sentia dor, decepção e uma estranha vontade de sumir. As coisas que eu mais queria eram as mais distantes de mim, e novamente, não podia fazer nada para mudar aquilo. Por que eu tinha que gostar sempre da pessoa errada? Por que quando tudo começava a dar certo, eu tinha que tirar conclusões ridículas e destruir tudo? Eu sabia que não existiam respostas exatas para aquelas perguntas, por isso, acusar o destino era o melhor a fazer. Lavei meu rosto, retoquei a maquiagem e puxei a porta para sair, mas antes que eu pudesse me movimentar para fora, um casal de garotas de mãos dadas apareceu em minha frente. Encarei a ruiva por alguns instantes e abri espaço para as duas passarem, retirando-me logo em seguida, voltando para a aula antes que alguém sentisse a minha falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;              &lt;/span&gt;Procurei me manter firme durante o resto da manhã, sem olhar para quem entrava e saía da sala, e a hora de sair foi a menos tranquila. Lise e Lara estavam novamente em meu cantinho sagrado, e eu esperaria até elas se retirarem para poder ir lá. Eduardo e seus amigos ficaram me perturbando. Um garoto estava junto deles, calado, só observando o que os outros faziam. Chamava-se Thiago. Seu cabelo era castanho, da cor do meu. Sua pele era tão branca, que era quase possível ver o sangue que corria em suas veias. Ele se encolhia no meio dos outros garotos, talvez estivesse tentando parecer invisível. Seus olhos castanhos escuros sempre fitavam as duas garotas. Não imaginava o que um rapaz como ele fazia no meio daquela panelinha de idiotas. Os garotos foram embora, menos Thiago, que continuava em pé ao meu lado. Ele não iria falar nada se eu não tivesse cortado o silêncio com uma pergunta idiota.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Uma em ponto. — respondeu, sua voz era rouca.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Sorri, tentando agradecer a sua gentileza. O garoto retribuiu o sorriso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Aquilo te incomoda? — direcionou seu olhar ao casal de garotas que se abraçavam.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Infelizmente. — lamentei.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Também.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Olhei-o, perguntando-me o que lhe incomodava naquela cena.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Lara é minha amiga de infância. — disse, como se acabasse de adivinhar o que eu estava pensando.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— E você a ama. — completei.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— É, e ela sabe, mas eu não faço o tipo dela.&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/span&gt;— Você deveria esquecê-la.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Eu já tentei, só que realmente não é fácil esquecer uma pessoa depois de anos se dedicando a ela, mesmo que ela te despreze várias vezes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;—Entendo, mas... — fitei o chão — Não te machuca? Não te causa raiva?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Machuca, e muito. A raiva eu tento evitar, porque se ela não quer, não posso forçá-la a ter algo comigo. Não tenho motivos para sentir raiva.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Achei estranho aquilo tudo vir de um garoto, mas eu sabia desde o momento em que o vi que ele não era igual aos outros.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Ela não tem o direito de te ferir desse jeito. — afirmei.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Lise também não tem, e você está aqui, igual a mim.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Não estou aqui por causa dela.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Está por qual motivo, então?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Não posso dizer.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Segredinho é coisa de garotinha, Sophie. — ironizou.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Talvez eu ainda seja uma, Thiago.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;O garoto riu novamente e seus olhos se voltaram ao casal. Olhei para a mesma direção e vi a garota de fios vermelhos nos encarando.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Ajude-me — sussurrei.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Como? — perguntou, também aos sussurros.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Assim.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Beijei-o. Pude sentir o olhar pesado da ruiva nos fitando. Não era certo fazer aquilo, mas era a minha única opção. Ele pareceu entender a que ponto eu queria chegar, e como se também fosse o favorecer, retribuiu o beijo e seus braços me prenderam contra seu corpo desajeitado. Coloquei minhas mãos em volta do seu pescoço e empurrei seu rosto para mais perto do meu, querendo no mínimo fazer Lise pensar que eu estava gostando. &lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Afastei nossos lábios o abracei. Nenhuma das garotas estava mais lá. Provavelmente, a tentativa de causar ciúmes havia dado certo.&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/span&gt;— Talvez elas sejam mais fracas que nós. — brinquei.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Deveríamos continuar assim. — disse, rindo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Fitei-o.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Assim como?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Causando ciúmes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— Não acho certo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;— E o que elas fazem é o quê? Ferir os sentimentos dos outros é algo certo? Você mesma falou que Lara não tinha o direito de fazer isso. — ele me olhou e sorriu — Você não vai querer perder a Lise também, ou vai?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Can't you see the pain in my eyes?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Can't you feel the scars in my heart?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Can't you hear me screaming on the ground?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(by ~ raining art)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-5-o-chamado-da-primavera.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-7-amarga-primaveira.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-1808784366333672169?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/1808784366333672169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-6-o-comeco-da-primavera.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/1808784366333672169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/1808784366333672169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-6-o-comeco-da-primavera.html' title='Capítulo 6 - O começo da primavera'/><author><name>giovana barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07872158927402246165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_e7RtNX-aLUk/Sg5MPDrOYCI/AAAAAAAAAJA/iQ4BI9rO4A4/s72-c/Hidden_Pain_by_Youcantkillmymind.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-1243562687720758725</id><published>2009-05-10T21:32:00.015-03:00</published><updated>2009-08-13T08:57:54.498-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='neve'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vã'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esperança'/><title type='text'>Capítulo 3 - Vã Esperança</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sgdy1GG9rJI/AAAAAAAAADY/qri1mseNT4I/s1600-h/Neve+na+Cidade.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 240px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sgdy1GG9rJI/AAAAAAAAADY/qri1mseNT4I/s320/Neve+na+Cidade.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334358540142095506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Minha chegada em casa após uma longa hora de recordações foi mais atenciosa que o normal. Minha mãe estava almoçando em frente à TV, e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Mike&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, meu labrador amarelo de porte grande mordia um osso aos pés dela. As perguntas sobre minha saúde que saíram da boca de minha mãe me deixaram constrangido. Eu ainda estava em transe por ter ido a um lugar onde estive somente no ano passado, nunca mais.&lt;br /&gt;Fiz carinho na cabeça de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Mike&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, que me lambeu, e subi as escadas. Deixei minha mochila em meu quarto e fui ao banheiro. Olhei para o espelho e tive uma surpresa: meu rosto se encontrava com um sorriso enorme, quase que ridículo, em sua superfície. Meus olhos e nariz desincharam, meus lábios agora só ficavam abertos para falar e sorrir. Testei minha fala, agora era só uma rouquidão grave, pelo menos eu conseguia falar. Era horrível não poder conversar direito.&lt;br /&gt;Tirei todas as peças de roupa de meu corpo, até ficar completamente congelado sem algum pedaço de pano. Tomei uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;ducha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; quente, que relaxou meus músculos, e pela primeira vez desde o inverno passado, me deu vontade de ficar em casa, repousando, fazendo absolutamente nada.&lt;br /&gt;Decidi que iria adiantar minhas tarefas escolares, e fiz para uma semana. Isso ocupou duas horas de minha tarde, então quis ligar o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;notebook&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; e ficar passando o tempo. Liguei meu aparelho de som e deixei o CD de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Daft&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Punk&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; em um volume agradável. Sentei com as costas na cabeceira da cama, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;notebook&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; no colo, sobre uma manta grossa. Vasculhei minha página da Internet e meu e-mail cantando as músicas que sabia de cor. Foi quando, ao ver minha página, vi uma mensagem em particular de Mariana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Guilherme. Eu sei que faz pouco tempo que nos conhecemos.&lt;br /&gt;Quanto tempo, na verdade? Quase um ano.&lt;br /&gt;Isso não dá motivos para excluir a possibilidade de nossa amizade ser tão boa a ponto de parecer que somos amigos desde sempre.&lt;br /&gt;E eu já te disse que você é lindo?&lt;br /&gt;Aliás, todas as garotas devem te dizer isso, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;né&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Então, quem sou eu, uma garota gorda, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;problemática&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, míope, para achar que eu teria alguma chance?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos arderam com a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;reação&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; de não piscar por muito tempo. Fechei os olhos.&lt;br /&gt;Nunca alguém se declarara assim. Estava discreto, mas estava óbvio. Um calafrio violento percorreu meu corpo como um raio.&lt;br /&gt;Mas a autora não havia especificado. Não havia declarado detalhes, mas eu considerei o que vi.&lt;br /&gt;Uma coisa que odeio são pessoas que usam a Internet para demonstrar suas emoções, e não declaram pessoalmente, quando se é possível&lt;br /&gt;Peguei o telefone e disquei o número, o número de Mariana.&lt;br /&gt;No terceiro toque, alguém atendeu, mas não disse nada. Insisti em dizer “Alô”, mas nem um ruído saía do aparelho. Depois, a chamada ficou ocupada. Repeti o número apertando um botão, e a mesma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;seqüência&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; repetira. “Tentarei mais tarde”, pensei.&lt;br /&gt;Porém, agora que eu não podia ficar sem fazer algo a respeito. Eu precisava falar com Mariana. Seja mentira ou não.&lt;br /&gt;Meus pés agora balançavam do outro lado da cama, inquietos, tensos. Fiquei batendo meus dedos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;inultimente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; nas teclas, sem apertá-las. Li e reli inúmeras vezes o mesmo parágrafo. Visitei a página dela, olhei suas fotos.&lt;br /&gt;Mariana, apesar de toda sua simpatia e generosidade, era a garota de uma aparência não das melhores da escola. Seus óculos de forte grau e hastes vermelhas chamavam a atenção para seus olhos fundos e esverdeados. Seu peso era, digamos, um pouco elevado, mas ela se esforçava para esconder. Sua estatura era mediana, porém, mesmo assim, era ainda considerada a mais feia de minha classe. E eu nunca havia dado a ela uma atenção a mais.&lt;br /&gt;Mariana porém, era uma pessoa boa e de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;personalidade&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; forte. Seus pais faleceram quando ela tinha dois anos de idade, ela então foi criada com os tios maternos. Nunca soube cuidar de animais de estimação, apenas de peixes. Era nervosa compulsiva e viciada em doces. Bruna também era necessitada de muito açúcar, mas ela conseguia controlar seu peso graças às &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;atividades&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; físicas, que incluíam dança &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Street&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; e voltas pelo bairro com bicicleta, sem contar as aulas cansativas de teatro. Mariana se dizia preguiçosa, mas compensava com suas notas escolares. Sempre estudara muito, trocando lazeres como Internet por horas na frente de livros. Aprendera a levar a sério assuntos escolares, depois de repetir a quarta série.&lt;br /&gt;Bruna, outra vez, ganhava: revisava a matéria recente durante meia hora por dia; tendo notas iguais às minhas, que reviso por uma hora e meia.&lt;br /&gt;Mas eu não sabia se aquelas palavras digitadas eram verídicas; eu teria que saber.&lt;br /&gt;Tirei o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;notebook&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; de meu colo, fui para a cozinha encher um copo de água. Tirei da porta da geladeira a água refrescante, e molhei minha garganta ainda áspera. Meu cérebro estava funcionando em outro padrão, demasiado pensativo.&lt;br /&gt;Subi as escadas novamente, desta vez &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;Mike&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; me seguiu. Peguei o telefone novamente, liguei para Mariana. O telefone chamou quatro vezes. Na quinta, ouvi um silêncio momentâneo, depois, uma voz feminina parecia dizer no fundo “Fala alguma coisa, pra que fugir?”. Depois, era seguido de uma risada discreta. Meus ombros se encolheram, então desliguei e desisti. Ah, fora a gota d’água. Se ela não queria conversar, eu não insistiria. Resolvi conversar no dia seguinte, pessoalmente.&lt;br /&gt;Meus pés e minhas mãos estavam inquietos, desde o momento que li a mensagem de Mariana. Olhei por toda sua página. Ela tinha poucas fotos de si mesma, no entanto sabia tirar fotos. Valorizava seu melhor ângulo - ou, dizendo sinceramente, menos feio – e suas demais fotos eram em um álbum com seus amigos. Eu estava naquele álbum, uma foto minha com ela. Ela editara a foto riscando seu rosto, dizendo que saíra horrível. Mas eu é que estava horrível.&lt;br /&gt;Ainda sim, pensei comigo mesmo: Mariana está me evitando. Foi ela mesma que deixou esta mensagem para mim, não alguma amiga invejosa querendo arruiná-la.&lt;br /&gt;Agora, eu estava inquieto demais para continuar em casa.&lt;br /&gt;Vesti uma calça &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;jeans&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, uma touca de lã preta e botas de couro, peguei meu celular e saí para o relento. Minha mãe estava descansando, graças a Deus. Não queria explicar porque sairia no meio de uma tempestade de neve.&lt;br /&gt;E, no sentido literário, era uma tempestade. A neve que caía sem parar congelava a ponta de meu nariz e os dedos das minhas mãos, mas não desviei de meu destino. Segui até o prédio de Bruna, quatro quarteirões de distância de minha casa. Mais pareciam &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;quilômetros&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, então tentei não me preocupar novamente com o frio. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Refleti&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; novamente sobre Mariana, e que contaria tudo à Bruna.&lt;br /&gt;Finalmente, meus pés tocaram o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;calçamento&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; da portaria do prédio. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Interfonei&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; para seu apartamento, e sua voz ainda não tinha voltado. Ela pedira para a empregada Catarina atender.&lt;br /&gt;Agradeci ao porteiro, como era de costume, passei pela gentil moça da recepção e entrei no elevador. Eu estava a caminho de uma simples conversa com minha melhor amiga, aparentemente.&lt;br /&gt;Mas, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;veridicamente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, estava indo fazer ciúmes na pessoa em que mais amo e quero o bem neste mundo.&lt;br /&gt;Ciúmes, não &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;corretamente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; a palavra certa a se dizer, mas eu precisava ver Bruna, de um jeito ou de outro.&lt;br /&gt;Apertei a campainha do apartamento de três andares de Bruna, ansioso.&lt;br /&gt;— Olá Guilherme!&lt;br /&gt;— &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Oi&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; — disse, para a bonita e uniformizada de azul-bebê empregada.&lt;br /&gt;— Pode entrar, Bruna está no quarto dela.&lt;br /&gt;Assenti, e subi as duas levas de escadas sem pressa. Gostava de admirar a casa de Bruna, que é enorme. No primeiro andar, uma área de cores claras formava uma sala de espera, toda decorada &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;criativamente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Um piano de cauda preto situava-se do canto direito, enquanto do outro lado uma sala de tema madeira alternava o tom de escuro para claro construía harmonicamente a sala de jantar, com milhares de peças de vidro e cristal. A cozinha cara e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;personalizada&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; usava também tema madeira, tons de castanho e um branco creme. O lavabo gracioso e moderno, decorado para o inverno.&lt;br /&gt;No segundo andar, as cores passavam para um tom mais escuro. A área mais pessoal era uma sala de estar, com um moderno e caro conjunto de som instalado à sua volta. Outra sala média formava uma pequena academia, onde o pai de Bruna passava os fins de semana, queimando calorias. Outro lavabo, com cores acinzentadas e pequenas estatuetas, réplicas escuras de obras de arte. Um escritório, também, cores escuras, compunha-se de uma cadeira de executivo, uma enorme janela de vidro — assim, como em todos os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;cômodos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; da casa —, um computador de alta qualidade e uma estante com milhares de livros. Em ambos os andares, varandas com vistas de extrema beleza, para os pinheiros e a piscina sem cobertura do prédio.&lt;br /&gt;      Ao entrar no quarto de Bruna, deparei-me com a pequena gata, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Kate&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;. Seu pêlo branco com manchas castanhas se esfregou em minha calça e um miado fino saiu de sua garganta. &lt;div&gt;&lt;div&gt;Particularmente, era o melhor cômodo do "castelo" dos Giordano Fehera. Ocupava dois andares, composto pela cor roxa. Era tão roxo quanto branco. Um equilíbrio orgulhoso. A decoração nas paredes e na enorme estante localizada no primeiro andar era por bichinhos de pelúcia com a boca cerrada em riscos pretos, dados e pequenas silhuetas femininas, sempre incompletas, cortadas. Ela própria escolhera no início do ano. Sob o chão do segundo andar, dois degraus baixos davam acesso à uma escrivaninha branca e uma parede de vidro, assim como a parede lateral. Na entrada, um sofá macio com almofadas lilás situava-se na diagonal, junto a um tapete peludo e uma TV de plasma. Subi as escadas, e era lá que eu mais admirava. Uma cama de casal espaçosa, outra TV de plasma na parede. Uma cerca alternante de roxo à branco separava o segundo andar do primeiro. Poderia levar uma queda perigosa caso caísse dali.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os lustres, todos de vidro, a luz branca, e riscos violeta os contornavam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A parede redonda cobria o banheiro, e em seu canto esquerdo, a porta para o closet. Ao lado da cama de Bruna, um charmoso criado-mudo, uma escrivaninha com um computador espelhado e a porta de vidro para a varanda.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bruna estava lá, deitada em sua enorme cama macia com uma manta grossa sobre seu corpo. O &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;notebook&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; ligado, que fazia uma luz branca em seu rosto, fora deixado de lado, e ela estava distraindo-se com o programa de televisão. Seu rosto ainda não desinchara, nem sua expressão de resfriado mudou. Mas continuava linda.&lt;br /&gt;      — Olá — eu disse, exibindo minha voz &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;semi&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; curada.&lt;br /&gt;      — &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;Oi&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; — tentou dizer ela, com um mínimo ruído e sua boca abrindo e fechando.&lt;br /&gt;Sentei ao seu lado, acariciando seus cabelos frios, olhando em seus olhos.&lt;br /&gt;      — Você não parece melhor.&lt;br /&gt;      — Não estou — sua voz parecia totalmente reduzida desde a manhã. Tentei reanimá-la, contando de como minha mãe me interrogou sobre a saúde, mas sua expressão de resfriado ainda era tristonha.&lt;br /&gt;Larguei meus &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;tênis&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; e enfiei meu corpo para debaixo do cobertor, colocando o braço envolta de seu corpo. Beijei sua testa como no início daquela tarde, então ela aconchegou a cabeça em meu ombro. Percebi que ela, milagrosamente, não queria conversar. Sua expressão, comigo, era mudada, totalmente lembrando o conforto. Bajulei-a, dizendo coisas em seu ouvido, porém não necessariamente românticas. Reconfortei-a, dizendo que sua voz se recuperaria logo, que poderíamos voltar a conversar normalmente, que a dor que arranhava sua garganta iria passar, e relembrando todos os momentos do inverno passado, divertindo-a, finalmente.&lt;br /&gt;Eu, então, entendi porque aquela garota me conquistara. Ela era a única pessoa que suportava meus dizeres mais idiotas, nos meus momentos de ataques de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;claustrofobia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; aguda, de querer desenhar tudo que encontro, de xingar até a minha própria mãe. Bruna adorava tudo isto, e nem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;Mônica&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, minha mãe-amiga, nem Pedro, nem o próprio &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;Mike&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; me aturava.&lt;br /&gt;A TV já não mais importava, era uma luz qualquer. Eu acariciava seus cabelos, meus dedos enroscando-se distraidamente em seus fios leves.&lt;br /&gt;Então, no triste pesar do silêncio momentâneo, o assunto terminara. Fitei a TV sem assisti-la, recordando-me do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;objetivo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; que propus quando vinha para a casa de Bruna. Depois, peguei meu celular esquecido e comecei a mexer em qualquer botão.&lt;br /&gt;Achei que era a hora de quebrar o silêncio torturador.&lt;br /&gt;      — &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;Hmmm&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; — hesitei — hoje eu estava mexendo no computador, e a Mariana me mandou uma mensagem...&lt;br /&gt;      — Que mensagem? — &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;pigarreou&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Bruna.&lt;br /&gt;      — Ela disse... que me achava lindo — disfarcei meu nervosismo com uma risada baixa – e, mais ou menos assim: “Todas as garotas devem ter dito isso, e quem sou eu, uma menina gorda, míope e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;problemática&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; pra achar que tenho alguma chance?”&lt;br /&gt;Bruna me olhava com intensidade. O azul de seus olhos grandes brilhava para mim, somente para mim. Mas o que... eu estava fazendo?&lt;br /&gt;      — Estou sem palavras.&lt;br /&gt;      — Imagina eu.&lt;br /&gt;O silêncio que renasceu fez meus pés começarem a se agitarem novamente, inquietos, porém entorpecidos.&lt;br /&gt;Percebi então que Bruna estava distraída assistindo a um programa fútil, sobre um de seus ídolos musicais.&lt;br /&gt;      — Sabe &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;Gui&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, por mais que ela seja feia, digamos sem receio, você deveria investir nela.&lt;br /&gt;Meu corpo se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;enrijeceu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;; eu não sabia se tinha escutado &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;corretamente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;      — Como assim? — não parecia uma pergunta, minha voz estava comprimida em uma rouquidão pior do que a normal.&lt;br /&gt;      — Sabe, é bom quando aparece alguém que gosta da gente. A Mariana é favorável, e as aparências não valem nada. Mas também se você achar ela feia mesmo – sua voz foi interrompida por um leve riso - podia lhe dar conselhos, já que ela se desvaloriza tanto.&lt;br /&gt;      — Não quero nada com ela, Bruna.&lt;br /&gt;      — Você é quem sabe. É claro que, você é lindo — o sorriso voltado para um lado, colocando em evidência uma covinha, estampou-se em seu rosto, que virou para me encarar — e que, vão ter muitas garotas querendo ficar com você. — a indiferença de sua voz era insuportável.&lt;br /&gt;      — Eu não quero várias garotas.&lt;br /&gt;      — Eu quis dizer que várias garotas, dentre elas, algumas mais bonitas, outras mais legais. Mas você quem sabe. — sua voz se cansou, agora implorando por um copo de água. Bruna pediu o copo que estava no criado-mudo, o qual quase larguei em sua mão.&lt;br /&gt;Agora, o silêncio não era causado por alguma coisa fútil ou momentânea.&lt;br /&gt;Eu não queria dizer nada, apenas correr dali, correr, que seja me atirar na neve mortalmente fria e morrer ali.&lt;br /&gt;Minha parte egoísta não deixava que eu tivesse compaixão e retribuísse a gratidão de se preocupar comigo.&lt;br /&gt;Minha parte egoísta e todo meu resto.&lt;br /&gt;Coloquei um toque no meu celular enquanto Bruna pensava, e fingi ser uma ligação. Desliguei a música e coloquei o telefone na orelha.&lt;br /&gt;      —Fala mãe — minha voz estava em ponto de me entregar, mas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;pigarreei&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; forte e continuei com a expressão sóbria.&lt;br /&gt;Bruna fitou-me, curiosa. Ignorei, continuei a fingir, e tentei aparentar desprezo, enquanto formulava minha desculpa para fugir daquele lugar irritante.&lt;br /&gt;      — Tudo bem, estou indo — apertei um botão qualquer, tomando o cuidado para que Bruna não visse a tela do meu celular.&lt;br /&gt;      — O que foi?&lt;br /&gt;      — Ela disse que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;Mike&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; está estranho, parou de brincar e não quer fazer nada desde que eu vim para cá – menti com desprezo, tendo que colocar a culpa no meu eterno companheiro.&lt;br /&gt;      — Droga, então &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;tchau&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;      — &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;Tchau&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; — dei um beijo em seu rosto, ainda entorpecido.&lt;br /&gt;Desci depressa as escadas, batendo forte a porta ao sair do quarto. Encontrei Catarina tirando o pó da estante na sala de estar, pedi que abrisse a porta para mim. Ela não perguntou o porquê eu tinha que sair, e abriu. Corri desesperadamente pelo elevador, porém o vazio em mim se manifestou durante a descida. Os vinte e três andares seriam cansativos para uma escada, mas eu teria conseguido.&lt;br /&gt;Diminuí o passo quando passei pela recepção e a portaria, mas voltei ao ritmo quando saí para a neve. Corri apressado por entre as poucas árvores cobertas por uma camada branca, pelas casas grandes e harmoniosas, com seus jardins de inverno, pelas crianças brincando umas com as outras.&lt;br /&gt;Cheguei aos pés da escada de entrada da minha casa. Uma lágrima ousou tentar sair de meu olho direito. Não, ainda eu não podia me afogar na minha sensibilidade exagerada.&lt;br /&gt;Subi as escadas, ofegante. Entrei na sala, minha mãe não estava. Vi que ela cuidava do jardim de inverno nos fundos da casa.&lt;br /&gt;Subi as outras escadas, procurando por meu único companheiro. Ao entrar no meu quarto, tranquei a porta.&lt;br /&gt;Meu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;Mike&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; estava deitado, esperando por mim. Sentei ao lado dele, quando, finalmente, uma lágrima escapou involuntariamente de meu olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-2-apenas-amizade.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-4-inesperado.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-1243562687720758725?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/1243562687720758725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-3-va-esperanca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/1243562687720758725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/1243562687720758725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-3-va-esperanca.html' title='Capítulo 3 - Vã Esperança'/><author><name>laís hiromi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11671453086715003340</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sld-xnFUN2I/AAAAAAAAAE8/QbWler3jbG8/S220/(35).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sgdy1GG9rJI/AAAAAAAAADY/qri1mseNT4I/s72-c/Neve+na+Cidade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-448518608255694424</id><published>2009-05-10T14:24:00.008-03:00</published><updated>2009-05-17T12:22:19.216-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 5 - Chamado de primavera</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://th07.deviantart.com/fs26/300W/f/2008/133/a/3/This_Suffering_by_Luua.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 246px; height: 327px;" src="http://th07.deviantart.com/fs26/300W/f/2008/133/a/3/This_Suffering_by_Luua.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A aula já havia começado, e Manuela, como sempre, tagarelava sobre Igor, garoto que Sra. Dellani escolheu para ser sua dupla. Senti uma imensa vontade de levantar e deixá-la falando sozinha, mas eu não seria tão rude com ela. Esforcei-me o máximo possível para conseguir me concentrar apenas no dia anterior, e me perguntei se havia feito certo em impedir Lise de ir longe demais.&lt;br /&gt;O sinal tocou, e antes que eu pudesse me levantar, a garota de cabelos ruivos estava ao meu lado sorrindo, como sempre, maliciosamente. Manu — que ainda estava ao meu lado — encarou a garota, mas logo percebeu que não existia motivo algum para sentir raiva dela, já que Lise era minha parceira de trabalho.&lt;br /&gt;Levantei-me e fui com Lise até o corredor, onde andamos na direção contrária de todos os adolescentes, a caminho do banheiro. Estava vazio. Os alunos preferiam usar os toaletes que ficavam ao lado do refeitório. A garota se olhou no espelho e ajeitou seus fios vermelhos, que estavam um pouco desorganizados. Nossos olhos se encontraram e a garota se virou. Segurou meus braços e me empurrou contra a parede, com seu corpo colado ao meu. Seus lábios se aproximaram do meu ouvido.&lt;br /&gt;— Você ainda vai me agradecer por isso. — sussurrou.&lt;br /&gt;Seus lábios beijaram meu pescoço por um longo tempo e então subiram ao meu queixo. Suas mãos soltaram meus braços. Uma se prendeu em minha coxa, enquanto a outra subia por dentro de minha blusa. Desci minha boca até a sua e nossas línguas se encontraram. Agarrei sua cintura com um dos braços e a puxei para mais perto, fazendo suas pernas se unirem as minhas. Meus dedos se entrelaçaram com seus cabelos ruivos, impedindo que seu rosto pálido se afastasse do meu. Escorreguei pela parede até Lise estar totalmente por cima de mim. Seu pescoço pareceu um tanto chamativo naquele momento, e foi a minha vez de beijá-lo. A garota soltou um gemido fraco, mas que me excitou mais ainda. Mordi o lóbulo da sua orelha de leve, e seu rosto virou, fazendo nossos lábios se encontrarem novamente.&lt;br /&gt;Assustei-me quando Lise saiu de cima de mim repentinamente. A porta do banheiro estava aberta, havia garota loira parada, fitando-me. Era Lara, repreendendo-me com sua expressão que quase sempre fazia meus ombros se encolherem, mas que não me causava mais efeito algum, não quando havia acabado de destruir um momento que talvez não pudesse mais se repetir. Ela sempre achava que, por estar no terceiro ano e eu no segundo, me intimidaria com apenas um olhar severo. Que por ter dezessete anos e eu dezesseis, poderia pisar em mim com suas reações exageradas.&lt;br /&gt;A ruiva se levantou e andou até a porta, parando ao lado de Lara, dando-lhe um sorriso amarelo e se retirando. Deixando-me sozinha com a loira, que me encarou por alguns instantes e também se retirou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;É o lugar errado,&lt;br /&gt;Para trair você.&lt;br /&gt;É a hora errada,&lt;br /&gt;Mas ela está me livrando das dificuldades.&lt;br /&gt;É um crime pequeno,&lt;br /&gt;E não tenho desculpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Damien Rice – Nine Crimes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A aula de trigonometria foi — como sempre — entediante. Sempre que olhava para Lise, seu olhar estava ora soturno, ora sombrio, mas nunca em minha direção. Não sabia o que se passava em sua mente, mas não parecia se algo agradável. E quando a aula acabou, a garota se quer dirigiu-se até mim. Era como se em poucas horas ela tivesse esquecido o que ocorrera no intervalo.&lt;br /&gt;Caminhei até a minha casa. A neve havia diminuído, o clima não estava mais tão frio, por isso, roupas de frio não eram tão necessárias como antes. Andei por alguns minutos, até me deparar com a ruiva, que estava sentada na fachada da minha casa. Ela se levantou assim que me viu, com um sorriso diferente do normal.&lt;br /&gt;— O que você faz aqui? — perguntei.&lt;br /&gt;A garota levantou uma das sobrancelhas.&lt;br /&gt;— Eu não posso vir até sua casa?&lt;br /&gt;— Pode, só que... você pareceu me evitar desde o intervalo.&lt;br /&gt;— Não estava te evitando. Só estava pensando.&lt;br /&gt;— E eu estava nesses pensamentos? — a garota concordou com a cabeça e eu a fitei — Tem alguma coisa que você queira me falar?&lt;br /&gt;— Na verdade, tenho. Mas não quero falar disso aqui.&lt;br /&gt;Eu abri a porta para a ruiva. Minha casa não era tão grande quanto a sua, mas era o bastante para uma família pequena como a que eu tinha. Meus pais haviam se separado quando eu era mais nova, e passei a morar apenas com minha mãe — que no momento estava sentada no sofá, assistindo ao telejornal. Ela acenou para nós em um gesto de boas-vindas e desviou seus olhos para a televisão novamente. Subimos a escada de espiral e entramos em meu quarto. A garota se sentou em minha cama, enquanto eu procurava no armário a roupa mais casual possível. Troquei-me ali mesmo, tentando adiantar o que Lise tinha para me dizer.&lt;br /&gt;— Então? — perguntei, sentando ao seu lado.  A garota colocou sua mão por cima da minha.&lt;br /&gt;— Eu estava me perguntando se o que fizemos é certo, se podemos continuar fazendo isso.&lt;br /&gt;— E o que você concluiu?&lt;br /&gt;— Se eu achasse errado, não estaria aqui.&lt;br /&gt;Fitei-a.&lt;br /&gt;— Não posso deixar de te dizer que também pensei sobre isso, mas acho que não tive a mesma conclusão que você. — pude perceber a expressão morta de seu olhar — Sabe Lise, acho que estamos confundindo as coisas. Talvez eu não esteja disposta a levar essa nossa “amizade” a sério.&lt;br /&gt;— E até quando você pretende se prender?&lt;br /&gt;— Até minha ferida se curar totalmente. — disse, desviando meu olhar do seu.&lt;br /&gt;— Não posso te esperar por todo esse tempo.&lt;br /&gt;— Você não precisa me esperar.  Na verdade, você não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;deve&lt;/span&gt; me esperar.&lt;br /&gt;A garota permaneceu em silêncio.&lt;br /&gt;— Você conhece a Lara? — perguntei, quebrando o silêncio.&lt;br /&gt;— Sim, por quê?&lt;br /&gt;— É que você praticamente fugiu assim que a viu.&lt;br /&gt;— Eu não estava fugindo. Só é meio constrangedor ver minha antiga namorada no momento em que estou em um clima diferente com uma amiga.&lt;br /&gt;— Antiga &lt;span style="font-style: italic;"&gt;namorada&lt;/span&gt;? Você já a namorou? — levantei uma das sobrancelhas.&lt;br /&gt;— Sim, e ela continua correndo atrás de mim. Só que eu não quero nada com ela, entende? Mas ela insiste.&lt;br /&gt;— Para ser sincera, eu entendo perfeitamente.&lt;br /&gt;Ela aparentou encarar o que eu disse como uma indireta, e estava certa. Como eu poderia ter algo com uma garota que eu conhecia a menos de uma semana? Essa era a pergunta que insistia em permanecer sem resposta.&lt;br /&gt;Lise chegou mais perto de mim e sorriu, como se não tivesse escutado o que havia acabado de dizer. Segurou minhas mãos, tentando impedir qualquer tentativa de fuga. Seu rosto se aproximou do meu, fazendo seus lábios selarem os meus. E quando soltou um dos meus braços, minha mão bateu em seu rosto instantaneamente. A garota ficou corada, eu podia ver a marca de minha mão em seu rosto. Ela se levantou e saiu, me deixando sozinha novamente, tentando entender o que tinha acabado de fazer.&lt;br /&gt;Minha mente se encheu de pensamentos contraditórios, uns afirmando que a minha ação foi certa. Mas a maioria me dizia que eu não deveria ter sido tão ríspida com aquela garota, que desde o começo estava tentando me curar.&lt;br /&gt;Peguei minha bolsa e tirei meus livros. Estudei para esquecer o sofrimento que me cercava, e também porque era a única coisa que podia fazer naquele momento. Talvez devesse falar com Lise no outro dia, mas não tinha tanta certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-4-os-primeiros-sinais-da.html"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-4-os-primeiros-sinais-da.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-6-o-comeco-da-primavera.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-448518608255694424?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/448518608255694424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-5-o-chamado-da-primavera.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/448518608255694424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/448518608255694424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-5-o-chamado-da-primavera.html' title='Capítulo 5 - Chamado de primavera'/><author><name>giovana barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07872158927402246165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-1705071194694022725</id><published>2009-05-07T18:55:00.013-03:00</published><updated>2009-05-17T12:21:07.280-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 4 - Os sinais da primavera</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://fc02.deviantart.com/fs44/f/2009/117/e/f/The_Eyes_Lie_by_monislawa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 307px; height: 307px;" src="http://fc02.deviantart.com/fs44/f/2009/117/e/f/The_Eyes_Lie_by_monislawa.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A aula passou rápido, e antes que percebesse, eu estava andando pelo corredor do colégio. Fui ao banheiro arrumar a maquiagem, e ao me olhar no enorme espelho — daqueles que mostram quase todo o corpo — ví minhas roupas sujas de branco. “Droga”, resmunguei, recordando-me do momento em que um garoto desastrado derrubara corretivo em mim.&lt;br /&gt;  Retirei-me sem ao menos abrir o pequeno o estojo. De que adiantava se maquiar se do pescoço para baixo estava um horror? E, aliás, eu iria apenas fazer um trabalho com Lise, não havia lógica alguma em me arrumar. Fui até meu refúgio com os braços sobre a barriga, tentando esconder a enorme mancha branca. Lise estava sentada no gélido banco, provavelmente aguardando a minha chegada. Andei até lá e sorri, não me daria o trabalho de sentar, acabaria logo com aquilo.&lt;br /&gt;  Lise se levantou rapidamente e retribuiu o sorriso.&lt;br /&gt;  — Você demorou. — confessou, enquanto andávamos até sua casa.&lt;br /&gt;  — Fui ao banheiro.&lt;br /&gt;  Ela me olhou dos pés a cabeça.&lt;br /&gt;  — O que é isso? — perguntou.&lt;br /&gt;  — O quê?&lt;br /&gt;  — Isso. — e então apontou para a mancha que meus braços tentavam esconder.&lt;br /&gt;  — Ah, isso.&lt;br /&gt;  A garota me olhou novamente, esperando que eu terminasse de falar.&lt;br /&gt;  — Um garoto derrubou corretivo em mim. — respondi, enquanto ela parecia pensativa.&lt;br /&gt;  — Então, suponho que você queira trocar de blusa.&lt;br /&gt;  — Não é uma má idéia, mas minha casa é na direção oposta a essa.&lt;br /&gt;  — Tudo bem, eu posso lhe emprestar uma roupa.&lt;br /&gt;  Eu não sabia o que dizer. Não queria trocar de roupa em sua casa, mas não conseguia formular um motivo para isso.&lt;br /&gt;  E então continuamos andando em silêncio. As ruas continuavam calmas, como em todos os invernos que havia presenciado na vida. O único barulho que se escutava era das crianças brincando na neve. O caminho até a casa de Lise era um pouco mais longo que o caminho até a minha. Ela continuava em silêncio quando paramos na frente de uma casa branca, com uma enorme fachada.&lt;br /&gt;  — É aqui. — apontou.&lt;br /&gt;  Eu permaneci calada. A garota subiu a escada e eu a segui. Entramos. Sua casa era grande e organizada, da mesma forma que eu havia imaginado assim que a vi pelo lado de fora. O quarto de Lise era também de paredes brancas, onde ficavam estantes cheias de livros. Havia uma mesa de madeira, e sobre ela estava um notebook branco, como quase todas as outras coisas do quarto. Não sabia se era coincidência ou se a ruiva gostava mesmo de combinar as coisas.&lt;br /&gt;  Ela abriu o notebook e o ligou. Foi até seu armário e retirou algumas roupas, que logicamente, seriam as que eu iria vestir.&lt;br /&gt;  — Podem ser estas? — perguntou, com as roupas na mão.&lt;br /&gt;  Eu concordei com a cabeça. A ruiva entregou o conjunto de roupas, virou-se e sentou na cadeira do móvel para digitar no pequeno notebook branco. Fiquei parada por alguns instantes, procurando lembrar se em algum momento ela dissera onde ficava o banheiro. E nessa falha tentativa, deduzi que teria que me trocar ali mesmo. Retirei algumas peças de minha roupa, esperando alguma reação da garota, que nem ao menos se moveu. Então, tirei minha blusa manchada e coloquei a que Lise havia me emprestado. Era exatamente do mesmo tamanho que as minhas, não tive dificuldade em vestí-la.&lt;br /&gt;  A garota — que antes estava concentrada em seu notebook — me olhava boquiaberta.&lt;br /&gt;  — Posso fazer o trabalho? — perguntei, fingindo não ter percebido sua reação.&lt;br /&gt;  Ela se levantou e sorriu, mas não desgrudou seus olhos de mim. Comecei a pesquisar o assunto do trabalho e ler cada texto que me era revelado. Digitei tudo o que havia entendido, e antes de chegar na sexta folha do trabalho, Lise achou melhor que eu fizesse uma pausa.&lt;br /&gt;  Sentei em sua cama, ao seu lado. E ela me olhou, curiosa.&lt;br /&gt;  — Você gostava mesmo dela? — sua mão estava por cima da minha novamente — Ela não parecia gostar de você.&lt;br /&gt;  Sua voz tinha um tom inocente, mas conseguiu me ferir de forma inconveniente. Segurei as lágrimas que se formaram dentro de mim.&lt;br /&gt;  — Sinceramente, você merecia alguém melhor que aquela garota. — prosseguiu — Ela se importava mais com a reputação do que com a suposta amizade de vocês.&lt;br /&gt;  A verdade continuava me machucando, fazendo o choro escorrer pelas minhas bochechas. Eu a abracei em um ato impulsivo, enquanto sentia meu coração sendo corroído por palavras.&lt;br /&gt;  — Desculpe, mas é a verdade. — disse, retirando seus braços de minhas costas e colocando uma de suas mãos em minha nuca.&lt;br /&gt;  A outra mão, no entanto, foi até meu queixo e o levantou na altura do seu. Seus lábios selaram os meus de leve, e antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, Lise se afastou. As lágrimas caíram com mais intensidade ao lembrar que havia feito a mesma coisa com Bianca.&lt;br /&gt;  — Foi assim, da mesma forma. — disse, chorosa.&lt;br /&gt;  — O quê?&lt;br /&gt;  — Eu fiz isso com ela. E ela foi embora e... o caminhão apareceu e...&lt;br /&gt;  — Pare de se culpar. — e então seus braços me envolveram novamente — Você realmente não merece isso.&lt;br /&gt;  — Você não me conhece direito, não pode ter certeza.&lt;br /&gt;  — E o que você teria feito de tão errado? Porque, se beijar uma amiga for crime, então me desculpe, mas acho que acabei de cometer um.&lt;br /&gt;  Eu a encarei.&lt;br /&gt;  — Você é estranha. — mencionei, e a garota riu.&lt;br /&gt;  — Você se acostuma.&lt;br /&gt;  — É, talvez.&lt;br /&gt;  Um sorriso permanecia em seu rosto, enquanto enxugava minhas lágrimas como da última vez. Beijou o canto da minha boca e sorriu maliciosamente, colocando novamente seus lábios nos meus. Pressionou meu corpo contra o seu com um dos braços. Sua língua começou a percorrer por toda a minha boca até encontrar a minha, e então eu retribuí. Sua mão entrou por dentro da blusa que havia me emprestado, nervosamente. Mas era a hora de parar. Afastei meus lábios dos seus e olhei nos seus olhos.&lt;br /&gt;  — Não passe dos limites, Lise.&lt;br /&gt;  A garota riu novamente.&lt;br /&gt;  — Acho que agora eu te conheço melhor. — gracejou — E ainda continuo acreditando que você não merecia aquela garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-3-o-sol-do-inverno.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-5-o-chamado-da-primavera.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-1705071194694022725?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/1705071194694022725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-4-os-primeiros-sinais-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/1705071194694022725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/1705071194694022725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-4-os-primeiros-sinais-da.html' title='Capítulo 4 - Os sinais da primavera'/><author><name>giovana barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07872158927402246165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-6549258303289098229</id><published>2009-05-06T17:27:00.010-03:00</published><updated>2009-08-02T12:15:59.303-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 2 - Apenas amizade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/SgHzFq8LCJI/AAAAAAAAADQ/KVMAfeAZ4Qg/s1600-h/Amor+2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 222px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/SgHzFq8LCJI/AAAAAAAAADQ/KVMAfeAZ4Qg/s320/Amor+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332810712534943890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um traço de luz atravessou o vidro de minha janela, fazendo minhas pálpebras se contraírem de dor. Uma forte dor fez minha garganta falhar e me forçou a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;pigarrear&lt;/span&gt;, o que foi uma péssima &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;idéia&lt;/span&gt;. Meus olhos se abriram e a luz era mais forte do que imaginei. Minhas narinas estavam inutilmente buscando por &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;oxigênio&lt;/span&gt;, mas nada se passavam por elas. Porém, mais do que isso, estava tentando lembrar meu último sonho. Odiara a maldita luz que o interrompeu.&lt;br /&gt;Caminhei até o banheiro e parei em frente a pia. O espelho sem moldura dizia que minha cara estava horrível. Um monstro. Meus olhos acinzentados estavam inchados, pequenos e avermelhados. Meu nariz, também inchado e avermelhado. Não conseguia fechar a boca, pois estava respirando por ela. Meu cabelo estava pior do que de costume. Seus fios estavam terrivelmente embaraçados e o efeito que ele tem quando acordo não era o mesmo. Eu teria que usar gel. E era ele a arma da minha sedução com as meninas do colégio. Tentei dar uma gargalhada para o espelho, mas só consegui enxergar um sorriso. Uma sensação horrível. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Enxagüei&lt;/span&gt; meu rosto com água aquecida e enxuguei. Não adiantara nada.&lt;br /&gt;Andei até a despensa, procurando algum xarope para garganta. Testei minha fala, não emiti som algum. Por que eu estava tão ruim assim? O que eu havia feito ontem?&lt;br /&gt;A festa de Marília foi &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;ótima&lt;/span&gt;, até brincamos de verdade ou desafio.&lt;br /&gt;A festa de Marília...&lt;br /&gt;Meu sonho!&lt;br /&gt;Lembrei que havia sonhado com o que eu sempre desejei em minha vida. Eu beijava seus lábios doces, e seu corpo era, por um momento, meu. Apesar de não lembrar direito do mesmo, era perfeito, maravilhoso. Eu poderia passar o domingo inteiro relembrando este sonho.&lt;br /&gt;Seus lábios, seu aroma, seu abraço.&lt;br /&gt;Mas, espere. Onde estava minha corrente que prata que usei ontem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, eu não havia melhorado nada, praticamente. Meus &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;pigarros&lt;/span&gt; arranhavam minha garganta em uma tortura insuportável. Minha voz falhava a ponto de quase não se ouvir um ruído, um chiado. Meu nariz funcionava aos poucos, me obrigando a levar no bolso uma pilha de lenços de papel.&lt;br /&gt;Mas quis ver Bruna e conversar com Pedro, então fui à escola.&lt;br /&gt;Cheguei ao colégio de carro, e ainda pedi para que minha mãe me deixasse na esquina. Além de eu nunca ter vindo de carro à escola, que fica cinco quarteirões de minha casa, eu me sentia um boneco de neve. Estava congelando, e o peso das roupas me fazia sentir obeso. “Devia ter ficado em casa”, pensei. Subi a escadaria de entrada com um esforço exaustivo, perdendo todo meu ar. Parei quando cheguei no topo. Metade do colégio já se encontrava ali, e eu sabia que iria enfrentar coisa muito pior que uma gripe como a minha.&lt;br /&gt;— Guilherme! Conta tudo! — gritou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Alan&lt;/span&gt;, assim que percebeu a minha presença. Sua voz grossa e intimidadora encolhia meus ombros. — Tentei arrancar da sua namorada, mas não consegui nenhuma informação... a coitada está sem voz.&lt;br /&gt;        “Eu também estou”, tentei dizer. Repeti umas três vezes, até ele entender através de leitura labial.&lt;br /&gt;— Caramba, beijaram tanto assim, foi? — disse &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Giovana&lt;/span&gt;, a menina da oitava série. Caramba digo eu. Quem teria sido o inútil que espalhou isso em menos de meia hora?&lt;br /&gt;Avistei Bruna, encostada em seu armário, conversando com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Milena&lt;/span&gt;. Estava mais agasalhada que eu. Me deu algum remorso, mas passageiro. Eu não queria que ela ficasse tão doente. No domingo, ela me contou pela Internet que tomou vacina para melhorar da gripe. Eu queria poder ouvir sua voz pelo telefone, mas não foi possível.&lt;br /&gt;        “&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Oi&lt;/span&gt;”, tentei dizer, Ela leu meus lábios e me abraçou, tentando também dizer “&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;oi&lt;/span&gt;”, como sempre fazíamos. Hesitei, pois sabia que os outros não teriam a mesma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;reação&lt;/span&gt; de sempre. E, como tudo o que imagino acontece, os gritos e a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;bagunça&lt;/span&gt; de quando nos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;cumprimentamos&lt;/span&gt; chamaram a atenção até das coordenadoras ali presentes. Mandaram fazer silêncio, então tentei conversar com Bruna.&lt;br /&gt;— Ah — falhou a voz dela, enquanto abria sua mochila cinza e preta à tiracolo — toma sua corrente prata.&lt;br /&gt;— Obrigado — tentei dizer, lembrando-me do dia anterior, que Bruna quis minha corrente. Meu maravilhoso dia.&lt;br /&gt;O sinal tocou alto e provocou uma sensação estranha nos meus ouvidos, como se estivessem entupidos. Como todos os livros do dia estavam em minha mochila desde sexta-feira, desci &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;direto&lt;/span&gt; à minha primeira aula. Gramática. Sentei na última carteira do lado direito, que dava para a janela. Apesar do vento totalmente gélido, eu precisava de ar. Bruna sentou à minha frente, calada, como nunca vi. Seria &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;reação&lt;/span&gt; do acontecido de ontem? Ou, podia ser, Guilherme idiota, que ela estava sem voz igual a mim.&lt;br /&gt;Tentei conversar.&lt;br /&gt;— Então sua mãe obrigou você a vir à aula? — era horrível estar sem voz, tendo que arranhar minha garganta para poder sair um mísero falho de voz.&lt;br /&gt;— Não, eu quis vir, mas eu acho que vou embora mais cedo para ir à clínica do meu pai. — disse ela, também se esforçando para ter um tom de voz uniforme. No domingo, dissera que além de todos os sintomas que eu tive, ela ficou com febre e repousou na cama o dia inteiro.&lt;br /&gt;— Ah. — tentei parecer indiferente, e olhei em outra &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;direção&lt;/span&gt;. Fitei um chaveiro novo em sua mochila, que já possuía todos os chaveiros possíveis. — É novo o chaveiro?&lt;br /&gt;— Sim... o... &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Felipe&lt;/span&gt; me deu. — sua voz era mais baixa. Engoli em seco. No domingo, Bruna dissera que antes de ir brincar de verdade ou desafio conversou com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Felipe&lt;/span&gt;, o menino da sala de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Larissa&lt;/span&gt;. O menino que gostava “&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;incondicionalmente&lt;/span&gt;” de Bruna. Era um chaveiro lilás, uma guitarra de gel. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Felipe&lt;/span&gt; é guitarrista.&lt;br /&gt;Meu corpo se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;enrijeceu&lt;/span&gt; neste momento. Eu odiava o ciúmes que chega a mim quando ela falava de outro garoto, com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;exceção&lt;/span&gt; à mim e Pedro.&lt;br /&gt;— Vocês se beijaram? — perguntei, com a expressão de dor que tentara evitar trazer à tona.&lt;br /&gt;— Não! — ferveu Bruna, em um tom pouco recuperado de sua voz rouca — É claro que não! Eu mesma lhe disse que nunca beijaria pela primeira vez alguém que eu mal conheço.&lt;br /&gt;Não pude continuar a conversar, pois a Sra. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Blumen&lt;/span&gt; havia chegado. Sua silhueta definida utilizava uma saia de veludo com botas sem salto, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;marrons&lt;/span&gt;. Trazia consigo a caixa de giz, cinco livros grossos e dois diários. Eu até gostava da Sra. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;Blumen&lt;/span&gt;. Aprendi a ter paixão por leitura em sua aula e a ampliar minha cultura, aumentando a pilha de livros da estante do meu quarto.&lt;br /&gt;Vimos um pequeno vídeo sobre a biografia de Baudelaire e fizemos um texto sobre ele.&lt;br /&gt;O tempo passara rápido, e eu percebi que já era hora do intervalo. O refeitório, uma área imensa com parte ao ar livre e parte coberta, estava cheio. As milhares de vozes que sempre ouvi todas as manhãs estavam mais eufóricas. Minha fama na escola se espalhou aos oito anos, quando minha mãe quis publicar um de meus desenhos no jornal semanal da escola. Foi então, que virei amigo de pelo menos duas pessoas de cada classe que eu mal conhecia antes. Hoje, me é familiar cada rosto que vejo na entrada, intervalo e na saída. Quando minha mãe me bajulava, falando frases &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;melosas&lt;/span&gt;, nunca acreditei. “Você é o menino mais bonito que já vi em minha vida, Guilherme”. Só passei a ser um pouco modesto quando recebi a mesma frase na minha página da Internet, inúmeras vezes. E hoje, principalmente, eu sabia que a fama havia aumentado. Soava tão ridículo para os mais velhos quanto inacreditável para os mais jovens, mas não deixava de ser uma revelação.&lt;br /&gt;Comprei um chá quente de limão em copo térmico e encostei na pilar quadricular de frente para a área livre. Beberiquei, quando ouvi uma voz conhecida.&lt;br /&gt;— É verdade que você beijou a Bruna ontem? — era a voz de Angélica, a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;garotinha&lt;/span&gt; de cabelos louros e mirrada, da quinta série. Eu não suportava aquela garota.&lt;br /&gt;— Quem te disse isso? — o sufoco de minha voz diminuíra, agora eu conseguia falar através de poucos ruídos.&lt;br /&gt;— A Mariana — revelou Angélica, apontando na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;direção&lt;/span&gt; da mesa da menina. Ela sentava com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;Felipe&lt;/span&gt; e outros meninos de sua classe. Meus olhos arderam de alívio, pois Mariana estava tentando tirar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;Felipe&lt;/span&gt; de meu caminho.&lt;br /&gt;— É verdade, por quê?&lt;br /&gt;— Curiosidade. Foi bom? — estava óbvio que não era apenas curiosidade.&lt;br /&gt;— ... foi. — menti. Não fora bom, fora maravilhoso, esplêndido, perfeito.&lt;br /&gt;Meu corte no assunto fora totalmente involuntário e digno de uma pessoa anti-social. Apenas no ano anterior a timidez me consumia.  Senti uma pena momentânea de Angélica, mas logo ela saiu de perto de mim.&lt;br /&gt;Acabei meu chá quando o sinal tocou novamente, subi com Bruna as escadas, falamos sobre a próxima aula, que era Inglês. Esperei Bruna pegar o material em seu armário, quando perguntei, casualmente:&lt;br /&gt;— Quantas pessoas já te perguntaram hoje sobre o beijo?&lt;br /&gt;— Deixa eu ver... umas cem? — sua voz se misturou à uma risada calorosa e rouca.&lt;br /&gt;— A mim também. — disse, pensativo, fitando seus cabelos brilhantes. — não é estranho?&lt;br /&gt;Bruna parou de mexer em seus livros com as mãos nervosas e me encarou.&lt;br /&gt;— Sim. — seus olhos se desviaram — mas isso não é motivo para ficarmos comentando desse assunto o dia inteiro.&lt;br /&gt;— É claro.&lt;br /&gt;— Vamos entrar.&lt;br /&gt;Apenas a segui, ainda pensativo. Era sem possibilidades de descrever como eu amava aquela garota, desde o dia em que nos conhecemos.&lt;br /&gt;Ou seja, há doze anos atrás.&lt;br /&gt;Nossa aula de inglês passou rápido, tivemos que cantar uma música dos Beatles. A última aula foi livre, pois o Sr. Mendes estava doente. Ficamos fazendo outras tarefas a aula toda.&lt;br /&gt;Ao meio dia e vinte minutos, o sinal tocou. Eu, que sempre levava Bruna até sua casa, queria, estranhamente, me livrar disto hoje. Desci as escadas lentamente, pois minha respiração não estava totalmente curada, meu cansaço também. Bruna vinha atrás de mim, eu teria que esperá-la guardar suas coisas e ser obrigado a conversar com ela. Foi quando, através do vidro da janela da escadaria, avistei pequenos pontos braços caindo do céu. O chão estava parcialmente coberto por camadas finas de branco.&lt;br /&gt;— Bruna, está &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;nevando&lt;/span&gt;! — vire-me e tirei minha melhor amiga de seus pensamentos perdidos.&lt;br /&gt;Bruna imediatamente olhou para a janela e abriu um sorriso de murchar meu coração. “Vamos correndo pra lá!” tentou dizer ela, enquanto &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;pigarreava&lt;/span&gt; nervosamente. Abriu seu armário num murro, largou os livros e correu na minha frente. Várias pessoas também correram, colocando seus casacos e saindo em disparada, ultrapassando as portas da escola. Meus olhos percorreram seus movimentos, então os segui, mais vagarosamente.&lt;br /&gt;Enfim, neve. Gélida, lisa, leve. Neve. Traziam-me várias lembranças, as quais eu nunca queria esquecer.&lt;br /&gt;Sentei na escadaria, observando a felicidade estampada nos rostos de todos aqueles alunos. Bruna estava lá, feliz, esfregando neve no rosto de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;Lílite&lt;/span&gt;, fugindo das ameaças das outras garotas de nossa classe, atirando bolas de neve por todos os lados. “Minha criança”, pensei.&lt;br /&gt;Me chamaram três vezes para brincar também, só que eu estava indisposto. Observar Bruna ao longe, com a felicidade demonstrada em seu rosto, seus cabelos infestado de pontos brancos e seus olhos, claros e brilhantes, era como um paraíso.&lt;br /&gt;Após meia hora, Bruna havia cansado e veio ao meu lado. Comecei então, a relembrar o inverno anterior, onde mais nos divertimos e demos valor à nossa amizade.&lt;br /&gt;— &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;Ei&lt;/span&gt;, lembra daquele lugar, onde você me deu aquele anel que simbolizava nossa amizade? No inverno passado, que achamos lindo o lugar.&lt;br /&gt;— Lembro, claro que lembro.&lt;br /&gt;— Vamos até lá? Que eu me lembre, faz um ano &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;exatamente&lt;/span&gt; que você me deu o anel. Eu... ainda tenho ele, claro.&lt;br /&gt;Recolhemos nossas mochilas e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;fichários&lt;/span&gt; e fomos até o tal lugar. Não era muito distante, apenas indo em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;direção&lt;/span&gt; à um pequeno bosque. Caminhamos um pouco, falando de todas as lembranças trazidas à tona do inverno passado. Foi um tanto reconfortante relembrar tudo, e perceber que Bruna nunca se esquecera o que já passamos. Ela ainda estava comigo.&lt;br /&gt;Ao chegar no lugar, estava completamente como lembrávamos dele. A grama agora era coberta por uma quantidade de neve razoável, pois só &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;nevava&lt;/span&gt; há algumas horas. O aroma frio e sufocante não se transformara. A ponte que dava para um lago continuava intacta, bem estruturada e havia gelo em seu lado oposto. Meus cabelos voavam com o soprar do vento congelante, mas eu estava feliz.&lt;br /&gt;Abracei Bruna por trás num gesto de carinho, e atravessamos a ponte, relembrando da primeira vez que fizemos isso. A neve fizera com que a madeira da ponte estivesse &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;escorregadia&lt;/span&gt;, e andamos com cuidado. Sussurrei em seu ouvido as lembranças que me vinham em minha mente: minhas falas quando lhe dei o anel, meus sentimentos, o valor de toda a nossa amizade até aqui.&lt;br /&gt;Quando chegamos no fim da ponte, pude ver o lago congelado com gelo acumulado em sua superfície. Os altos pinheiros há poucos metros de distância cobertos de neve eram familiares.&lt;br /&gt;E isso, obviamente, dizia que teríamos mais um inverno prolongado: adeus viagem de primavera anual do colégio.&lt;br /&gt;Mas, o que importava se eu estava com a pessoa com quem eu mais queria estar?&lt;br /&gt;— Te amo, Bruna.&lt;br /&gt;Então o sorriso afundou nossos lábios e dei-lhe um beijo na testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-1-nevoa.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-3-va-esperanca.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-6549258303289098229?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/6549258303289098229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-2-apenas-amizade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/6549258303289098229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/6549258303289098229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-2-apenas-amizade.html' title='Capítulo 2 - Apenas amizade'/><author><name>laís hiromi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11671453086715003340</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sld-xnFUN2I/AAAAAAAAAE8/QbWler3jbG8/S220/(35).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/SgHzFq8LCJI/AAAAAAAAADQ/KVMAfeAZ4Qg/s72-c/Amor+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-7213458299363013122</id><published>2009-05-05T14:29:00.006-03:00</published><updated>2009-05-17T12:19:47.610-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 3 - O sol do inverno</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://fc04.deviantart.com/fs45/i/2009/064/4/3/Winter_Girl_II_by_mucha155pf.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 356px; height: 236px;" src="http://fc04.deviantart.com/fs45/i/2009/064/4/3/Winter_Girl_II_by_mucha155pf.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;— Acorde Sophie. — disse a garota, me balançando.&lt;br /&gt;   Levantei a cabeça e abri um dos olhos, em uma tentativa inútil de enxergar o que me cercava.&lt;br /&gt;   — Vamos logo, você não pode ficar aqui. — insistiu.&lt;br /&gt;   — O que?&lt;br /&gt;   — É intervalo, vão trancar a sala.&lt;br /&gt;   — Ai Manu, me deixa. — abaixei a cabeça novamente. — Eles deveriam permitir que os alunos durmam nos intervalos.&lt;br /&gt;   A garota riu.&lt;br /&gt;   — Por favor, o colégio não é nenhum hotel. — disse, humorada.&lt;br /&gt;   — Não para você.&lt;br /&gt;   E então eu me levantei da carteira e andei até a porta. Manuela me seguiu. Andamos pelo corredor em direção ao refeitório.&lt;br /&gt;   Era um salão grande e tumultuado, cheio de jovens falantes e descontraídos. A comida era péssima. Os funcionários que a serviam eram piores ainda.&lt;br /&gt;   — Qual será a próxima aula? — Laís perguntou, esperando uma boa resposta.&lt;br /&gt;   — Literatura, graças a Deus. — respondeu Manu.&lt;br /&gt;   — Não sei como você consegue ficar tão calma. — Manuela olhou-a e ela complementou — A professora vai passar trabalho, sabia?&lt;br /&gt;   — Droga! — reclamou, observando Laís segurar o riso ao ver sua reação.&lt;br /&gt;   As duas começaram a tagarelar, enquanto eu me perdia em pensamentos desagradáveis. As vozes do refeitório passaram a ser apenas chiados em minha mente. E antes que eu pudesse me fixar em minhas lembranças, o sinal tocou. O intervalo havia passado rápido demais.&lt;br /&gt;   Laís e Manuela se levantaram e eu fiz o mesmo logo em seguida. Esbarrei-me com Eduardo, um garoto popular que seduzia quase todas as garotas do colégio. Os corredores costumavam ficar lotados no fim dos intervalos, era difícil passar sem se chocar com alguém. Continuei andando como se nada tivesse acontecido, enquanto o garoto me xingava por ter derramado seu refrigerante. Finalmente chegamos na sala, fui a primeira das três a entrar. Sentei em minha carteira e coloquei um dos cotovelos na mesa para apoiar a cabeça. A Sra. Delanni entrou com uma enorme papelada — que logo foi colocada em cima de sua mesa por um de seus alunos bajuladores — e começou a explicar o trabalho.&lt;br /&gt;   — Vinte páginas de desenvolvimento sobre o romantismo na europa? — gritou uma garota com uma voz irritante, que pelo que me lembrava, chamava-se Deborah. — Você é louca. Não dá para fazer um trabalho desses em uma semana!&lt;br /&gt;   — Se quiser, posso deixar que você e seu parceiro façam uma monografia, Srta. Stojak. — ameaçou a professora. — Aliás, ainda tenho que dividir as duplas.&lt;br /&gt;   Sra. Delanni sentou em sua cadeira e abriu uma pasta vermelha de plástico. Retirou uma lista com o nome de todos os alunos da turma e começou a formar duplas, pronunciando em voz alta as que já havia formulado. Manuela se levantou e sentou na carteira vazia ao meu lado. Olhou para mim e começou a tagarelar novamente, enquanto eu apenas concordava com a cabeça.&lt;br /&gt;   “Sophie e Lise”, ouvi — ou pensei ter ouvido — a professora dizer. Olhei para Manuela, tentando parecer indiferente. Eu não conhecia nenhuma Lise. Nunca havia escutado aquele nome.&lt;br /&gt;   — Quem? — perguntei, tentando novamente parecer indiferente.&lt;br /&gt;   Manuela olhou por cima do meu ombro. Virei meu rosto e vi a ruiva que me provocara mais cedo, estava sorrindo. E para piorar, estava sorrindo para mim. Seus olhos castanhos estavam fixados nos meus. “O que há de errado com aquela garota?”, perguntei à mim mesma. Levantei e me retirei da sala.&lt;br /&gt;   Os corredores, diferente de antes, estavam vazios. Foi fácil chegar ao banheiro sem ser incomodada. Olhei-me no espelho e ajeitei meus cabelos. Eram grandes e castanhos. Lisos, com corte em formato de "V" e uma franja presa para trás com presilha verde.&lt;br /&gt;   Não gostava do jeito que aquela garota olhava para mim. Era estranho, como se ela me perseguisse. Odiava a forma que se parecia com Bianca. Cada vez que olhava para seus cabelos ruivos, sentia uma demasiada vontade de chorar. E como se fosse mais forte que eu, as lágrimas desceram instantaneamente. Tentei me concentrar em outras coisas, mas não era o bastante para conter o choro. Só parou quando lembrei que tinha que voltar para a sala. Abri meu pequeno estojo de maquiagens e lavei o rosto. O lápis em volta dos meus olhos verdes estava borrado, eu não podia ir para a aula daquele jeito.&lt;br /&gt;   Depois de alguns minutos, estava tudo feito novamente. Voltei para a aula e sentei. Espreitei a garota de cabelos ruivos, desviando meu olhar quando percebi que nossos olhos se encontrariam. Eu teria que fazer o trabalho com ela, era só isso. Não era nenhum monstro de sete cabeças. Depois eu me livraria dela e fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;   Quando a aula terminou, juntei minhas coisas e coloquei dentro da bolsa branca de bolinhas vermelhas. Andei pelos corredores novamente lotados, Eduardo me encarou quando passei por ele, eu o olhei com um olhar robusto e segui meu caminho até o meu refúgio. Algumas garotas irritantes olharam para mim e começaram a cochichar com suas amigas. Eu não entendia. Ninguém, com exceção de Manuela, sabia da minha amizade secreta com Bianca. Tentei evitar aquilo também. Nunca havia entendido o motivo que Bianca tinha para querer esconder nossa amizade. “Talvez ela não quisesse ser vista com uma bissexual”, pensei enquanto virava à esquerda. E lá estava ele, coberto de neve, causando uma sensação de desconforto horrível, mas superável. Joguei a neve que estava em cima do banco no chão e sentei. Estava frio, mesmo vestida com várias roupas, uma por cima da outra.&lt;br /&gt;   Fechei os olhos e tentei descansar. Novamente, em vão.&lt;br /&gt;   Alguém sentou ao meu lado. Abri meus olhos e vi minha nova parceira de trabalho olhando para mim.&lt;br /&gt;   — Quando podemos começar? — perguntou, rindo.&lt;br /&gt;   Encarei-a indignada.&lt;br /&gt;   — Eu posso fazê-lo sem sua ajuda.&lt;br /&gt;   — De jeito nenhum. — retrucou a garota — Não quero levar créditos por algo que não fiz.&lt;br /&gt;   — Olha, eu não te conheço direito. Não faz sentido fazermos um trabalho juntas.&lt;br /&gt;   A garota de cabelos ruivos sorriu maliciosamente. “Que menina doida”, pensei.&lt;br /&gt;   — Temos uma semana para fazer esse trabalho. Dá para nos conhecermos melhor nesse tempo. — sugeriu.&lt;br /&gt;   Eu permaneci calada. Então o seu olhar mudou. Não era mais aquela expressão maliciosa, era curiosa.&lt;br /&gt;   — O que aconteceu?&lt;br /&gt;   — Nada. — respondi, me perguntando sobre o que ela estava falando.&lt;br /&gt;   — Claro que aconteceu algo. — encarou-me — Você é uma das mais inteligentes da turma. Acha mesmo que ninguém percebeu que você faltou duas semanas de aula?&lt;br /&gt;   — E o que você tem a ver com isso? — fitei-a — Minha vida não deveria ser de seu interesse.&lt;br /&gt;   — Todos sabem que você e Bianca eram amigas, as pessoas daqui não são lerdas a ponto de não notarem.&lt;br /&gt;   E então as lágrimas rolaram novamente pelo meu rosto. Ela tinha que dizer logo aquele nome que tanto me feria?&lt;br /&gt;   — Desculpe. — disse, colocando a mão sobre a minha — Eu não tive a intenção de...&lt;br /&gt;   — Eu... — sussurrei, interrompendo-a — Eu a matei.&lt;br /&gt;   Lise me olhou.&lt;br /&gt;   — Você não a matou, Sophie. Ela tinha arritmia cardíaca, qualquer pessoa com uma doença dessas pode... — deu uma pequena pausa e então prosseguiu — falecer após quase ser atropelada por um caminhão.&lt;br /&gt;   — Mas a culpa é minha.&lt;br /&gt;   — Por que?&lt;br /&gt;   — Porque sim.&lt;br /&gt;   A ruiva passou sua luva preta sobre minhas bochechas para enxugar as lágrimas e se levantou, estendendo a mão para mim.&lt;br /&gt;   — A Sra. Delanni não vai esperar até que você pare de chorar para receber o trabalho.&lt;br /&gt;   Segurei sua mão e com um pouco de esforço me levantei.&lt;br /&gt;   — Na sua ou na minha? — perguntou.&lt;br /&gt;   — Olha, talvez seja melhor...&lt;br /&gt;   — Na sua ou na minha? — repetiu.&lt;br /&gt;   — Na sua.&lt;br /&gt;   — Então, amanhã depois da aula, na minha casa. — disse, ansiosa — Acho melhor você ir, daqui a pouco vai ficar mais frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-2-surpresa-de-inverno.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-4-os-primeiros-sinais-da.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-7213458299363013122?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/7213458299363013122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-3-o-sol-do-inverno.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/7213458299363013122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/7213458299363013122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-3-o-sol-do-inverno.html' title='Capítulo 3 - O sol do inverno'/><author><name>giovana barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07872158927402246165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-2716638146695516336</id><published>2009-05-04T20:14:00.012-03:00</published><updated>2009-08-02T12:14:36.564-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='névoa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='neblina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='festa'/><title type='text'>Capítulo 1 - Névoa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sf93z2TDAhI/AAAAAAAAADI/2AUDwFDg6EA/s1600-h/Festa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sf93z2TDAhI/AAAAAAAAADI/2AUDwFDg6EA/s320/Festa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332112216462393874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;Realmente, o salão de festas do prédio de Marília era amplo e a decoração agradou meus olhos, como ela prometera. Bexigas infladas, brancas e pretas, coladas no teto e amarradas a fitas de cetim prata. Um grande telão irá mostrar uma pequena homenagem criada por seus amigos mais próximos, várias mesas para os convidados – incluindo amigos e sua enorme família.&lt;br /&gt;Haviam alguns amigos de pé, nenhum incrivelmente produzido. Vestindo camisas e calças pretas, como eu. Porém estava apenas adornado com um colar de corrente prata. As meninas, incluindo Marília, estavam do outro lado, e ao contrário de nós, caprichadas e estilosas. Vestidos pretos com brilho, chapéus, meias rasgadas, olhos maquiados exageradamente. Então, avistei Bruna do outro lado do salão, com seu pai ao lado, no mesmo padrão de roupa que meus amigos. Bruna estava perfeita e linda como todas as vezes eu que eu a via. Vestia uma calça jeans casual com botas sem salto, pretas, por cima, colocando em evidência suas coxas grossas. Era uma silhueta esplêndida e provocante na alma de uma garota de doze anos.&lt;br /&gt;Uma regata preta coberta por um espartilho de couro, também preto, emagrecia sua barriga e pronunciava seus generosos seios. Seu cabelo, como sempre, castanho reluzente, brilhante, curto. Nunca mudara o penteado natural. Desejei também que nunca mudasse.&lt;br /&gt;De mãos dadas com seu pai e agarrada ao pequeno pacote preto com fita vermelha, era a menina mais bonita e meiga da festa, cumprimentando todos ali presentes. Mas, para mim, era outra pessoa, quase uma mulher, revelada todas as vezes em que estávamos entre amigos ou sozinhos. A garotinha dos lábios volumosos e olhos cinza-claros idênticos aos da mãe era, para meus amigos e eu, a garota sedutora que tinha o mundo aos seus pés e a pessoa mais amiga que conhecíamos.&lt;br /&gt;Enfim, consegui elogiar minha deusa. Seu sorriso me dominava, me tirava da consciência, entorpecia-me.&lt;br /&gt;Provocava isso tudo, e me deixava mais animado. Fomos para o andar de cima, conhecer o resto do salão, para o jardim, conversamos, corremos, bagunçamos, como verdadeiras crianças entrando na pré-adolescência. Mas eu, particularmente, considerava-me prodígio. Ou com a mentalidade um pouco avançada. E se colocasse esse pensamento em palavras, poderiam me julgar como modesto, uma criança irritante. Por isso, nunca me exibi a ninguém. Eu poderia apresentar isso em desenhos, meu dom natural.&lt;br /&gt;O momento de cantar “parabéns” era horrendo. O salão ficou completamente iluminado por velas negras e vermelhas, o que deixou o ar com um clima de castelo de vampiros. O coro que ali se formou cantou em um volume animado e alto, ensurdecedor. Como tradição nos aniversários, houve o “com quem será”, que intimidou Marília e Thiago, de sua classe. Como eu gostaria que no lugar deles estivessem Bruna e eu. Quem sabe, daqui a alguns anos.&lt;br /&gt;Dedos leves e frios tocaram meu ombro, interrompendo meus pensamentos. “Se for comer bolo, pegue logo e vá para o jardim”, disse uma voz feminina. Virei minha cabeça à direção da voz, era Larissa, da sétima série. Assenti, confuso. “Avise a Bruna, Lílite, Mariana e o Júnior, tá? Vamos fazer algo mais divertido”, explicou ela. Algo mais divertido, ótimo. Algo para inovar nosso passatempo em festas.&lt;br /&gt;Ao terminarem de cantar, avisei a todos que Larissa pedira e fui para fora. Nunca gostei de bolos em aniversário. Deixavam-me nauseado.&lt;br /&gt;No jardim o vento soprava ferozmente, fazendo meus braços implorarem para eu buscar meu casaco. Não. Eu mesmo dizia que frio é um fator psicológico, e todas as vezes que penso nisto, meu frio se comprime. Mentalizei o que mais me aquecia nos rigorosos invernos desta cidade: o abraço de Bruna. A cada dia que ela contraía seu corpo contra o meu eu podia viajar, me sentir num paraíso individual, como se ela estivesse lá para me proteger. Mas era o contrário. Eu sempre que protegia seu corpo. Nunca o contrário.&lt;br /&gt;Nunca o contrário.&lt;br /&gt;Olhei ao longe, Larissa, Karina, Pedro e Lílite caminhando em minha direção. Acenei, enfim conseguiram confirmar que eu estava aqui. A neblina muito densa da noite deixava o ambiente tenebroso e frio, o que me deu na mente que iríamos contar histórias de terror. Larissa possuía uma luz arredondada em sua mão esquerda. A neblina me deixou irritado, não consegui enxergar direito. Quando ela se aproximou a três passos de mim, consegui ver que era uma lanterna da decoração das mesas, e uma garrafa vazia de vidro em outra mão.&lt;br /&gt;— Vamos jogar verdade ou desafio. — disse Larissa, com sua voz medonha e grave.&lt;br /&gt;Nunca passou pela minha cabeça que jogaríamos esse tipo de jogo. Nunca jogamos, é certo. E essa brincadeira tinha fama por acontecer coisas inusitadas, como beijar pela primeira vez.&lt;br /&gt;Eu não queria beijar aquela noite. Não, não aquela noite. Eu queria estar em um lugar onde só houvesse Bruna e eu, no nosso paraíso particular.&lt;br /&gt;Eu não conseguiria.&lt;br /&gt;Qual seria minha reação se tivesse que beijar Lílite, melhor amiga de Bruna?&lt;br /&gt;Mas, infelizmente, rendi-me às tentações. Eu poderia muito bem beijar Bruna naquela noite.&lt;br /&gt;— Valendo tudo? — perguntei, sabendo que Larissa entenderia meu raciocínio.&lt;br /&gt;— Claro. Não haveria graça. Vamos esperar os outros. — retrucou ela, organizando a roda de pessoas, colocando a garrafa deitada e a lanterna em cima de uma pedra.&lt;br /&gt;Neste mesmo instante, o restante do pessoal chegou. Estranhei o porquê de Bruna ainda não estar lá. Larissa organizou a roda novamente, explicando as regras do jogo para alguns. E quanto mais o tempo passava, mais minha aflição vinha à tona. O que Bruna estava fazendo para demorar?&lt;br /&gt;E então, finalmente, enxerguei uma silhueta inconfundível. Ela caminhava apressadamente, abraçando o próprio corpo, apesar de estar com um casaco preto que aparentava quente. Esperamos ela chegar e Larissa logo despachou a ela: iríamos brincar de verdade ou desafio, com tudo incluso. Ela rapidamente raciocinou e olhou para mim e para Lílite com uma expressão cômica, depois deixou escapar uma gargalhada de cortar meu coração.&lt;br /&gt;Larissa girou a garrafa, enquanto Karina ligava a música de seu celular para “descontrair o ambiente”, disse ela. Uma rádio tocava músicas conhecidas, e então me tranqüilizei, apesar de vários desconhecidos de nossa idade entrarem na brincadeira. Larissa parecia irritada, por ter que organizar a roda todo momento. Enfim, a brincadeira chegou ao início. Com muitos ruídos, eu também comecei a me entreter, com as piadas inúteis que Pedro contava à Thiago. Logo, me vi descontraído e totalmente seguro de mim mesmo. Mal esperava o que estaria por vir.&lt;br /&gt;Entre rodadas de garrafa e gritos de alegria, presenciei de pequenos toques de lábios a grandes beijos de cinemas, desafiados na maioria das vezes por Marília e Karina. Inclusive, Lílite e Pedro, por quem sempre achei que combinassem. Assim como Bruna e eu.&lt;br /&gt;Larissa estava entrando em uma fase depressiva, o garoto por quem ela perdia tempo pensando não estava na brincadeira, estava dentro do salão, conversando com outra garota. Isso me trazia pena, pois se fosse a mesma situação comigo, minha melancolia afetaria até meu estado físico.&lt;br /&gt;Foi quando, para acabar de vez com minha reserva de resistência mental e física, aconteceu.&lt;br /&gt;— Vamos Pedro, gire logo essa porcaria. — Larissa estava impaciente. Achara péssima a sua própria idéia.&lt;br /&gt;— Calma Lari, já vou.&lt;br /&gt;E então meu melhor amigo girou a garrafa.&lt;br /&gt;Uma, duas, três, várias, incontáveis voltas.&lt;br /&gt;E seu movimento me hipnotizava, a garrafa estava lentamente parando.&lt;br /&gt;Resultado: Pedro pergunta para Guilherme.&lt;br /&gt;Tremi meu corpo. Já havia pedido todo o estoque de verdades. Era agora ou nunca. E pelo modo como eu conhecia a personalidade de meu melhor amigo, ia resultar em merda.&lt;br /&gt;Ou não. Minha expressão mudou totalmente ao pensar na outra possibilidade.&lt;br /&gt;Pedro sabia o quanto eu era apaixonado por Bruna. Ele poderia cooperar com isso.&lt;br /&gt;Ah, Pedro, meu irmão de sempre.&lt;br /&gt;— Verdade ou desafio, Guilherme? — Por sua voz, já desconfiei do que faria comigo. Engoli em seco.&lt;br /&gt;- Desafio – disse, hesitante e ofegante.&lt;br /&gt;- Hmmm. — murmurou ele. Seus olhos desviaram-se dos meus, fixaram-se nos de Bruna. Depois, para disfarçar seu riso comprimido, fitou intensamente cada menina ali presente. – Vejamos, senhor Guilherme... que tal, um beijo de língua com a senhorita Bruna?&lt;br /&gt;Neste momento, achei que teria um desmaio. Desmaio mútuo: Bruna e eu. Fizemos a mesma expressão de espanto que provocou gargalhadas em toda a roda. A minha, porém, não foi um tanto forçada como imaginei que teria de ser: as palavras vindas da boca de Pedro soavam muito mais medonhas. Beijo de língua. Rá.&lt;br /&gt;Bruna, porém, pareceu mais aflita do que eu.&lt;br /&gt;— O que? Não! Ficou louco, Pedro?&lt;br /&gt;— Um beijo não mata ninguém.&lt;br /&gt;— Mas o Gui é meu melhor amigo! — péssima idéia de Bruna ter dito isto. Só abriu caminho para as vozes de todos se elevarem à gritos, do gênero “Por isso mesmo! Muito mais fácil!” e “Beija logo, pra perder o ‘BV’!”. Milhares de gritos. Ensurdecedores.&lt;br /&gt;Enquanto todos estavam ocupados tentando convencer Bruna, Pedro puxou meu braço e nos afastou de lá. Em seguida, virou meu corpo à força e murmurou furiosamente:&lt;br /&gt;— Não vai me dizer que o gayzinho amarelou.&lt;br /&gt;— Não amarelei, oras, é ela!&lt;br /&gt;— Meu filho, você poderia estar realizando sua fantasia sexual agora, se não fosse pela sua falta de atitude! — Pedro largou meu braço, com a assustadora força que ele tinha a mais que eu.&lt;br /&gt;— Já te disse milhões de vezes, isso pode estragar nossa amizade.&lt;br /&gt;— E se não estragar? Pra você poder ser feliz, é preciso arriscar. Você quer ou não beijar a Bruna?&lt;br /&gt;— Óbvio que quero.&lt;br /&gt;— Então faça alguma coisa que preste, já te ajudei por hoje. — Pedro estava realmente irritado com minha covardia. Ele sempre tentara ajudar, e quando finalmente conseguiu, eu não poderia estragar tudo.&lt;br /&gt;Caminhamos de volta ao círculo desorganizado, então fitei Bruna, esperando a algazarra se dissipar. Ela, de vez em quando, encontrava meus olhos, mas ainda com a mesma expressão de negação e riso forçado. Após a bagunça acalmar, andei na direção de Bruna e levei-a até onde os olhos dos demais não conseguiam alcançar-nos. A neblina ainda pairava sobre o ambiente, o que, incrivelmente, me ajudou.&lt;br /&gt;Parei diante de outra pedra.&lt;br /&gt;— E aí, o que vai ser?&lt;br /&gt;— Não sei — disse Bruna. Sua voz estava num tom que eu não gostava, que ela só fazia quando estava confusa, e que a resposta parecia óbvia para mim. ‘Não.’&lt;br /&gt;— Como, não sabe? Não liga se eu te beijar ou não?&lt;br /&gt;— Guilherme Medeiros, sabe as conseqüências que possivelmente surgirão após esse beijo?&lt;br /&gt;— Sei. Mas pode ser que elas não venham à tona.&lt;br /&gt;Bruna tornou a pensar. Sua expressão era vazia, fria, mas ainda sim, linda. Reluzente, pálida. Seus lábios carnudos e corados tremiam com a bruma congelante, então, caí em consciência.&lt;br /&gt;— Você está com frio. Está tremendo. — eu disse, esforçando para fazer o tom mais acolhedor que ela gostava. Ou misturar a voz com a de um sedutor, algo parecido. Abracei seu corpo frio e duro, então ela afundou o rosto em meu peito, sem mover suas mãos, cerradas em pedra. Não estava chorando, como fizera em todas as vezes que essa cena se repetia. Seu corpo parecia morto, e eu precisava revivê-lo.&lt;br /&gt;Revivê-lo, para mim.&lt;br /&gt;Levantei seu queixo com o dedo indicador, olhei para seus olhos brilhantes e cinza-claro. Hoje estavam mais azulados, como eu gostava. A luz fraca vinda do salão o deixara assim, somado à luz da névoa.&lt;br /&gt;Uma névoa encantadora, por sinal.&lt;br /&gt;— Isso não vai mudar nada entre nós.&lt;br /&gt;— Promete? — o murmúrio doce de seus lábios trouxe à mim um aroma envolvedor, que me deu mais coragem. Seus olhos hipnotizavam os meus.&lt;br /&gt;— Prometo.&lt;br /&gt;E então, nossos lábios se encontraram.&lt;br /&gt;Os dela, como eu nunca pude sentir, eram macios, aveludados, lisos, cheios. Cheios de tudo que eu queria para mim.&lt;br /&gt;Seus braços longos contornaram meu pescoço, enquanto seus lábios separavam-se, buscando pelos meus. Abracei sua cintura, em um gesto afetivo, não romântico. Prometi a ela e a mim mesmo: isto não iria mudar nada entre nós.&lt;br /&gt;Pude ouvir berros dos mais variados tons do outro lado, formando quase um coro desafinado. Celebravam nosso beijo, como num filme famoso onde os personagens são lerdos e moles, como nós. Mas não pude ouvi-los se aproximando. “Obrigado, Pedro!”, mentalizei.&lt;br /&gt;Agora, eu poderia compartilhar meu mundo perfeito individual com a pessoa que eu mais amava neste mundo.&lt;br /&gt;Pude sentir seus lábios espaçosos tentando levar consigo meu lábio inferior, e deixei.&lt;div&gt;Agora sua mão fina e macia agarrava-se em minha corrente de prata, sua outra mão desalinhava meu cabelo arrumado. O toque de seus dedos me davam calafrios.&lt;br /&gt;A névoa densa, branca e inacreditavelmente fria em nossa volta fazia parte do meu cenário perfeito e preferido, agora. Agradeci de coração a essa névoa, que entregou a mim de bandeja a coragem que precisava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora, eu podia sentir seu corpo vivo, quente, de minha preferência. Sua língua enroscava na minha de uma forma que não consigo descrever. Ela passeava ousadamente por meus lábios sedentos de sua boca, o meu mais recente objeto de desejo. Seu aroma, misturado ao inebriante congelar da névoa, era um remédio à qualquer doença respiratória a qual eu estava exposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia até morrer, mas morreria feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/prologo-pingos-gotas-e-lagrimas.html"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/prologo-pingos-gotas-e-lagrimas.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-2-apenas-amizade.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-2716638146695516336?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/2716638146695516336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-1-nevoa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/2716638146695516336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/2716638146695516336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-1-nevoa.html' title='Capítulo 1 - Névoa'/><author><name>laís hiromi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11671453086715003340</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sld-xnFUN2I/AAAAAAAAAE8/QbWler3jbG8/S220/(35).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sf93z2TDAhI/AAAAAAAAADI/2AUDwFDg6EA/s72-c/Festa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-6191972973721568366</id><published>2009-05-03T04:50:00.004-03:00</published><updated>2009-05-17T12:18:04.050-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 2 - Surpresa de inverno</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://fc02.deviantart.com/fs28/i/2008/347/1/0/WiNTeR_by_day_light.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 293px; height: 293px;" src="http://fc02.deviantart.com/fs28/i/2008/347/1/0/WiNTeR_by_day_light.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O som agudo do despertador me acordou, forçando-me a levantar. Não ia ao colégio havia duas semanas, porque simplesmente não existiam motivos. Arrumei-me com diligência e desci as escadas, cada degrau me deixava mais próxima das lembranças que eu evitava trazer à tona. Um conjunto de tristes emoções começou a se formar dentro de mim, eu realmente não queria voltar ao colégio, não aquele colégio. Mas era uma obrigação que eu deveria cumprir. Peguei minhas coisas e saí de casa.&lt;br /&gt;   O clima frio do inverno me causava sono, as ruas calmas e nevadas me distraíam. Assustei-me ao ver dois garotos passarem correndo, o humor em seus rostos me fez lembrar a felicidade que tomava conta de mim quando estava com Bianca, da vontade constante de estar ao seu lado. Acelerei meu passo, o caminho não era longo, mas quanto mais cedo eu chegasse, mais tempo ficaria em meu refúgio.&lt;br /&gt;   Pouco tempo havia se passado até o momento em que cheguei ao portão do colégio. Faltavam alguns minutos para o início da aula, tentei atravessar a multidão de adolescentes, mas foi em vão.&lt;br /&gt;   — Ei! Sophie veio. — disse uma garota sorridente para as amigas.&lt;br /&gt;   Milhares de olhos curiosos começaram a me espreitar, tentei parecer o mais indiferente possível.&lt;br /&gt;   — Sophie! Sophie! — exclamou a garota, vindo em minha direção — Que bom que você está aqui.&lt;br /&gt;   — Ah, oi Manuela. — minha voz saiu tão baixa, que duvidei que a garota tivesse escutado.&lt;br /&gt;   — Pensei que você não viria mais. — olhou para as duas amigas — Laís e Melanie achavam que você tinha mudado de colégio. E para ser sincera, eu não duvidei.&lt;br /&gt;   — Não sou tão fraca assim, Manu.&lt;br /&gt;   — Não foi bem isso que eu quis dizer, desculpe. — disse, pensativa.&lt;br /&gt;   — Eu entendo.&lt;br /&gt;   A garota sorriu.&lt;br /&gt;   — Quer conversar?&lt;br /&gt;   — Talvez mais tarde. — eu também sorri, tentando não transparecer a minha melancolia — Não sou muito sociável quando estou com sono.&lt;br /&gt;   Manuela me lançou um olhar desapontado, talvez por não ter conversado com ela, ou simplesmente porque esperava qualquer expressão em minha face, menos a que manifestava felicidade.&lt;br /&gt;   O sinal tocou, Manuela e suas amigas se entreolharam e começaram a caminhar até a entrada do colégio.&lt;br /&gt;   — Seria bom se você viesse com a gente. — disse Melanie.&lt;br /&gt;   — Não posso. Tenho que ir à um lugar antes de ir para a aula.&lt;br /&gt;   As três se entreolharam novamente e tornaram a andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O chão do pátio estava coberto com uma densa camada branca, as árvores cobertas de neve não possuíam mais folhas. O que havia de errado com aquilo? Apenas a estação do ano mudara, não era para eu ter mudado também. “Estou sozinha novamente”, lembrei à mim mesma. Um vazio se apoderou de mim, o frio congelou meus sentimentos, não me dei o trabalho de sentar no pequeno banco, eu tinha pouco tempo alí.&lt;br /&gt;   — Então aí está a senhora sumidinha. — disse uma voz feminina e estridente. Não me era familiar, não era de nenhuma das coordenadoras ou funcionárias do colégio. E eu não tinha tempo.&lt;br /&gt;   Continuei parada, observando o meu falso refúgio, evitando a voz que me provocava. Aquela presença me incomodava, tentei suportar o importuno que a curiosidade me causava, mas não resisti. Virei-me rapidamente. O frio fazia sua pele parecer reluzente e lisa, dando impressão de eu estar olhando uma boneca de porcelana viva. Ela olhava para mim, esperando uma resposta.&lt;br /&gt;   — Não vai dizer nada? — sua voz agora estava mais calma.&lt;br /&gt;   — Não. — eu murmurei, me esforçando o máximo para parecer indiferente. Seus cabelos eram tão ruivos quanto os de Bianca, porém seus fios eram mais longos e um pouco cacheados nas pontas.&lt;br /&gt;   — Santa Ignorância! — disse, me provocando novamente.&lt;br /&gt;   Permaneci em silêncio, esperando que ela fosse embora.&lt;br /&gt;   — O que te deixou tanto tempo longe da escola?&lt;br /&gt;    — Nada que seja da sua conta. — disse, tentando não lembrar de minhas feridas.&lt;br /&gt;    — Ah... — ela me jogou um olhar receoso, que fez meus braços se encolherem.&lt;br /&gt;    — Preciso ir para a aula, o sinal já tocou.&lt;br /&gt;    — Você não precisa ir agora, eles não vão te barrar se você se atrasar um pouco.&lt;br /&gt;   — Não, obrigada. Não quero mais perder aula.&lt;br /&gt;   Então, passei por seu corpo presunçoso e caminhei em direção à minha sala. Ela, porém, moveu apenas seu olhar em minha direção.&lt;br /&gt;   Voltei para a aula correndo. A professora lançou-me um olhar severo, mas ignorei-o e sentei na única carteira vazia. Era aula de química e eu, particularmente, odiava gastar meu tempo escutando sobre a nomenclatura das cadeias de hidrocarbonetos ramificadas. Abaixei a cabeça e adormeci, esperando não ter pesadelos que me fizessem gritar no meio da sala de aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/04/as-folhas-de-outono-primeiro-capitulo.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-3-o-sol-do-inverno.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-6191972973721568366?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/6191972973721568366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-2-surpresa-de-inverno.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/6191972973721568366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/6191972973721568366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-2-surpresa-de-inverno.html' title='Capítulo 2 - Surpresa de inverno'/><author><name>giovana barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07872158927402246165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-7374616814116984614</id><published>2009-05-03T00:44:00.003-03:00</published><updated>2009-05-03T03:28:34.407-03:00</updated><title type='text'>Sobre Nós</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2FfzDU-l_Ec/Sf0ZQ3ivgOI/AAAAAAAAABk/Kl8qN8rI7vo/s1600-h/Friendship_by_negriis.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 233px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2FfzDU-l_Ec/Sf0ZQ3ivgOI/AAAAAAAAABk/Kl8qN8rI7vo/s320/Friendship_by_negriis.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331445311454806242" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre fui alguém particularmente difícil de lidar, não nego. Seja por eu ter essa errônea e insensível mania de pensar que sou o centro do mundo, ou seja por eu ter muitas opiniões, que se encontram, divergem e mudam, só para encontrar-se com outras ainda mais complicadas. E sim, sou muito complicada. E tenho o bizarro dom de complicar. Quanto mais complicado melhor. Uma vez, disse Aristóteles: “Ama-se mais aquilo que se conquista com dificuldade” .&lt;br /&gt;A mim, me resta concordar humildemente. Sou amante nata de desafios, e talvez daí venha tal tendência à complicação. Sou também pessimista, e acredito que todos os homens pensam neles primeiro, antes de pensar nos outros. E minha crença comprova-se toda vez que ligo a televisão na hora do jornal.&lt;br /&gt;Veja lá a que ponto chegou meu egoísmo, me pediram para escrever o “Sobre nós” , mas até agora eu só escrevi o “Sobre mim”.&lt;br /&gt;Mas ainda assim peço “Não me julguem, plz HIDEHUDA“  Meu propósito ao escrever apenas a meu respeito, foi digno. Afinal, como narradora E personagem, nada mais natural que eu seja a primeira apresentada, e até agora, somente com meus lados negativos.&lt;br /&gt;E bom, é isso que confere a originalidade ao texto. É raro ver alguém que bate no peito e começa uma grande campanha negativa ao seu respeito. Claro que meus lados positivos existem, mas prefiro não deixá-los em evidencia, apenas para ser à exceção da regra.&lt;br /&gt;A Giovana também é um bom exemplo dessa exceção à regra. Ela e sua grande propaganda pelos seus erros, suas falhas e seus defeitos. Isso a faz aparentar frágil. Ledo engano. Dotada de uma força que eu mesmo duvidava, ela se auto afirma cada vez mais, mesmo que sem consciência disso. Talvez Gih ( para íntimos DUHEDAD –mentira) tenha o grande desafio de se aceitar como ela é, e trabalhar seus pontos fortes, ao invés de se lamentar pelos fracos.&lt;br /&gt;Interessou-se pela escrita, e veio até mim dizer que nunca escreveria bem. Novamente, ledo engano. Giovana escreve bem.  Não escreve perfeitamente, mas ora, ainda é muito jovem, para ambicionar a escrita de quem viveu décadas a mais.&lt;br /&gt;Giovana é também, encantadora, à sua maneira. E não é só a mim que ela encanta.&lt;br /&gt;Laís Hiromi é uma figura peculiar. Quando a conheci, fui tomada por um preconceito tolo, que se desfez com a convivência. Eu tinha o hábito de julgar as pessoas pela idade, sem me realizar que era eu a infantil.&lt;br /&gt;Hiromi também é uma grande escritora, Acho que no final das contas, nós três escrevemos no mesmo nível, sem mais.&lt;br /&gt;Nunca dei motivos diretos para ela me odiar, mas dei vários indiretos. Talvez ela tenha me odiado. Mas se dissipou.&lt;br /&gt;Minha relação com ela, na verdade, sempre foi indireta. Conhecemos-nos por amigos em comum, e nos tornamos amigas graças a essa influencia.&lt;br /&gt;E eu a admiro, e a admiro de coração.&lt;br /&gt;Confesso que fiquei meio perdida antes de começar a escrever, espero ter atendido às poucas expectativas de quem leu até o final, e se não atendi, bom, ai só me falta dizer “ só lamento, eu tentei.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-7374616814116984614?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/7374616814116984614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/sobre-nos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/7374616814116984614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/7374616814116984614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/sobre-nos.html' title='Sobre Nós'/><author><name>Mila</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00549379663631642764</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2FfzDU-l_Ec/Sf0ZQ3ivgOI/AAAAAAAAABk/Kl8qN8rI7vo/s72-c/Friendship_by_negriis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-1048903503508597337</id><published>2009-05-03T00:13:00.010-03:00</published><updated>2009-05-17T12:27:18.930-03:00</updated><title type='text'>Prólogo - Pingos, Gotas e Lágrimas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sf0M0ynXaZI/AAAAAAAAACg/F-u3Biy0fmM/s1600-h/Alone.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 227px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sf0M0ynXaZI/AAAAAAAAACg/F-u3Biy0fmM/s320/Alone.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331431634956151186" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, como nunca acontecera, eu estava caminhando sozinho. A procura de algum objetivo nesta vasta vida que tinha pela frente, em busca de sonhos para se formarem e se realizarem, de pessoas para conhecer, de alguém para me apaixonar, para formar uma família e ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há poucos meses, eu tinha conhecimento do que era ser feliz. Eu era realizado, tinha ao meu alcance tudo o que sempre desejei. E eu não sabia que esse meu objeto de desejo poderia se transformar em um motivo para eu revolucionar meu cotidiano, minha rotina, minha vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No início, tive em mente que eu estava em delírio em sua fase extrema. Não. Era impossível. Eu não poderia fazer isto. Não seria eu, que jurei tantas vezes não abandoná-la.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não foi culpa dela. Nesta história, ninguém possui culpa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém, com exceção para mim. Apesar de nem mesmo eu ter entendido como consegui chegar a essa atitude, era eu o culpado. O culpado por estragar a vida de não só uma pessoa, mas como todas a sua volta. O culpado por deixar este relacionamento ocupar tanto tempo em nossas vidas. O culpado por iludir uma pessoa por quem eu só quero o bem e a felicidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui eu quem se declarou, fui eu que queria vê-la longe de mim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ela não tinha culpa, repeti para mim mesmo: era eu o culpado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tinha que entrar de vez no estado de viver a vida; eu não estava usufruindo o que Deus me dera de mais importante. Agora eu estava livre; com dois anos para aproveitar minha adolescência anormal. Eu não tinha à quem me prender, não podia remoer o que passara.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda tinham pedras para afastar de meu caminho solitário, e tinham obstáculos que eu podia transformar em companheiros. Mas estava livre, o que nunca fui um dia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No entanto, quanto mais eu caminho, agora, mais o vazio domina o meu eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-1-nevoa.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-1048903503508597337?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/1048903503508597337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/prologo-pingos-gotas-e-lagrimas.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/1048903503508597337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/1048903503508597337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/prologo-pingos-gotas-e-lagrimas.html' title='Prólogo - Pingos, Gotas e Lágrimas'/><author><name>laís hiromi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11671453086715003340</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sld-xnFUN2I/AAAAAAAAAE8/QbWler3jbG8/S220/(35).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ihd4UOUMR8s/Sf0M0ynXaZI/AAAAAAAAACg/F-u3Biy0fmM/s72-c/Alone.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-6148609918997091430</id><published>2009-04-30T00:27:00.002-03:00</published><updated>2009-05-17T12:16:14.088-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 1 - O inverno desaparecido</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://th07.deviantart.com/fs19/300W/f/2007/299/a/9/autumn_feeling_by_bittersea.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 255px; height: 255px;" src="http://th07.deviantart.com/fs19/300W/f/2007/299/a/9/autumn_feeling_by_bittersea.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O vento soprava, fazendo as flores das cerejeiras se agitarem. Naquele dia, dezenas de pessoas se reuniam em uma só tristeza. Lamentavam, única reação que parecia ser exata naquele momento de ternas despedidas. Lágrimas escorriam sobre minhas bochechas pálidas, e quando chegavam a minha garganta, pareciam queimá-la desumanamente, como se me acusassem. Mas alguém teria que me culpar, eu não tentei impedir que aquele fim trágico acontecesse.&lt;br /&gt;   Indivíduos pranteavam com desespero, a tristeza corroia tanto eles quanto a mim. O padre rezava, mas minha mente estava lotada de recordações atormentadoras, tornando impossível prestar atenção no que ele falava. Uma parte de mim foi destruída em pequenos pedaços, a vida voltou a não fazer sentido algum. Senti um aperto no coração, eu precisava voltar ao meu harmônico e relaxante refúgio, o qual eu não visitava fazia meses.&lt;br /&gt;   As roupas escuras deixavam o ambiente tenso e deprimente. O coral de soluços e respirações ofegantes continuava acontecendo, enquanto os pais de Bianca choravam sufocadamente, parados ao meu lado.&lt;br /&gt;   Desde quando a conheci, seus pais eram como uma segunda família para mim. Mas eu não poderia mais conviver com os procriadores da garota que eu deixei morrer. Não era certo trazer lembranças de Bianca para eles. Não naquele momento, não com toda aquela sensação de abandono.&lt;br /&gt;   A dor aumentava a cada instante em que eu me encontrava ali. Eu precisava urgentemente sair, correr até minhas pernas não aguentarem mais, até eu poder achar algum motivo para recuperar minha sanidade.&lt;br /&gt;   Depois de algum tempo, chegou ao fim. As pessoas se retiravam lentamente, enquanto eu permanecia parada, refletindo. Então, uma mão fria tocou meu ombro.&lt;br /&gt;   — Como você está? — perguntou, mesmo sabendo a resposta.&lt;br /&gt;   — Como você acha que estou? — eu disse friamente.&lt;br /&gt;    — A culpa não é sua, Sophie, você sabe disso.&lt;br /&gt;   — Não tente me confortar agora, Lara. É claro que a culpa é minha. — Fitei o chão, pensativa — Eu... eu podia ter impedido.&lt;br /&gt;    — Não, você não podia. — Ela também fitou o chão — Aconteceria, cedo ou tarde.&lt;br /&gt;   — Você não pode prever o futuro.&lt;br /&gt;   — E você pode? — deu uma risada sarcástica — Acho que você deveria seguir em frente, sabe? Fingir que nada aconteceu.&lt;br /&gt;   — Minha melhor amiga acabou de morrer e você quer que eu finja que nada aconteceu? — Levantei a cabeça com os olhos arregalados.&lt;br /&gt;   — Existe outra opção?&lt;br /&gt;   — Que absurdo. Eu só preciso de um tempo, Lara, por favor.&lt;br /&gt;   Lara me encarou censuradamente por alguns segundos e se virou.&lt;br /&gt;   — Como você quiser. Só não venha me pedir conselhos depois. — disse, se retirando.&lt;br /&gt;   Eu não entendia a reação de Lara. Como ela podia dizer para mim esquecer que a pessoa que eu sempre admirei estava morta? Parecia muita insensibilidade de sua parte, mas no fundo, no fundo mesmo, fazia algum sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/04/prologo_29.html"&gt;« Capítulo Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/05/capitulo-2-surpresa-de-inverno.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-6148609918997091430?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/6148609918997091430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/04/as-folhas-de-outono-primeiro-capitulo.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/6148609918997091430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/6148609918997091430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/04/as-folhas-de-outono-primeiro-capitulo.html' title='Capítulo 1 - O inverno desaparecido'/><author><name>giovana barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07872158927402246165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-5173016491665250270</id><published>2009-04-30T00:11:00.012-03:00</published><updated>2009-05-17T12:13:21.703-03:00</updated><title type='text'>Prólogo - As Folhas de Outono</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://fc06.deviantart.com/fs45/f/2009/118/2/5/The_Winter_Is_Gone_by_monislawa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 223px; height: 335px;" src="http://fc06.deviantart.com/fs45/f/2009/118/2/5/The_Winter_Is_Gone_by_monislawa.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CIbyte%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CUsers%5CIbyte%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CUsers%5CIbyte%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 2"&gt; 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Todos os dias, a sensação que emanava daquele ambiente me deslumbrava e, ao mesmo tempo, me relaxava. Era muito mais fácil viver sozinha quando estava em harmonia comigo mesma. Por esse e outros motivos, eu permanecia ali, somente ali. Jamais outro lugar me confortaria tanto como aquele. Mas eu sabia que não duraria para sempre, eu teria três meses de paz e nove de solidão, e nesse tempo eu teria que encontrar alguma razão para continuar frenquentando aquele colégio.&lt;br /&gt;Uma garota sentou ao meu lado no pequeno e gelado banco. Repousou seu corpo para trás e fechou seus olhos, sem ao menos se importar com a minha presença. Olhei seu rosto em um ato impulsivo, tinha as mais belas e encantadoras feições. Seus cabelos lisos e ruivos moviam-se brandamente com o vento frio, e sua pele branca parecia tão frágil quanto os flocos de neve do inverno.&lt;br /&gt;   Seus olhos se abriram. Continuei espreitando tamanha beleza. A garota se virou para mim ligeiramente, e em seus lábios havia um pequeno e aprazível sorriso. Meu coração disparou subitamente, senti uma desmedida vontade de fugir do seu olhar. Algo novo crescia dentro de mim, uma sensação desconhecida, uma vontade esquisita de abraçar seu corpo e me proteger do mundo.&lt;br /&gt;   Fortes sentimentos se manifestam no silêncio.&lt;br /&gt;   E no triste silêncio eles se acabam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/04/as-folhas-de-outono-primeiro-capitulo.html"&gt;Próximo Capítulo »&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5336465347419074931-5173016491665250270?l=greenleavesstory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/feeds/5173016491665250270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/04/prologo_29.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/5173016491665250270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5336465347419074931/posts/default/5173016491665250270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://greenleavesstory.blogspot.com/2009/04/prologo_29.html' title='Prólogo - As Folhas de Outono'/><author><name>giovana barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07872158927402246165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5336465347419074931.post-4920518651266736663</id><published>2009-04-29T23:52:00.033-03:00</published><updated>2009-08-03T04:21:35.689-03:00</updated><title type='text'>Capítulos</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span class="blsp-
